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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

NÃO É PORQUE EU GOSTO DE MULHER QUE EU VOU DAR EM CIMA DE VOCÊ

janeiro 15, 2020 0
Precisamos falar sobre a autoestima elevada da mulher hétero.


Guardadas as devidas proporções reservadas às mulheres negras e as não negras, numa sociedade racista que joga nossa autoestima no lixo cotidianamente, ainda assim é necessário falar da autoestima hétero. E falo aqui de um lugar muito específico: a mulher que se declarava heterossexual e representava muito bem este estereótipo.

A culpa disso, acredito eu, é de pensarmos todas as relações como pensamos as relações entre a masculinidade tóxica e as mulheres. Mas, mulheres se amam — geralmente — não se comportam como predadoras. 

Nós geralmente somos criadas dentro da heteronormatividade compulsória. Nasceu menina, vai usar rosa, usar vestido e, claro, gostar de meninos. Não consideramos as variantes do gênero muito menos a diversidade sexual quando nasce uma menina. E é nesse padrão que somos criadas. Quem nunca ouviu na infância que se um menino era agressivo com você era porque ele gostava de você? Eu ouvi muito! Lembro da minha primeira experiência com o gostar violento dos meninos, eu tinha uns 10 anos e aprendi que se aquele menino me agredia era o jeito dele demonstrar amor. E é dentro desta lógica de heteronormatividade violenta e agressiva que muitas de nós cresceram. Logo, é comum que projetemos este modelo de relação em qualquer ser humano que se relacione com mulheres. Mas, acredite, eu tô aqui para te contar que não é sempre assim!

E pasme, isso ocorre não porque mulheres sejam seres sagrados e perfeitos, incapazes de serem abusivas. Somos, podemos ser se não cuidarmos. Mas, não é a regra. 

Homens heterossexuais geralmente não gostam de mulheres. Aceite. Repudiam nosso cheiro, nossa forma, nossos traços físicos — e se eu entrar na seara de ser uma mulher negra, piora — e nosso intelecto. Homens geralmente não leem mulheres, não ouvem mulheres, não conversam com mulheres sem intenção sexual e são capazes de jurar que gostam de mulher. "Mano, não gosta, teu amor você guarda pros teus brothers da bunda cabeluda!"

E quando somos criadas dentro dessa lógica insana de violência e repulsa para com mulheres tendemos a acreditar que só existe essa maneira predatória de lidar e se relacionar. Mas, para a nossa felicidade, existem outras.

A VIOLÊNCIA E O COMPORTAMENTO PREDATÓRIO NÃO SÃO AS ÚNICAS MANEIRAS DE AMAR MULHERES. E quando a gente entende isso fica fácil entender outra coisa: NÃO É PORQUE EU GOSTO DE MULHER QUE EU VOU DAR EM CIMA DE VOCÊ, SÓ PORQUE VOCÊ É MULHER!

Acostumadas com a lógica predatória da masculinidade tóxica para com as mulheres heterossexuais elas aplicam à nós mulheres que gostam de mulheres — e muito, graças a Deus — a mesma lógica violenta e predatória da maioria dos homens. Mas, mais uma vez, não é assim que a banda toca.

Aliás este texto, como você já deve ter percebido, é sobre várias coisas que você achou que eram mas na verdade não são. Mulheres que gostam de mulheres não são homens. Homens são homens, mulheres são outro patamar. E, antes que você ache que mulheres são perfeitas, volte algumas linhas neste texto e entenda, a função de tudo isto não é romantizar relações entre mulheres — que podem também ser abusivas.

Quando uma mulher gosta sexualmente de outras mulheres isto não significa que ela enxerga todas as mulheres do mundo como um pedaço de carne pronto para ser comido. Essa é uma lógica machista,  patriarcal e, por mais que algumas mulheres possam sim reproduzir esta lógica, essa é a forma como a masculinidade violenta se organiza e o princípio básico para que você seja a base disso é ser homem. Claro que existem outras formas de viver a masculinidade e vários homens tem se proposto a discutir isso mas está muito mais provável que mulheres façam diferente — por princípio, já que não são homens — do que os próprios. 

Isso quer dizer que não é a regra que mulheres saim por ai querendo meter os seus dedos em todo o buraco só para provar que são comedoras. Não é a regra que mulheres vejam todas as outras mulheres como seu lugar de masturbação, apenas um buraco para satisfazer seus prazeres sexuais. 

Um parênteses aqui, pretendo logo escrever um texto sobre a não romantização das  relações entre mulheres, a gente pode querer só sexo algumas vezes e TÁ TUDO BEM, VIU, MIGA? Mas fica para outra hora.

Entender sobre consentimentos, sobre respeitar espaços, sobre conseguir ouvir o que o outro ser humano está dizendo pode não parecer difícil, mas numa sociedade machista ouvir e sentir mulheres parece ser uma atitude impossível para alguns homens.

Por fim o que importa aqui é que não somos nós mulheres que vivemos nessa lógica predatória, logo, você mulher heterossexual pode ficar bem tranquila, a gente não vai dar em cima de você só porque a gente gosta de mulher. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A NAMORADA TEM NAMORADA. E UM FILHO TAMBÉM.

fevereiro 28, 2019 2
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Há pouco tempo li um texto do Jay-Z contando sobre a mãe dele ser uma mulher lésbica, durante toda a vida e, mesmo assim, escondeu isso dos filhos para que isso não lhes causasse dor. O cantor explicou que o medo da mãe não era de que seus filhos - boas pessoas e bem criadas, sem preconceitos - lhe maltratassem ou passassem a ver a mãe com indiferença, mas sim de que as pessoas tratassem seus filhos com ódio ao descobrir que ela, a mãe deles, era uma mulher que amava outras mulheres. Jay-Z seguiu dizendo que “no fundo sempre soube”, mas esperou que a mãe o dissesse por livre e espontânea vontade sobre a sua orientação/condição sexual.

Em 2015, o garoto Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, foi assassinado por colegas de escola após se envolver em uma briga.


O estopim da confusão foi, pasmem, o fato de o garoto ser filho de um casal homoafetivo. Peterson foi espancado e morreu após quinze dias internado em estado grave.

Jay-Z passou sua infância e adolescência entre os anos 1970 e 1980 no Brooklyn, Nova York, em épocas e locais diferentes, mas, mais de trinta anos depois, é possível encontrar notícias recentes que justifiquem o medo de Gloria Carter até hoje. Então, como lidar quando a namorada tem, além de uma namorada, um filho?

A maternidade já é - sem precisar de agravantes - complicada e delicada de levar. A tarefa de criar um ser humano é muito maior e mais exaustiva do que se pode imaginar. E falando em condições de família tradicional brasileira - como querem nos fazer crer os tradicionais - já é difícil criar um ser humano isento de “traumas”, imagina então quando a família dessa criança foge ao papel social heteronormativo e padrão esperado? Bicho, que trampo! E infelizmente não existe um manual pronto de como lidar com os outros, quando a namorada é namorada da namorada e mãe… Ufa!
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A conversa deveria ser a base de todas as famílias, o diálogo franco e aberto pode ajudar - e muito - que as crianças elaborem e consigam lidar com um possível preconceito vindo de fora. A probabilidade de que o preconceito exista é alta, sabemos.. Estamos vivendo uma onda conservadora em pleno século XXI. O ano é 2019 e a prioridade do nosso atual governo é, nada mais nada menos, que ferir a laicidade do Estado, violar o direito de imagem de menores de idade e, de quebra, inserir slogan de campanha eleitoral em comunicado oficial a ser lido por funcionários públicos em exercício de sua função. É normal que estejamos preparados para o preconceito e preparemos também nossos filhos, mas,


Conversar abertamente sobre o assunto e fazer com que ele não seja um tabu - ao menos dentro de casa - vai fazer com que as crianças tenham argumentos sadios e inteligentes para discutir, se isso for preciso,

uma situação que para ela vai acabar sendo comum. Assim como Glória, é normal que muitas mulheres tomem a decisão de “esconder” de seus filhos a sua orientação/condição sexual, mas, a partir do momento que entendemos todas as formas de amor como válidas, não há porque criminalizar umas e outras não. A verdade liberta!

Outra maneira de deixar as crianças seguras em relação a relacionamentos não heteronormativos de suas mães é mostrar que, se preciso for, vamos sim acionar os meios institucionais. A escola é um dos aparelhos do Estado e, como sabemos, vai funcionar como ele. Não preciso relembrar da onda conservadora para dizer que ultimamente - mais ou menos nos últimos 500 anos - o Estado anda falhando com as pessoas negras e se esta pessoa, além de negra, for LGBT aí, meu amigo, as falhas são elevadas à décima potência. Mas, ainda assim, é preciso institucionalizar as nossas queixas na mesma medida em que o Estado institucionaliza o racismo e a LGBTfobia. O que quero dizer com isso? Estas mães devem buscar a responsabilidade de ambientes como a escola, por exemplo, em assegurar que aquela criança será tratada da mesma maneira que as outras com outros modelos de famílias. Aliás, isso vale para todos os modelos familiares que, como já dito, fogem do padrão heteronormativo. A escola tem o dever de ser um ambiente plural e seguro para que as diversidades possam conviver em harmonia. Nós não somos todos iguais e, por isso, vamos respeitar a cada um dentro da sua diferença.

Em tempos de governos autoritários, falas racistas e LGBTfóbicas institucionalizadas, perdas de direitos e retrocessos, é preciso que nós tenhamos consciência do nosso espaço, mas resistamos com inteligência, especialmente inteligência emocional. Não dá para fazer como os franceses, incendiar meia dúzia de carros e reclamar dos nossos direitos. A nossa história mostra que esse não é mais nosso perfil. No entanto, é possível que nós, que somos mães e amamos outras mulheres, cuidemos para que a geração dos nossos filhos possa não só cantar, mas entender que agora a namorada tem namorada, filho, liberdade e que deverão ser consideradas justas, de verdade, todas as formas de amor.



terça-feira, 29 de janeiro de 2019

NÃO SENTIR MEDO DE AMAR É UM PRIVILÉGIO

janeiro 29, 2019 0
Amar sem medo é um privilégio
A vida às vezes nos coloca para pensar nos nossos "privilégios".

Já falamos sobre isto aqui. Numa sociedade que é machista e racista, é impossível dizer que uma mulher preta e bissexual tem algum privilégio. Mas, então vamos falar de acessos.

A não-monossexualidade não é a situação mais confortável. A sociedade é homofóbica, os desconstruídos buscam lidar com a não-heterossexualidade de uma maneira mais suave, mas, ainda pecam quando a caixinha abre para uma sexualidade que abarca ambos os gêneros. Ainda estamos caminhando na intenção de fazer as pessoas entenderem isso.

Mas, os desconstruídos nem sempre estão dentro da nossa casa. Ou, se estão, somem quando a não-heterossexualidade bate à porta com um familiar. E essa é uma reflexão que se torna inevitável quando você pára para pensar: "Opa, eu vou apresentar uma namoradinha em casa!"

Os números de mortes por homofobia crescem a cada dia, no Brasil: no ano de 2018 foram registradas 419 mortes de pessoas LGBT tendo a LGBTfobia como motivação. A fonte é o site Quem a homofobia matou hoje?, que apresentou um ranking realizado pelo GGB - Grupo Gay da Bahia. Minas Gerais ocupa o 20º lugar entre os 27 estados brasileiros, contabilizando 27 mortes no ano de 2018. Para além das mortes registradas, os casos de violência aumentam todos os dias. A eleição de um governo fascista, pautado em preconceito e ódio deixou às claras muitos dos eleitores que, motivados pela cólera, votaram neste governo. A consequência dessa onda de retrocessos não é obviamente o próprio presidente eleito ou o exército entrando nas casas e matando pessoas LGBT - como gostam de repetir, em tom debochado, seus eleitores - mas, significa que a institucionalização do preconceito e do ódio tornam o Brasil um país "seguro para ser homofóbico".

A não-monossexualidade nos deixa mais próximos de entender as sutilezas da lesbofobia. Isto é, experimentar os dois lados do tratamento social nos faz enxergar com uma nitidez  absurda o tratamento que é dispensado a duas mulheres que se amam. As pessoas não se incomodam com casais heterossexuais e isso é fato. Shoppings, cinemas, shows ou no dia-a-dia na rua NINGUÉM SE INCOMODA e isso eu posso dizer de cadeira.

E a coisa muda de figura quando uma mulher decide namorar uma mulher. Muda muito.

E é nessa mudança de figura que reconhecemos o privilégio que significa poder se relacionar em paz, sem brigas, guerras, agressões ou maus tratos. Você, pessoa heterossexual NUNCA vai ter dúvidas se a sua família vai ou não aceitar a pessoa que você escolheu para estar do seu lado - exceto se você tiver um família racista, classista ou escrota de alguma maneira, mas, isto é assunto para outro texto. Registradas estas exceções, os demais casos não tem o que temer. Mas, você já parou para pensar que casais LGBT têm, por princípio, esse medo?

Logo, não sentir esse medo é um privilégio.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

#BIWEEK: CINCO VÍDEOS PARA FALAR DA VISIBILIDADE BISSEXUAL

setembro 28, 2018 0

A sociedade ainda não está sabendo lidar com as pessoas que não são monossexuais. E isto não significa que saibamos lidar com quem não é heteronormativo, mesmo sendo monossexual. O caso é, conosco nem a comunidade LGBT está sabendo como proceder.

Por isso esta semana precisa ser lembrada e o assunto precisa ser debatido.

Com cinco vídeos na semana da #VisibilidadeBissexual, o canal Na Veia da Nêga tratou sobre o tema trazendo convidados e tentado desmistificar toda essa atmosfera em torno de uma orientação/condição sexual.

COMO FOI A MINHA PRIMEIRA VEZ COM UMA MENINA #VISIBILIDADEBI



BICHA NÃO, BI! #VISIBILIDADEBI


MATERNIDADE E BISSEXUALIDADE #VISIBILIDADEBI


GOSTA MAIS DE MENINO OU DE MENINA? #VISIBILIDADEBI



NÃO É BI, É HETERA CURIOSA! #VISIBILIDADEBI


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