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sexta-feira, 11 de maio de 2018

DESROMANTIZANDO A MATERNIDADE SOLO - NÃO É PROVA DE FORÇA! [vídeos]

maio 11, 2018 0
O discurso é dicotômico: ou bem você demoniza ou bem você romantiza! Não existe a oportunidade de ver como sendo boa e ruim, ao mesmo tempo, a maternidade solo. 
As pessoas caem na análise rasa de: tornarem a maternidade solo um inferno ou um céu romantizado onde a mãe é uma heroína coroada de força.

Não!

Existem muitas nuances entre ser maravilhoso e ser horrível que é preciso pensar dentro da maternidade solo. Nem só de inferno, nem só de céu.


#1 AMAR O FILHO É UMA COISA, AMAR SER MÃE É TOTALMENTE DIFERENTE.
#2 ESSE NEGÓCIO DE INSTINTO MATERNO, EXISTE?

#3 AS COBRANÇAS DA MATERNIDADE, PARTE I

#4 AS COBRANÇAS DA MATERNIDADE, PARTE II - PORQUE É MUITO PARA UM SÓ!


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

5 FRASES PRECONCEITUOSAS QUE TODA MÃE SOLO JÁ OUVIU NA VIDA

dezembro 07, 2017 0
Infelizmente a maternidade traz para a sociedade a sensação de que nossa vida virou algo público, assim todos se sentem no direito de falar coisas e tomar atitudes com as mães solo que parecem quase fanfics (situações inventadas na internet), mas, infelizmente estamos longe de inventar essas situações absurdas que passamos pela nossa condição e mãe junto ao nosso estado civil. Apesar da maternidade não ser um destes "estados" a expressão "mãe solteira" ainda é usada e muito, principalmente no sentido pejorativo e acompanhada de algumas das expressões citadas aqui. Escolhi cinco expressões mais corriqueiras na minha vida, mas, se esqueci de alguma que você também já ouviu, deixe nos comentários.

1 - "E O SEU FILHO FICOU COM QUEM?"

Quem nunca chegou em algum lugar sem o próprio filho ou filha e ouviu esse questionamento, que atire a primeira fralda suja! O curioso é que nunca vemos os pais separados sendo questionados do mesmo, porque as pessoas automaticamente supõem que o filho está com quem tem obrigação, de acordo com a sociedade, a mãe.
Projetado pelo Freepik


2 - "MAS VOCÊ TEM FILHO, COM ESSE CORPÃO? NEM PARECE!"

Essa é um combo de coisas horríveis que é difícil até começar as criticas mas, vamos lá: existe um corpo de mãe? Para eu ter "cara de mãe" (que cara seria esta?) vocês esperam um tipo de corpo específico? Ou, pior ainda, vocês associam a maternidade, principalmente solo, a "estragar" o corpo da mulher? Cuidado, hein, isto não é elogio.
Fundo fotografia desenhado por Kues1 - Freepik.com

3 - (NA ENTREVISTA DE EMPREGO) "E QUEM FICA COM SEU FILHO DURANTE O TRABALHO? NÃO VAI PRECISAR FALTAR PARA LEVAR AO HOSPITAL?"

Bom, o incomodo está explícito na frase, mais uma vez uma pergunta que nunca é feita aos pais, porque a sociedade tem normalizado de que todas estas responsabilidades são da mãe e uma mulher que cria uma criança sozinha, principalmente, está automaticamente condenada a ter isso considerado um "problema no seu currículo", afinal, criança vive "dando defeito", não é mesmo?
Projetado pelo Freepik


4 - "EU NÃO VOU ASSUMIR UMA MÃE SOLTEIRA!"

Eu não vou nem falar da vontade de matar diante de uma frase destas, mas, tentarei explicar brevemente onde se encontram os absurdos. Homens ou mulheres que namoram pessoas que tem filhos precisam entender que, geralmente, essa criança já é filha ou filho de outra pessoa também, ou seja, mães solos não estão procurando "pai ou mãe" para os seus filhos, estão procurando um ou uma parceira, pai ou mãe a criança já tem e você não precisa se preocupar. Outra coisinha muito importante de se dizer é que MÃE NÃO É ESTADO CIVIL, portanto, você vai estar, no máximo e se a pessoa quiser, assumindo uma mulher que também é solteira e também é mãe, mas, isto não é o todo desta mulher, acredito.
Projetado pelo Freepik


5 - "VOCÊ DEVERIA APROVEITAR A CHANCE DE FICAR COM O FULANO, VOCÊ É MÃE SOLTEIRA, NUNCA SE SABE QUANDO VAI TER OUTRA OPORTUNIDADE..."

Porque a mãe solo vive de escapadelas e oportunidades aleatórias, não é mesmo? Não, não é não! Viver nossa vida fora da maternidade também é um direito nosso e, mais do que isto, ser mãe solo não te coloca automaticamente implorando por qualquer chance de relacionamento que aparecer, as coisas não funcionam assim só porque você se tornou mãe, não é uma condição automática e associar a maternidade solo ao desespero é no mínimo desonesto.
Projetado pelo Freepik

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

TAG - MINHA PRIMEIRA VEZ (MATERNA)

agosto 24, 2016 0

A tag "Minha primeira Vez" é famosas em blogs e canais de youtubers, várias perguntas falando sobre a primeira vez que você fez algo, ou comeu alguma coisa, por exemplo. Hoje lá no canal do youtube, resolvi responder a TAG "Minha primeira vez, Mãe?!", que encontrei no blog MAMÃE DE SALTO da Marcela Stelle. Vou deixar aqui no blog, as perguntinhas para quem quiser responder também:

1. Quando foi a primeira vez que soube que estava grávida?
2. Quem foi a primeira pessoa que você contou que estava grávida?
3. Qual foi a primeira coisa que sentiu para pensar que estivesse grávida?
4. Quando foi que fez sua primeira ecografia?
5. Qual foi a primeira coisa que pensou quando soube que estava grávida?
6. Qual foi seu primeiro desejo?
7. Quando foi a primeira vez que sentiu o bebê mexer?
8. Qual foi a primeira peça do enxoval que você comprou?
9. Qual foi a primeira peça do enxoval que você ganhou?
10. Qual foi a primeira coisa que fez no dia do parto?
11. Qual foi a primeira coisa que fez quando viu seu filho pela primeira vez?
12. Como foi a primeiro dia como mãe?
13. Como foi o primeiro dia em casa com o bebê?
14. Como foi seu primeiro dia das mães?
15. Como foi a primeira vez que seu filho ingeriu alimentos sólidos?
16. Como foi a primeira vez que seu filho andou?
17. Qual foi a primeira palavra do seu filho?
18. Como foi o primeiro ano de vida do seu filho?

sábado, 23 de abril de 2016

ESTÁ CHEGANDO O DIA DAS MÃES: ABAIXEM O PREÇO DOS MICROONDAS!

abril 23, 2016 2
Está chegando aquele período do ano, bom e velho para acendermos nossas heranças escravocratas na vida das nossas matriarcas negras. Tenho lembranças da minha infância, do dia das mães e a casa da avó paterna cheia de todo mundo. Netos, filhos, sobrinhos netos, todos em volta da mesa farta e com aquela de-lí-cia de comida de vó que em todas as vezes minha avó mesma preparava, com a ajuda no máximo das suas outras filhas também mulheres. A cozinha geralmente quente, forno, todas as bocas do fogão ligadas e a vovó até suava preparando a festa do dia das mães para todos, inclusive ela! Uma das partes mais intrigantes com certeza é: os presentes de dia das mães, a criatividade passa por toda a "linha branca" das lojas de eletrodomésticos, são centenas de geladeiras, microondas, panelas de pressão, ferros de passar, batedeiras, liquidificadores... Parece que chegou o "Dia da CASA"!
Temos que sempre ter cuidado para não reproduzir pautas de um feminismo que não é nosso. A luta de muitas mulheres brancas era para conquistar o direito ao trabalho (e respeito os ideais de cada uma) quando ao mesmo tempo minhas ancestrais lutavam para conquistar o direito ao "descanso de cuidar da própria casa e filhos" mas ainda assim é impossível por "N" motivos reforçar a ideia de que devemos sempre ficar felizes com as tarefas domésticas que são impostas a nós como algo bom para a mulher. Um ponto que me fez pensar muito em discussão sobre a polêmica do "Bela, Recatada e do Lar" com algumas blogueiras do #CBNBH foi o fato de que a mulher negra nunca teve o "privilégio" de ser considerada "do lar", porque estávamos sendo escravizadas ou exploradas em moldes escravocratas mesmo após o período "oficial".
É importante na chegada desta data, observar que você deve presentear a mulher, a mãe, a amiga, a companheira, a esposa, A FIGURA da mulher negra e não o esteriótipo que carregamos. A nossa ancestralidade sempre colocou a mulher em posição de destaque e ao sermos arrancados do nosso local de origem todos os costumes do nosso explorador foram "enfiados goela abaixo" do nosso povo e hoje, centenas de anos depois continuamos reproduzindo esse conceito machista e por muitas vezes sem noção da gravidade. Todos os anos a representatividade negra nas campanhas publicitárias é questionada (e com razão, porque nós também somos mães) mas eu me atreveria a dizer que, os poucos rostos negros que vejo estampado nas campanhas estão ligados a lojas de eletrodomésticos, quanto mais dissociado dos serviços domésticos mais branca a campanha é. 

São pontos que temos sim que problematizar e pensar a medida que queremos melhorar a qualidade da nossa representatividade e questionar a qualidade da nossa militância dentro de casa. Dia das Mães é dia de presentear A MÃE, não dia de renovar a linha branca da sua casa reforçando o machismo e tradições escravocratas que nosso país se afunda dia após dia. Dia das mães é dia das mães, valorize a ancestralidade da mulher negra, não é dia de mandar geladeira!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A CONSTRUÇÃO DA AUTOESTIMA DAS MENINAS NEGRAS - PARTE II

fevereiro 29, 2016 0
Foto: Carolina Castro
Nós nunca vamos ter uma sociedade de mulheres fortes se não educarmos a base, as nossas meninas mulheres negras! Existe um provérbio africano que diz: "É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” e isto realmente faz muito sentido quando pensamos especialmente nas nossas meninas. Estamos vivendo um período em que meninas negras tem grandes mulheres negras para se espelhar tanto esteticamente quanto moralmente, mas não significa que por isso devemos esquecer o papel de cada uma educação de todas as nossas meninas.
O Brasil é um país machista, misógino que mata mulheres só pelo fato de serem mulheres e um país racista que mata pessoas negras só pelo fato de serem negras então, qual o destino de nossas meninas se não forem fortes e tiverem conhecimento suficiente para superar o desafio de nascer no Brasil? 
O Mapa da Violência 2015 demonstrou o que nós já sentimos na pele à séculos: as mulheres negras morrem mais e a cada ano em maior número enquanto que mulheres brancas morrem menos e a cada ano a porcentagem de mulheres brancas mortas diminui! Mas vamos pensar, o machismo mata, o racismo mata, logo estas estatísticas fazem "todo sentido" não é mesmo? Segundo o relatório "o número de homicídios de brancas cai de 1.747 vítimas, em 2003, para 1.576, em 2013. Isso representa uma queda de 9,8% no total de homicídios do período. Já os homicídios de negras aumentam 54,2% no mesmo período, passando de 1.864 para 2.875 vítimas." 

Como parar isso?
Foto: Carolina Castro
Obviamente nós não somos as culpadas por isso e teoricamente não é nossa obrigação fazer com que parem de nos matar, mas sabemos bem que se não formos nós por nós (mulheres negras) ninguém mais será então é nossa obrigação lutar por todas nós. A importância de construir a autoestima das jovens mulheres negras também está ligada a nos fortalecer enquanto grupo e, quem sabe, isto não seja uma porta para reduzirmos a nossa vulnerabilidade a relacionamentos amorosos ou profissionais que sejam abusivos? 
Quando falamos de autoestima estamos não estamos falando somente e diretamente de aparência física ok? É possível destruir e desmotivar uma pessoa negra de várias formas como por exemplo, reforçando esteriótipos de comportamento.

As meninas negras crescem ouvindo além de todas as notas do machismo, as notas cruéis do racismo, desmerecendo nossos traços, nossos atos com base em esteriótipos racistas e por muitas vezes inclusive delimitando a altura dos sonhos de meninas negras com base em conceitos da época da escravidão. Quando criamos uma mulher acuada e com medo de ser quem é facilmente a sociedade pode torná-la novamente escrava, mas desta vez de conceitos que podem ser tão poderosos quanto correntes. Alimentar a autoestima de meninas negras encorajando-as a serem lindas e poderosas da forma que são, pode ajudar a quebrar um ciclo de marginalidade ao qual a mulher negra vem sendo obrigada a participar por anos. Que as nossas meninas possam crescer sabendo que serem mulheres e serem negras em absolutamente nada as diminui ou as prejudica muito pelo contrário, elas podem ser grandes mulheres, lindas, com profissões incríveis e que por mais que ainda seja difícil jamais será impossível para nós esta conquista.
Que tal, quando encontrar uma criança negra na rua, ou entre os seus familiares utilizar de cinco minutos do seu tempo junto com ela para dizer que ela é linda, inteligente, capaz de conquistar todos os seus sonhos e objetivos. Que ela é forte, guerreira e que descende de reis e rainhas, por este motivo o único destino que ela terá na vida é vencer, seja qual for a área que escolher trilhar! Pronto, você já plantou uma sementinha boa e incrível no coração desta menina. Lembrem-se sempre, é responsabilidade de toda uma aldeia educar uma criança, logo é responsabilidade de cada uma de nós que todas as mulheres negras cresçam empoderadas e com o poder de lutar cada dia mais por tempos melhores.

domingo, 24 de janeiro de 2016

A PERGUNTA QUE NÃO CALA: PARTO NORMAL DÓI?

janeiro 24, 2016 0
Está ai uma pergunta que nunca vai ser respondida por nenhuma mulher, nem mesmo as que já pariram, pelo simples fato de que dor e nível de dor são coisas pessoais. Só cada mulher sabe o quanto e como a dor vai afetá-la por isso, é difícil tentar supor como será a sua dor pelo relato de dor da outra. Não tem muito a ver apenas com resistência a dor, parto não é uma prova ou uma disputa de quem resiste mais, parto tem mais a ver com entrega e sentimento de segurança. Ao longo do texto você irá entender melhor toda esta história!
O parto começa muito antes das contrações e todo aquele turbilhão de harmônios que culminam no nascimento do bebê, o parto começa quando você entende que estudo é totalmente importante para escolhas conscientes. Estudar é a parte mais importante do enxoval do bebê, já que você pode abrir mão de todos os luxos (bebês precisam de mamá, fraldas e colo de mãe essencialmente) mas não pode abrir mão de conhecer tudo aquilo que é e o que não é necessário para o momento da chegada do bebê. Quando uma parturiente está bem informada de tudo que está acontecendo e todos os procedimentos que serão ou poderão ser feitos é natural que as coisas fluam com mais facilidade, afinal, este momento já é desconhecido e se juntarmos à ele a ignorância à respeito do processo  o medo pode aumentar. Nós somos animais e como qualquer animal, com medo ou desconfortáveis nós não conseguimos nos entregar ao natural, assim como qualquer fêmea precisamos de paz, tranquilidade para que nosso corpo trabalhe e voltamos a informação ser essencial afinal, ninguém vai se sentir segura sem ter o mínimo de ideia do que está ou pode acontecer.
É importante dizer que NÃO DÁ PARA PREVER TODOS OS PASSOS DO SEU PARTO, a informação a qual me refiro é quanto ao que TEORICAMENTE vai acontecer porque o roteiro mesmo a gente só descobre na hora 'P'. É importante estarmos cientes por exemplo de que é LEI que as parturientes tenham um acompanhante de SUA LIVRE escolha durante o pré-parto, parto e pós-parto imediato, 24 horas durante todo o período de internação, isto é lei, não é bondade do hospital e é fundamental para que a parturiente fique mais tranquila passando pelo momento da dor com mais serenidade.

LEI Nº 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005

O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
        Art. 1o O Título II "Do Sistema Único de Saúde" da Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, passa a vigorar acrescido do seguinte Capítulo VII "Do Subsistema de Acompanhamento durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato", e dos arts. 19-J e 19-L:
CAPÍTULO VII
DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DURANTE O
TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS-PARTO IMEDIATO
Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde - SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.
§ 1o O acompanhante de que trata o caput deste artigo será indicado pela parturiente.
§ 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno exercício dos direitos de que trata este artigo constarão do regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão competente do Poder Executivo.
Art. 19-L. (VETADO) 
        Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
        Brasília, 7 de abril de 2005; 184o da Independência e 117o da República.
JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVALuiz Paulo Teles Ferreira BarretoHumberto Sérgio Costa Lima

Contração dói? Dói, mas passa! A contração não dói o tempo todo do trabalho de parto como mostram nas novelas, existem trabalhos de parto algumas mulheres conseguem até dormir entre uma e outra, tudo vai depender do nível de relaxamento da parturiente. A dor vem, dóooooi e passa. Se eu puder dar um conselho é SE MOVIMENTE durante as contrações, porque para o meu corpo doía muito mais se eu estivesse deitada ou quietinha. No meu caso, funcionou a dica de andar, me movimentar e chuveiro, MUITO CHUVEIRO. Lembro que no meu trabalho de parto eu brinquei com as enfermeiras que sairia do chuveiro branca de tanto ficar debaixo d'água, a água quente na lombar assim como massagens podem ajudar E MUITO no alívio da dor. E é alívio mesmo, principalmente tendo consciência de que a dor vem e vai!
Acompanhante faz diferença? Toda a diferença do mundo! É importante ter do seu lado alguém que lhe lembre o quanto você é poderosa, o quanto você estudou e se empoderou para àquele momento, às vezes a gente esquece porque a partolândia é bem louca! Existem também às doulas (doula não substitui acompanhante e vice-versa - doula não é acompanhante) que são mulheres com formação e preparação para estarem do seu lado, oferecendo conforto físico, emocional, principalmente te lembrando que tudo àquilo é um processo natural e que você vai chegar ao final dele com sucesso.
É importante (sempre que possível) escolher uma equipe ou hospital que vão lhe apoiar e não te desencorajar de um parto natural / normal porque quem faz o parto É A MULHER mas a equipe pode sim prejudicar ou ajudar muito neste processo. E falo isto totalmente ciente de que algumas de nós não tem o mínimo poder de escolha, então vamos investir nos itens anteriores!
Então, no final das contas, parto normal/natural dói?
Dói mas depende muito de você também se esta será uma dor boa ou ruim. Dor é geralmente associado à acontecimentos trágicos ou malditos e no parto, a dor é boa, o desfecho é um filho que na maior parte das situações é um presente esperado e desejado. A dor do parto é até gostosa quando você entende da fisiologia do seu corpo, como as coisas funcionam e principalmente cada contração é uma onda a menos para a chegada do bebê! Estar entregue, se sentir segura, ter companhia (e se possível uma doula), se sentir dona do processo faz toda a diferença e torna aquela história de "sensação de dor" que eu expliquei no começo do texto ser muito melhor e o trabalho de parto ser algo mais suave. Informação é um excelente analgésico/anestésico no parto! 
É sempre muito bom  ter vocês por aqui, voltem sempre ao blog. Abraço e até o próximo post.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

GESTAR E PARIR: A MINHA EXPERIÊNCIA COM O PARTO NORMAL

janeiro 06, 2016 0
Foto: Ariane Realino



O que me tornou ativista certamente foi a minha gestação. Até eu ficar grávida sempre achei que algumas questões eram "tanto fez tanto faz". Apesar de eu ter nascido com um senso de justiça imenso, causas sociais nunca haviam me seduzido a ponto de fazer tirar a bunda da cadeira pelos meus ideais. A gestação me fez entender que eu precisava sim me movimentar para mudanças e mesmo que aquelas mudanças não fossem somente para mim ou que eu não pudesse usufruir delas imediatamente, pessoas importantes para mim poderiam colher os frutos da minha luta, como meu filho, por exemplo. 
Em 2012 eu entrei de cabeça nos estudos para entender o que poderia ser melhor para os caminhos da minha maternagem e lembro de ter ouvido que a maternidade e o parto começam entre os seus ouvidos, dentro da cabeça. Gestar é mais do que esperar, é estudar muito, quase que sem parar para que as informações sejam absorvidas e processadas. É claro que como leiga, nós entendemos bem menos do que profissionais formados para isso, mas acreditem, muitas vezes aquilo que muitos dos tais profissionais sabem e transmitem já está ultrapassado a muito tempo. A base para qualquer questionamento é a informação e então fui atrás dela feito louca durante a minha gestação, quanto mais se informa mais se questiona e consequentemente mais se empodera, foi ai que começou a minha jornada.
Nas primeiras semanas da minha gravidez (depois de descobrir com 11 semanas, rs) eu estava apavorada com a possibilidade de um parto normal, porque cresci acreditando que parto normal era sinônimo de sofrimento, uma espécie de castigo para a mulher por ter comido a maçã e transformado o paraíso nisto que vivemos hoje, mas enfim, essas eram as informações que eu tinha sobre o parto "normal" e eu simplesmente tinha pavor disto ter que acontecer comigo, mas sem plano de saúde eu não tinha muitas opções: ou pagava por uma cesária eletiva ou recorria a um parto traumático na rede pública. Indo atrás de alternativas, descobri que poderia haver uma terceira opção para o nascimento do meu filho: um parto digno, humano e respeitoso.
Parto humanizado tem sido pauta constante no mundo virtual, virou filme, virou "moda" entre as famosas e o assunto tem sido bastante comentado. Mas, como trazer a realidade maravilhosa do mundo de quem tem dinheiro para humanizar, à uma mulher negra de periferia, mãe fora de um relacionamento e sem emprego? Mais um motivo para eu correr atrás de me empoderar. No parto também não existe meritocracia: não basta querer um parto humanizado para ter um tratamento humano, precisa muito trabalho e uma dose de privilégio social. Na situação de parto as mulheres negras são mais uma vez prejudicadas, os dados sobre violência obstétrica no Brasil gritam que as mulheres negras morrem mais, sofrem mais e tem menos acesso a tratamentos dignos então para nós o buraco realmente é mais embaixo.
Devorando livros, jornais, reportagens e absorvendo o máximo dos grupos de apoio virtual ao parto normal, foi assim que passei a gestação inteira.
Entendendo sobre os procedimentos obsoletos que ainda são aplicados na obstetrícia atual, sobre os processos com o RN que não são recomendados pela OMS mas o Brasil insiste em praticar.. Enfim... Estudar, Estudar e esperar! Em meio as pesquisas encontrei o site da Doutora Melânia Amorim, uma obstetra humanizada do nordeste do Brasil que trabalha exclusivamente no SUS e ainda encontra tempo para informar ao público leigo muitas coisas sobre parto e desvendar muitos mitos que nós ainda sustentamos na nossa sociedade. Falsas indicações de cesarianas e desculpas que o sistema de saúde inventa para que as mulheres acreditem cada vez menos nos seus corpos. Com raras exceções o parto natural é sempre o melhor para mãe/bebê, infelizmente o nosso país é campeão em cirurgias cesarianas e nossos bebês tem nascido cada vez menos.
A consequência de se informar é o empoderamento, consequência quase imediata, muito mas muito maravilhosa e o empoderamento leva a escolhas conscientes. Isso quer dizer que toda mulher empoderada vai parir? Não! Quer dizer que toda mulher empoderada vai tomar decisões conscientes dos riscos e estar disposta à assumí-los. A mulher empoderada pode sim escolher uma cirurgia cesariana eletiva mas se o fizer, fará totalmente sabida de que está aumentando em mais de oito vezes os riscos de morte para ela e o seu filho. Se ela sabe de tudo isso e mesmo assim escolhe esta forma para à chegada do seu filho ao mundo, ela está tomando as rédias da própria vida e se responsabilizando por isto. 
Eu escolhi o parto natural depois de muita informação absorvida e estudada. Não me senti mais obrigada a parir empurrada pelo sistema publico de saúde e com certeza essa foi a melhor escolha que eu poderia ter feito para o meu filho e para mim. Mas o melhor desfecho para mãe e o bebê é aquele que acontece no decorrer do trabalho de parto, no meu caso o parto natural passou a ser um parto normal induzido e igualmente lindo, costumo dizer que é o melhor parto que meu filho e eu poderíamos ter. Mas o relato do meu parto vai ficar para outro post, pois este já vai se alongando mais do que deveria.
O que me trouxe a descobrir que minhas atitudes podem sim mudar o mundo , que devemos sim nos empoderar, ter conhecimento para lutar foi o mundo do parto. Por um tempo eu virei a "chata do parto normal", aquela que as pessoas tinham até medo de tocar no assunto, porque já imaginavam que iam se tornar textão mas o conhecimento nos ensina inclusive a calar na hora mais adequada e conforme a experiência vai se alongando mais sensatos ficamos nisto. O parto, de fato começa entre os ouvidos dentro da cabeça e o conhecimento é que empodera. Portanto, mães negras, estejamos cientes dos dados que provam o quanto somos prejudicadas pelo racismo institucional mas precisamos ainda mais ter ciência também de como podemos lutar para que isso mude. E o principal, depois de adquirir conhecimento é importante descobrir como usar ele para ajudar outras mulheres negras a terem um bom desfecho, como eu por exemplo.
Fiquem a vontade para deixar dúvidas ou contar suas experiências nos comentários e logo logo falaremos mais sobre parto e maternagem aqui no blog. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

ENTENDAM UMA COISA: MÃE NÃO É ESTADO CÍVIL

janeiro 04, 2016 0
Foto: Ariane Realino
Sou uma mulher negra de 24 (quase 25) anos, designer por formação, blogueira por (falta de) opção, trabalhadora por vocação e barraqueira por forçação de barrada sociedade mas também sou mãe e essa com certeza é uma das minhas qualidades que eu mais me orgulho: SER MÃE! 
Se tornar mãe é realmente MUITO difícil, saber que você é a responsável pela formação do caráter de alguém, em especial no caso de ser mãe de menino (que é o meu caso) é extremamente angustiante afinal, a nossa sociedade adora o "é culpa da mãe" ou "a sua mãe não te deu educação?". Portanto, ser mãe é assustador ao passo que você entende que a responsabilidade sobre o que àquele pequeno ser humano irá se tornar é TODA SUA. Mas, como não dá para ser fácil ainda existe um agravante, a sociedade quer me enfiar o maldito rótulo de "mãe solteira" e espero que vocês entendam que MÃE NÃO É ESTADO CIVIL ok? O compromisso de mães e filhos é algo muito diferente de um compromisso matrimonial por exemplo, portanto não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas vivendo numa sociedade patriarcal machista até os ossos eu já perdi as contas de quantas vezes tive que ouvir coisas do tipo "mas e você casou?", "e o pai, mora com você?", "mas então você é mãe solteira?"... O que isso muda na vida das pessoas? Nada! ABSOLUTAMENTE NADA! Mas como a culpa é sempre da mulher não é mesmo? Bora colocar uma dose de culpa nesta tarefa que apesar de maravilhosa é extremamente amedrontadora!

Foto: Ariane Realino

Coisas precisam ser ditas e as pessoas precisam abrir bem os seus ouvidos e mentes para conseguirem entender:

- Uma mulher que é mãe e não tem um marido/companheiro não está sempre procurando por um marido;
- Uma mulher que é mãe e não tem um marido/companheiro ou apoio do pai biológico da criança, não está necessariamente procurando um pai substituto;
- O fato de uma mulher ser mãe e não ter um marido/companheiro não faz dela uma transa fácil e garantida;
- Uma mulher que é mãe mas não é casada, não vê o marido das amigas / conhecidas como objetivos a serem atingidos;
- Uma mulher que é mãe e não tem um marido/companheiro, não vê necessariamente na pensão dos filhos a fonte inesgotável de renda. Acreditem, às vezes a pensão não dá sequer para despesa dos filhos;
- Uma mulher solteira tem o direito de sair, passear, beijar, transar, conhecer pessoas normalmente. Isso não muda se ela é ou não mãe (desde que isso não afete a segurança de seus filhos);
- Uma mulher solteira, com filhos e sem marido não vê em qualquer casal com filhos o seu objetivo de vida, parem de propôr soluções para a mãe sem marido.
A sociedade pautada no machismo em que nós vivemos, santifica as gestantes e não deixa que as grávidas solteiras vivam, afinal elas estão carregando um bebê e depois demoniza as mães que não tem um parceiro / companheiro / marido porque à partir do momento que nós tornarmos mães a nossa vida como seres humanos parece ter sido esquecida não é mesmo?
"Mãe solteira não sai, mãe solteira não beija, mãe solteira não ama, mãe solteira não transa.
Apenas entendam que nós ainda somos seres humanos e que por mais que queiram nos prender numa lacuna da sociedade onde farão nos sentir estranhas e culpadas, nós hoje estamos mais conscientes de que não é errado criar um filho sozinha, dar amor, educação, carinho e ainda assim ser mulher, ter vontades, amizades, desejos. Errado é não fazer o papel de pai! Nós fazemos o papel que nos compete e saibam que não nos envergonhamos em nenhum momento de fazer todos os papéis: mães, mulheres solteiras e seres humanos!

Gratidão a minha amiga Fernanda, que escreveu um texto maravilhoso na página Artemis e disparou o gatilho para este post desabafo! <3 

sábado, 19 de dezembro de 2015

QUAL A MINHA MOTIVAÇÃO PARA ASSUMIR O CABELO NATURAL?

dezembro 19, 2015 1
Esta pergunta tem sido frequente na minha vida desde que assumi os meus cabelos e não tenho problema nenhuma em respondê-la pelo contrário, adoro contar a minha história capilar que na maioria das vezes serve para encorajar a outras mulheres negras e crespas, fazendo-as acreditar que é possível sim ser feliz com os nossos cabelos naturais e livres!
Eu já contei para vocês aqui no blog que alisei os meus cabelos por doze anos. O primeiro relaxamento foi por volta dos dez anos com um produto considerado "fraquinho", diluído em creme de hidratação e só para "abaixar o volume". Há quatorze anos atrás, cabelo crespo era considerado desleixo e não era possível a menina sair com "aquele cabelo" na rua ou do contrário, o que as pessoas iriam pensar não é mesmo? Pois do relaxamento fraquinho eu parti para o relaxamento de fato, depois o alisamento e por fim (quase fim mesmo do meu cabelo) o alisamento com progressiva a base de formol! O meu cabelo é CRESPO, vai do 3C ao B e era realmente impossível encontrar um produto que de fato deixasse o meu cabelo "liso" por isso ele sempre deixou evidente que ele era "alisado", não passava nem perto da aparência natural. Depois de muitos produtos fortes, alergias a formol, caspas, cortes químicos e quebras um dia decidi colocar um megahair porque eu realmente NÃO TINHA MAIS CABELO, era colocar a mão e ele simplesmente se soltava da raiz ou quebrava. Fiquei dois anos no total usando alongamento até que caiu a ficha: "eu estou pagando para alisar o meu cabelo e colocar um cabelo cacheado, qual é o meu problema?". Nunca havia me feito esta pergunta sinceramente e menos ainda havia parado para pensar que eu estava pagando rios de dinheiro para fazer o que a natureza já havia me abençoado de graça, risos. O bichinho da economia me mordeu e eu resolvi parar com as químicas mas eu não conseguiria ainda tirar o megahair porque meu cabelo destruído até então não estava "socialmente apresentável". 
Estamos acostumados a ver na tv ganhando cada dia mais espaço, os cachos não é mesmo? Mas eu não tinha certeza se tinha cachos (e de fato não tenho os cachos 3A que todo mundo quer ter) e ainda estava meio insegura em assumir os meus próprios cabelos. 

O que no começo era só vontade de economizar dinheiro com relaxamento, passou a ser vontade de parar de gastar com alongamento e por fim virou vontade de abandonar todas as imposições da sociedade. Um dia você para e se pergunta: "Porque é que eu estou alisando os meus cabelos?" ou "Porque é que eu passo tanto tempo tentando me encaixar numa coisa que eu não sou?". E essa foi a tacada final para que eu decidisse de vez que não deveria mais buscar me encaixar!
A decisão de entrar em transição é única e exclusiva da mulher, não adianta a amiga, a vizinha, a cunhada, a tia ou a prima tentarem enfiar goela abaixo que não vai. Cabe a própria mulher se conhecer, se amar e decidir se desprender de todo o padrão que temos imposto hoje em dia. O que não quer dizer que seja fácil nem obrigatório. Esta porta só abre pelo lado de dentro mas todo mundo precisa de um abraço para vir aqui pra fora. 
Agora me conta, qual foi o seu motivo para assumir o seu cabelo natural? Espero que tenham curtido este post e que ele sirva para incentivar quem ainda está com aquele pezinho na indecisão. Abraços, até a próxima!

domingo, 1 de novembro de 2015

A UNIÃO DAS MULHERES PRETAS

novembro 01, 2015 0

O post de hoje se faz necessário por uma coisa que vejo todos os dias, me incomoda demais e talvez incomode a outras pessoas que ainda não escreveram sobre o assunto. A sociedade da qual fazemos parte ensinou para as mulheres de forma geral que via de regra nós somos "azinimigas", outra mulher será sempre rival, a adversária, aquela com quem você vai disputar desde a sua própria aparência até homens mas de forma alguma é culpa nossa reproduzir esse comportamento ok? Quem nunca se sentiu "provocada" por uma mulher "mais bonita" em algum momento da vida? Pois é isso, fomos condicionadas a acreditar que não devemos confiar em outras mulheres pois elas são sempre as histéricas, loucas, falsas que estão sempre prontas para dar o bote. Ou pior, a outra mulher é sempre a "p*ta oferecida" que vai "roubar" o seu precioso homem de você. 



Mais recentemente tem surgido várias "rixas" entre as mulheres negras: alisada x cacheada, transinete x cacheada/crespa, crespa x cacheada e por ai vai... Precisamos observar isso com um foco crítico: quem ganha com isto

Já pararam para pensar que pode ser qualquer pessoa, menos a mulher negra?
A única pessoa que poderia ter uma vivência parecida com a sua e talvez, lhe mostrar um novo ponto de vista você afasta e outra pessoa que não tem nenhuma ligação com o seu histórico social, você atraí e por vezes defende em detrimento a uma irmã da mesma cor! Espera aí, isso está certo? 

Precisamos nos unir e enxergar a situação além daquilo que o sistema nos ensinou desde o principio, mulheres negras unidas podem conquistar o mundo, pensem nisto!
Permaneçamos juntas e até o próximo post!


terça-feira, 27 de outubro de 2015

QUE TAL ENEGRECER O OUTUBRO ROSA?

outubro 27, 2015 2


O mês de outubro é marcado por ações em todas as áreas afim de alertar e conscientizar as mulheres sobre a importância do autoexame e a detecção precoce do câncer de mama. Desde 1980 o câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres no Brasil, em 2014 foram 57.120 casos diagnosticados. Se elevarmos esta discussão e analisarmos os dados de acordo com a divisão social e racial no Brasil as diferenças no trato e no acesso ao diagnóstico e tratamento são gritantes no grupo que abrange as mulheres negras.
Então o post de hoje é rápido e com objetivo explicito AJUDAR A INFORMAR!

Os fatores de risco


Pesquisadores trabalham há décadas para tentar identificar os principais fatores de risco para o câncer de mama feminino mas ainda há uma margem muito grande de motivos que podem ser atribuídos os casos de câncer de mama:

Ser do sexo feminino já aumenta os riscos, 99% dos casos de câncer de mama diagnosticados todos os anos no Brasil são em mulheres.

A idade também é considerada fator determinante e de peso pelos médicos. 80% das pacientes tem mais de 50 anos de idade em contrapartida, apenas 5% dos casos tem mulheres com menos de 30 anos como afetadas.

Parentes em primeiro grau com ocorrência(s) de câncer fazem você ser considerada do grupo de alto risco.

Outros fatores podem aumentar a chance da mulher apresentar câncer de mama ao longo da vida, como exposição prolongada a radiação, terapia de reposição hormonal (quanto mais tempo exposta a terapia, maiores as chances), obesidade, tabagismo, consumo de álcool e uso de anticoncepcional por tempo prolongado. Os dados demonstram também que mulheres negras tem maior chance de desenvolverem câncer de mama antes dos 40 anos de idade, do que as mulheres brancas

Alguns fatores também reduzem os ricos como, nascer na Ásia ou na África, praticar regularmente atividades físicas, cada ano de amamentação reduz entre 3 e 4% a probabilidade e um número maior de gestações.

E o autoexame, você já sabe realizar? 



Se informar e informar as mulheres ao seu redor é muito importante tanto quanto realizar o autoexame. A descoberta precoce aumenta em muito as chances de cura do câncer! Vamos ficar atentas e cuidar umas das outras, afinal, somos nós por nós!


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MULHER NEGRA: A CONSTRUÇÃO A AUTOESTIMA

outubro 22, 2015 0

Oi mulheres, tudo bem com vocês? É sempre ótimo ter cada uma de volta ao blog e receber o retorno das manas de que estou fazendo um bom trabalho! O assunto de hoje é especial e delicado mas que precisa ser discutido sempre e a cada dia para que isso seja natural nas próximas gerações de mulheres negras.
As pretas da minha geração cresceram ouvindo muitas piadinhas racistas que massacraram a nossa autoestima, comentários sem nenhuma razão de serem engraçados ou normais mas que, por vivermos numa sociedade naturalmente racista, foram normalizados e colocados como algo que deveríamos ser consideradas culpadas. Ficou instituído então que a mulher negra não poderia ser considerada bonita, não dentro dos padrões eurocêntricos da sociedade brasileira, assim quando vinham os elogios eram sempre dizendo "Nossa como você é uma negra bonita!", sempre ressaltando que é incomum ou como eles gostam de dizer "exótico", uma mulher negra ser bonita. 
A construção da autoestima da mulher negra tem importância além daquilo que vemos no espelho, atualmente mais de 60% das vítimas de violência doméstica são mulheres negras, sabemos que uma mulher que é manipulada pelo seu agressor geralmente além da violência física sofre de violência psicológica e o agressor tem como arma o racismo aliado ao machismo. Usa dos nossos traços ou características para ferir e dar a mulher negra a sensação de que a estética dela é completamente rejeitada pela sociedade logo, ele pode ser considerado um salvador por "aceitar" aquela mulher cujo a estética é desprezada por muitos.
Por muitas vezes, nós mulheres negras não acreditamos na nossa beleza exterior exatamente por todo este "trabalho bem feito" da sociedade em tornar desprezível todos os nossos traços. Quantas vezes vocês já ouviram alguém dizer que não gosta do próprio nariz, ou o quadril, ou os lábios grossos? São todas características da nossa raça que fomos sistematicamente ensinadas a achar visualmente "feias". Quanto mais escura a pele, mais a dificuldade em ser considerada beleza padrão e é isto que precisamos nos esforçar para mudar, principalmente em relação as nossas crianças!

Rainha do Mundo, Lupita! Ressignificando a beleza da mulher preta!
A Gabi Oliveira do Canal DePretas tem um vídeo ótimo sobre O QUE NÃO DIZER QUANDO NASCE UMA CRIANÇA NEGRA e é bem útil, porque realmente é um excelente ponto para começar a tratar, desconstruir e desenvolver em nós!
Precisamos trabalhar em conjunto para o fortalecimento da nossa autoestima individual e de todas as irmãs, só assim conseguiremos transmitir isso as próximas gerações de mulheres negras! 
Voltem sempre ao blog. Beijos e até o próximo post!


quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUEM É MAKOTA VALDINA?

julho 30, 2015 2
Valdina Pinto, é uma mulher negra, professora, líder comunitária e religiosa, marcada pela fé e pela luta por dignidade de todos os brasileiros afro-descendentes, especialmente das mulheres negras . Ela foi contada no vídeo-documentário “MakotaValdina: Um jeito negro de ser e viver” (vale muito assistir a este documentário, são dezenove minutos que enriquecem e muito nosso repertório) um dos vencedores do Primeiro Prêmio Palmares de Comunicação – Programas de Rádio e Vídeo, realizado no ano de 2005. Nascida, criada e sempre moradora do Engenho Velho da Federação, bairro de Salvador onde se registra a maior concentração de Terreiros de Candomblé, ela é reconhecida como educadora, religiosa, ambientalista e militante negra. No ano de 2005, foi proclamada “Mestra de Saberes” pela Prefeitura Municipal de Salvador. 

Como educadora e Makota de terreiro, Valdina vem lutando desde a década de 1970 contra a intolerância, principalmente a religiosa. Ela se posiciona na sociedade como militante e fez questão de impulsionar as mudanças na própria religião. Como ela diz, "é preciso ser sujeito dessa história e não objeto". Sobre a visão da vida, comunidade e religião, Makota acredita que nada vive em separado. Tudo para ela é uma relação única. Uma das lutas da educadora é que o Candomblé precisa ser mais respeitado no Brasil.


"A nossa negritude sempre foi exportada como algo mágico, como algo folclórico e não como a cultura de um povo. Mesmo porque nós ainda lutamos contra racismo, preconceito e discriminação. Quando me tornei uma ativista e que comecei a falar de uma outra maneira, mostrando o candomblé, mostrando o sujeito de quem vive, eu me dei conta que nós éramos objeto de pesquisa, alguém falava sobre nós. Então foi intencional empunhar essa bandeira religiosa para desconstruir uma série de estereótipos e teorias desenvolvidas sobre nós e que eu considero ainda inverdades. 
É preciso que cada vez mais sejamos sujeitos de nossa fala, nossa escrita, de nossa história. É preciso parar de ser objeto. É preciso dar essa voz, dar esse espaço. Nesse ponto eu acho importante o fato da Flica me convidar, porque eu acho importante eles me darem um espaço para poder falar sobre isso, além de estar em uma mesa junto com Pepetela e, por meio dessa oportunidade, desconstruir essa imagem"
Em entrevista a Revista Palmares Valdina contou da sua vida, da sua trajetória de empoderamento do povo negro e suas lutas para nossa valorização, o link para download da publicação ESTÁ AQUI e todos podem baixar e ler na íntegra além das partes que eu achei importante destacar abaixo

Revista Palmares: Você se considera uma “sábia negra”? Não, eu me considero uma aprendiz. Dizem que eu sou uma sábia. Na semana passada, fui homenageada com uma placa como mestra de saberes populares. Então eu digo: a negra que eu sou, o ser humano que eu sou, sou porque aprendi com os meus mestres. Meus primeiros mestres foram meus pais. Meus segundos mestres foram os outros negros da comunidade do Engenho Velho da Federação. Na primeira escola que estudei, minha primeira professora escrevia as letras e os números em uma pequena pedra, uma lousa apoiada em madeira. Meu lápis era também feito de pedra. Aqueles negros, aquelas negras, mulheres e homens da comunidade onde nasci, cresci e moro até hoje, foram os meus primeiros mestres. Naquele tempo a família era extensa. A comunidade era uma família. E ali a gente ensinava o que aprendia. Toda criança era responsabilidade de todo adulto. A gente aprendia dentro de casa a fazer as coisas, a cuidar da casa, a cuidar de outros. Como era a terceira filha e a mais velha das mulheres, aprendi também a ter cuidado com outros e com as crianças. A sabedoria que tenho hoje é que me foi passada por eles.

Revista Palmares: Quando a percepção das diferenças sociais e da discriminação foi sentida por vocês? Naquela época todo mundo era igual. Essa situação começou a mudar a partir da década de 70, quando aquele grupo começou a ver lá fora o outro. A gente vivia aquele mundo dali, onde todos eram iguais. Quando começou a chegar o progresso, o “Mata Maroto” passou a não ser mais Mata Maroto, e sim “Cardeal da Silva”. O asfalto chegou ali. A Horta dos Padres já começava a deixar de ser Seminário e passou a se transformar no que é hoje a Faculdade Católica. O Quebra Laço, onde hoje é a Escola Via Magia, onde a gente tirava mato para enfeitar a casa no final de ano, passou a ser desmatado. Foi uma fase em que Salvador começou a inchar e o Engenho Velho começou a ter uma outra cara. Também no início dos anos 70, chegou a televisão, começou a chegar uma invasão de outros jeitos, de outras formas de vida. Neste momento surgiu o Ilê e o Movimento Negro. De um lado a gente encontrava uma forma de se expressar, juntamente com outros grupos que tinham o nosso mesmo jeito de viver, como os grupos lá do Curuzú. Por outro lado, vinham também informações de como a gente vi- via e de como éramos vistos. Até aí, achávamos que tudo estava legal, que esse era o nosso mundo. Começaram então a chegar informações de que existia um outro mundo e que você não era parte dele. Aí é que começou uma tomada de consciência.Em 1970, as coisas que eu vivenciava não eram questionadas. Em relação a mim mesma acontecia algo muito importante. Em 1970, fui convidada a ensinar Português para um grupo de voluntários, naquela época no Grupo Voluntários da Paz. Até aí eu não tinha noção de que o jeito como nós vivíamos era objeto de estudo, que tinha valor para alguém. Porque eu simplesmente vivia aquilo.  
"Nunca deixei de ser a educadora que sempre fui. Luto até hoje e até o final da minha vida, enquanto eu tiver força e enquanto eu tiver motivo por lutar, eu lutarei. Por Justiça, igualdade, paz e pela liberdade".



Fontes: PORTAL G1  | REVISTA PALMARES  

sexta-feira, 17 de julho de 2015

AS PESSOAS NEGRAS E SUAS REFERÊNCIAS: REPRESENTATIVIDADE PARA QUEM?

julho 17, 2015 2
Sim, eu sou a louca da representatividade. Sou a louca que sai procurando negros em novela, filme, seriado, desenho animado, revista, livro, roupa, blogs... em tudo, porque isso importa e muito, além de criar no nosso imaginário uma outra posição para pessoas negras, que comumente são colocadas em posições de subordinação nas suas representações.
Quando eu era criança a maior representação negra que havia na TV eram as empregadas e os escravos, daí em diante foram surgindo as prostitutas, as amantes e qualquer negro que tenha crescido na década de 90 pode confirmar isso, foram tempos difíceis para nós.


Em 2000/2001 surgiu o Super Choque, personagem principal que ele não era ajudante de ninguém, não era capacho de ninguém. Super-herói negro, com família negra, poderoso, "dava choque", eu achava o máximo e realmente naquela época isso era o máximo. Por isso hoje eu considero tão importante valorizar e expor aqueles que nos representam de forma positiva. Então, hoje, quem anda nos representando na mídia?


Karoline dos Santos Oliveira nasceu em Curitiba em janeiro de 1987, mais conhecida como Karol Conka, é uma rapper compositora brasileira. Considerada uma das principais representantes do Rap feminino dos últimos tempos no país, sendo indicada a "Aposta" no VMB 2011. Começou sua carreira em um concurso escolar, até gravar sua primeira música demo, colocando suas canções em seu myspace oficial e mais tarde fazendo uma parceria com o rapper Projota, na canção "Não Falem!". Outra música que eu amo da Karol é a “Tombei”, o clipe é um tapa bem dado na cara da sociedade, rs!

Música “Preta” – Vítor Delatorvi e Marvin Pires, Conheci os meninos por causa dessa música M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A que alguém me apresentou num grupo do facebook! A música é linda, exalta a nossa estética, nossa beleza, a valorização dos nossos traços, tudo de bom! E quando conheci melhor o Vítor Hugo trocamos uma ideia bem legal no Encrespa Geral BH e eu fiquei ainda mais apaixonada com os projetos e ideais desse rapaz. Vale muito a pena conhecer esse trabalho!


Cada um na sua casa, a sinopse do filme: “O planeta Terra foi invadido por seres extra-terrestres, os Boov, que estão em busca de um novo planeta para chamar de lar. Eles convivem com os humanos pacificamente, que não sabem de sua existência. Entretanto, um dia a jovem adolescente Tip (Rihanna) encontra o alien Oh (Jim Parsons), que foi banido pelos Boov devido às várias trapalhadas causadas por ele. Os dois logo embarcam em uma aventura onde aprendem bastante sobre as relações intergalácticas.” Trailler do Filme. Um filme super fofo que eu levei meu filho para assistir SÓ PORQUE A PERSONAGEM PRINCIPAL É NEGRA. Sim, foi só por isso! Mas o filme é ótimo e muito divertido para as crianças, eu inclusive consegui me emocionar!

Representatividade importa sim, faz diferença sim! Para que nossas crianças pretas cresçam sabendo que nós podemos estar em todos os lugares que quisermos!

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