Mostrando postagens com marcador Se Toca!. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Se Toca!. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de maio de 2018

OPINIÃO DE MULHER: VAMOS FALAR DE CAMISINHA - QUAL A MELHOR?

maio 14, 2018 0
É engraçado como que ao dar uma pesquisada no Google sobre "o melhor preservativo", 90% dos resultados de blogs levam à espaços criados por homens e para homens. Não é muito surpreendente pensarmos que "quem usa" a camisinha, é a pessoa que tem um pênis. E o normativo social é pensar em pessoas que tem pênis automaticamente como homens cis. Ok, podemos fazer um outro post para discutir a transfobia nesse caso, mas, agora vamos nos ater em um ponto: mulheres também podem - e devem - ter noção dos preservativos que mais lhe deixam confortáveis. E não, esse não é um publipost - Embora pudesse ser, me nota, Prudence!

A hora do sexo é para dois e assim como devemos cobrar o uso do preservativo de nossos parceiros (apesar de que deveria ser papel de vocês, meninos, saber que a gente não deveria sequer pedir), seria bom também que soubéssemos o que mais nos agrada, nos deixa mais confortáveis e etc.

Para saber com certeza, só testando! Afinal cada corpo é um corpo e sensações são únicas. Mas, vou dar dicas que podem diminuir seus caminhos de testes.

Opinião de Mulher! Qual a melhor camisinha?
A Prudence Ultra sensível (do pacote azul) foi uma boa surpresa para mim. A sensação é de estar transando sem camisinha. Sim, o prazer da irresponsabilidade, com responsabilidade - que trocadilho horroroso! - Essa é a melhor descrição que poderia fazer para este preservativo. A marca promete o máximo de sensibilidade com uma sensação bem próxima do "natural". Ela é de látex, o que pode ser considerado um ponto negativo para algumas pessoas que tem alergia ao material. Mas, se a alergia não for o seu caso, recomendo muito testar a Prudence Ultra Sensível, por ser um dos preservativos mais finos comercializados no Brasil e com um preço que considero bem justo. A Prudence Ultra Sensível custa de R$8,00 a R$10,00, num pacote que vem com 6 a 8 preservativos, em Belo Horizonte.

A Skyn tradicional é também um amorzinho em forma de preservativo, com a vantagem de ser de um material diferente do látex: o poliisopreno. E, sim, a sensação é de não estar usando literalmente nada, principalmente para nós, meninas. As vezes é preciso parar para conferir se a bendita não saiu do lugar, de tão real a sensação de não estar usando nadinha. O preço desta é um pouco mais caro, talvez pelo material que ela possuí, a Skyn Elite tem o preço entre R$7,00 e R$9,00 para o pacotinho com 3 unidades. Mas, acreditem, vale cada centavo investido.

É importante que as mulheres criem o hábito de andar com o próprio preservativo, inclusive para evitarem a clássica e velha desculpa do "Ops, esqueci a camisinha!", usada desde que meninos são meninos e o preservativo foi inventado. É bom falar sobre camisinhas ultrafinas, que se aproximam mais da sensação de não estar usando nada, porque ajuda a acabar com outra desculpa muito dada pelos homens, a da "não gosto de bala com papel!". Ao longo dos anos a tecnologia empregada nos preservativos evoluiu e muito, então esta desculpa da sensação de um "plástico" nas relações sexuais não é mais verdade.

Escolham com responsabilidade e testem a que mais lhe agradar. O mais importante é não esquecer que ninguém carrega estrela na testa, portanto, protejam-se!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

INSERÇÃO DE DIU DE COBRE: COMO FOI PARA MIM?

abril 18, 2018 0
Como é o processo de inserção do DIU de Cobre
Durante o processo de decisão para inserção do DIU de cobre fiz muitas pesquisas, li muito material do Ministério da Saúde e da OMS, mas, também li muitos relatos pessoais para entender como havia sido a experiência individual de cada uma. Claro, sabia também que cada mulher é única e, portanto, poderia ser completamente diferente comigo. Como os relatos foram importantes para mim decidi dividir aqui no blog o meu relato pessoal com vocês.

É importante dizer que cada médico tem uma conduta e o ideal é que você fale com o médico sobre todo o procedimento e a forma que ele realiza a inserção. Para saber mais sobre o DIU, já tem post aqui no blog, basta clicar aqui.

COMO FOI O PROCESSO ATÉ CHEGAR AQUI?

O processo até chegar a inserção foi extremamente demorado, cansativo, burocrático e moroso. Atribuo muito disto à falhas humanas, uma burocracia criada apenas com o intuito de impedir o acesso ao DIU, com base em juízo de valor de um médico, que burocratiza o processo, afim de fazer a maioria das mulheres desistir de realizar a inserção. No meu caso, desde a primeira manifestação de interesse em utilizar o DIU de cobre, até a inserção, se passou 14 meses.

O SUS tem OBRIGAÇÃO de fornecer o DIU de cobre (modelo padrão TCu 380A), bem como informar a todas as mulheres sobre vantagens, desvantagens, riscos, taxa de eficiência e tudo que envolve o processo, mas, são poucas as mulheres que resistem as burocracias impostas por vários médicos. Porque não "gostam" de inserir DIU de cobre, porque não sabem ou porque fazem juízo de valor com base numa medicina ultrapassada. Enfim, vários podem ser os motivos da burocratização e poucas mulheres aguardariam tanto tempo quanto eu. Eu sei. Sei também que nem todo mundo que acessa o SUS tem possibilidade de obter as informações necessárias para enfrentar esta burocracia inútil.

Após vários telefonemas, argumentações e contatos, fui encaminhada ao médico que realizou a inserção do meu DIU de cobre. O Dr. Marcelo Eduardo atende pelo SUS na minha cidade, Ibirité. A primeira consulta com ele foi realizada no dia 02 de abril e a inserção foi realizada no dia 16 de abril. Ou seja, Dr. Marcelo resolveu em 14 dias (duas semanas), o que o outro médico da mesma rede de saúde não resolveu em 13 meses. Isto, para mim, é mais uma prova de que muito desta demora tem a ver com a qualidade (ou falta dela) do serviço prestado por certos profissionais do SUS. 

O SUS pode funcionar, tem profissionais incríveis e tem sim um déficit de investimento muito grande no nosso país, mas, funciona na medida do possível e na medida em que os profissionais envolvidos não criam burocracias desnecessárias para desmotivar os usuários.


EXAMES PRÉ-INSERÇÃO


Segundo a Organização Mundial da Saúde, o DIU de cobre pode, inclusive, ser utilizado como  contracepção de emergência, isso quer dizer que EM TEORIA não demanda nenhum exame demorado ou complicado. Esta informação pode ser confirmada no MANUAL GLOBAL PARA PROFISSIONAIS E SERVIÇOS DE SAÚDE da OMS (página 52 e acessível neste link). No mesmo manual, na página 137, consta: "Em muitos casos, uma mulher pode começar a usar o DIU a
qualquer momento se houver certeza razoável de que ela não está grávida." Então, basicamente, é preciso não estar grávida e a anamnese é que vai indicar se há ou não riscos que indiquem necessidade de outros exames mais complexos. 
No caso da minha inserção foi solicitado: ULTRASSOM ENDOVAGINAL PARA ESTUDO DE ÚTERO (com a intenção de confirmar se meu útero estava na posição típica, em anteversoflexão), exame de Papanicolau (que já havia sido feito por solicitação da outra unidade de saúde burocrática). Alguns médicos colocam exigências como estar menstruada, não foi o caso do médico que realizou minha inserção. 

O DIA DA INSERÇÃO

A consulta estava marcada para 09:30hrs no "PACS Sede", no centro da cidade de Ibirité, com Dr. Marcelo Eduardo. Extremamente atencioso e interessado em resolver meu problema, porque esta inserção já havia se tornado um incoveniente.

Chegando ao consultório, o médico conferiu o resultado da ultrassom, fez anotações no meu prontuário e em seguida me encaminhou para a maca. Inseriu o espéculo para avaliar visualmente o colo do útero, nada anormal. Ok. A enfermeira chefe da UBS acompanhou e auxiliou no procedimento a partir daí.

Havia toda uma parafernália cirúrgica assustadora, parecia que era até algo grave, mas, eram apenas materiais estéreis para a manipulação do útero, que é delicada. Finalmente começou a inserção.

Como li muitos relatos pessoais antes de passar por este processo, tantos que nem sei precisar, me preparei para sentir uma dor incapacitante. Li várias mulheres que desmaiaram, caíram a pressão, então eu realmente me preparei para sentir a "dor da morte".

Primeiro ele fez a assepsia do canal vaginal e esta é, sem dúvida, a parte mais chata, mais incomoda de todas. Não sentir dor, mas, incomoda aquela gaze "esfregando" no canal vaginal.
Depois de inserir um outro espéculo, pediu para enfermeira direcionar o foco de luz para fazer a histerometria (processo de medição manual do útero, feito com uma cânula graduada em mm, se não me engano) e me avisou de que eu sentiria um "beliscão", foi o que senti, um beliscão leve e NADA ATERRORIZANTE. Fiquei o tempo todo pensando "é agora, hein, agora vai doer", e este momento nunca chegou.

Bom, feita a medição o médico pegou o DIU que a enfermeira já havia aberto e comparou com a medida encontrada. Me avisou que eu sentiria uma cólica, não senti muito, na verdade. Eu costumo ter cólicas bem fortes de uns tempos para cá, foi bem mais leve do que sinto normalmente. Então ele  inseriu e logo depois tirou o tubo que coloca o DIU de cobre dentro do útero, pegou uma tesoura enorme e cortou as cordinhas, não senti nem cócegas para isso. 

Não estava menstruada e após o procedimento permaneci com um leve sangramento por algumas horas, não durou até a noite. A cólica também durou um pouco depois da inserção, mas, um comprimido de Buscopan deu conta do recado.

Terminado o procedimento, o médico me entregou o cartão de paciente e colocou a data de troca do DIU para 2023. Porém, o DIU TCu 380A tem uma duração comprovada de, no mínimo, 10 anos. Nos EUA já aprovaram o uso por 12 anos. Não questionei a data, sei que o modelo fica 10 anos e achei mesmo que isso não seria motivo de discussão. O médico disse que: "não gosta que o DIU de cobre fique mais de 5 anos dentro da paciente, porque pode quebrar as cordinhas e dificultar a retirada do mesmo. Mas, até "uns" 7 anos (porque eu mencionei que talvez eu tenha outro filho quando acabar meu doutorado - estou na graduação ainda) ele aguenta!".

Eu estou muito feliz por não ter sentido dor nenhuma comparado ao que me preparei, sei que dor depende muito da sensibilidade de cada uma, mas, acho que ler coisas positivas sobre ela também ajuda.

A taxa de eficácia do DIU de cobre TCu 380A normoposicionado é de 99,4%. Lembrando que DIU normoposicionado é DIU de Cobre DENTRO do útero. Não importa a posição, a distância do fundo do útero. Precisa estar TOTALMENTE dentro do útero para funcionar. Apenas isto.

A recomendação agora é uma nova ultrassom após o primeiro ciclo menstrual, para avaliar a posição do DIU dentro do corpo. Após isto, não é preciso ficar fazendo exames de imagem sempre, apenas acompanhar pelo autoexame o posicionamento das cordinhas, tentando perceber se estão maiores que de costume ou se sente alguma ponta "endurecida" na saída do colo do útero, o que pode ser sinal de expulsão parcial do dispositivo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O QUE É: MATERNIDADE COMPULSÓRIA? [SE TOCA!]

fevereiro 06, 2018 0
Quando falamos de maternidade compulsória, não quer dizer que se ela acabar todas as mulheres estão proibidas de ter filhos e que entrarão na casa das gestantes praticando abortos forçados, não é isso, calma lá. Primeiro você precisa entender o que é maternidade compulsória, para só depois tecer críticas, não é mesmo?

O que significa "compulsório"? 
Compulsório é um adjetivo masculino que classifica algo que obriga ou compele a fazer alguma coisa. Alguns sinônimos de compulsório são: obrigatório, forçoso, imprescindível. Por outro lado, os seus antônimos são: voluntário, desobrigatório e facultativo. Esta palavra tem origem no latim compulsue está relacionada com compulsão, uma coisa que é imposta, ou que deve ser cumprida forçosamente ou de forma obrigatória. [FONTE.] Então, agora que está explicito o significado da palavra, fica mais fácil entender a expressão, não é?

O que significa "maternidade compulsória"?
Maternidade compulsória é uma expressão que classifica a vivência de mulheres que COMPULSORIAMENTE passaram por uma gestação e vivenciam uma maternidade.

"Ah, mas, ninguém é obrigada a ter filho.". Sim, é. Brasil é um país onde o aborto ainda é considerado crime, o que faz com que seja preciso acessar meios clandestinos para realizá-lo caso seja necessário, outro ponto que prova que a maternidade compulsória é real é o senso comum reproduzido dia pós dia de "quem não quer filho não engravida". O corpo da mulher, bem como seu funcionamento, não é estudado como deveria nas salas de aula brasileira, métodos contraceptivos não são 100% eficientes, o único método TOTALMENTE seguro é a abstinência e, para além disto, vivemos num país cuja a maior parte da população é pobre e acesso a saúde é PRECÁRIO, muitos métodos possuem condicionantes que nem todas as mulheres conhecem, além de nem todos estarem disponíveis para todas as mulheres.
Outra prova de que a maternidade compulsória é real está no fato de que vivemos numa sociedade em que o peso da gestação e de uma criança não desejada recai MAJORITARIAMENTE nas costas da mulher. Casos isolados de mulheres que abrem mão da maternidade e o pai assume isto, QUE É DIFÍCIL DE ACONTECER são rapidamente espalhados como um absurdo, justamente porque do homem ou genitor nunca é cobrada a mesma obrigatoriedade de arcar com a gestação e o fruto dela.
É preciso destacar também as "tradições" familiares apontam que a mulher "nasceu para ser mãe", o mito de que a maternidade é inata a todas as mulheres reforça essa obrigatoriedade implícita na vida das mulheres. Mulheres que escolhem nunca ser mães enfrentam um julgamento pesado da sociedade, algumas pessoas chegam a desejar que esta mulher tenha muitos filhos, quase como um "castigo" pela sua escolha a não maternidade.

Engana-se quem acha que a maternidade compulsória pode ser vivenciada apenas por mulheres que não um companheiro durante a gestação ou a "criando o filho na mesma casa", afinal, isto nada tem a ver com ser solteira ou casada, mas, ter ou não filhos por livre e espontânea vontade.
Existem diversas formas de coagir alguém a fazer alguma coisa, no caso da maternidade compulsória as ações podem ser subjetivas, como pressão psicológica por parte da família ou companheiro ou ações que independem da vontade do casal, como a falha de um (ou mais) métodos contraceptivos. 
Outro erro é acreditar que mulheres que já são mães não podem ser vítimas de maternidade compulsória numa segunda ou terceira gestação, afinal, não é uma sentença que se você tiver um filho vai desejar ter outros, não é garantia de eterno desejo de maternar, o que quer dizer que a vontade da mulher pode mudar e o que em um determinado momento foi algo voluntário, noutro pode passar a ser algo compulsório.

"Considerando que a maternidade compulsória às mulheres e a sexualidade instituída com fins reprodutivos estão na base da construção dos gêneros e das identidades de gênero, com forte apelo cultural nos discursos relacionados à modernidade (GIDDENS, 1991), interpela-se sobre as perspectivas de maternidade e os significados das experiências que estariam a reivindicar signos do sistema heteronormativo e aqueles que provocariam ressignificações a partir da ruptura com a linearidade entre casal heterossexual-procriação-família. [...] Historicamente, a sexualidade feminina foi dirigida para fins reprodutivos, sendo normatizada através dos dispositivos da heteronormatividade. "
Trecho extraído do texto "EXPERIÊNCIAS REPRODUTIVAS E DESEJOS DE MATERNIDADE EM LÉSBICAS E BISSEXUAIS" de Gilberta Santos Soares. Artigo para o "Fazendo Gênero 2010". Disponível para leitura NESTE LINK.


Submeter a mulher a maternidade compulsória pode (e não é este meu departamento, área de estudo ou atuação) ser danoso não só para a própria, mas, também para a família e a criança produto da maternidade compulsória. Nós enquanto sociedade precisamos também compreender nosso papel nesse ciclo de opressão e sempre que possível evitá-lo. Entender que nem toda mulher "nasceu para ser mãe" e parar de querer enfiar a maternidade na vida de todas as mulheres, mesmo aquelas que não desejam. Entender que métodos contraceptivos falham e todas estão sujeitas a isto, inclusive aquelas que não desejam ser mães, porque, é diferente ter um filho e ser mãe, não vamos nos esquecer disto também.
É preciso entender que mulheres são seres individuais que não se resumem apenas a um útero, incubadoras sociais ou seres enviados para cumprir um tal papel divino de reproduzir e povoar a terra, somos mais que isto, somos mais que escolhas alheias sobre o nosso corpo, somos, temos e devemos decidir sobre nossos corpos. Direitos reprodutivos são sobre TER ou NÃO TER filhos e ter o direito à informação para poder escolher com consciência quanto a isto.


domingo, 10 de dezembro de 2017

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS [ SE TOCA! ]

dezembro 10, 2017 0
A saúde da mulher deve ser debatida em todos os aspectos físicos, psicológicos e principalmente a mulher deve ser informada de seus direitos quando o assunto é este. Os direitos sexuais e reprodutivos abrangem regulamentações que vão além a decisão de ter ou não filhos, ou seja, é muito mais que a discussão sobre procriar ou não, mas também, o direito a decidir sobre o próprio corpo, expressar a própria sexualidade e tudo isto sem ser coagida ou violentada em virtude de suas escolhas ou orientações. 

Designed by Macrovector


Os direitos sexuais e reprodutivos estão listados e reconhecidos entre os direitos humanos (isto aconteceu a partir de 1994) e tratam tanto da liberdade de cada indivíduo em exercer e ser permitido exercer sua liberdade sexual, seja ela na orientação, na forma como lida ou como vivência isto, quanto da obrigação do estado em resguardar esse cidadão, evitando constrangimentos, coerções e garantindo os serviços básicos para que estes direitos possam ser vividos com segurança e qualidade. 

No caso dos métodos contraceptivos, por exemplo, a garantia de direitos sexuais e reprodutivos respeitados assegura que nós mulheres teremos acesso a informação sobre cada um deles, orientação médica para decidir em conjunto qual o melhor método, acesso a exames e o privilégio de ter acesso a qualquer método que seja escolhido ao final. Assim como a garantia de que suas escolhas quanto a ter ou não filhos será respeita e garantida.

No Brasil a lei sobre laqueadura garante, teoricamente, que mulheres com mais de 25 anos OU dois filhos vivos podem acessar gratuitamente a cirurgia pelo SUS, mas, em desrespeito total aos direitos sexuais e reprodutivos e em total desacordo com os direitos humanos não é o que acontece na prática dentro do Sistema Único de Saúde, onde profissionais utilizando-se na maioria das vezes apenas de juízo de valor como argumento negam às mulheres que não tem filhos, mas já passaram dos 25 anos, a realização da cirurgia de esterilização. O mesmo país que utiliza de argumentos religiosos para continuar proibindo o aborto e matando várias mulheres todos dias. 

A seguir o vídeo no canal explicando melhor sobre a importância de conhecermos e acessar as leis que garantem nossos direitos reprodutivos e sexuais:


sexta-feira, 26 de maio de 2017

LAQUEADURA: UM DIREITO QUE PODE SER ADQUIRIDO PELO SUS [SE TOCA!]

maio 26, 2017 3
O assunto é: LAQUEADURA, um processo cirúrgico realizado com o objetivo de contracepção, a pedido de uma leitora querida do blog. Já falei por aqui e no canal do YouTube, sobre métodos anticoncepcionais fornecidos de forma TOTALMENTE GRATUITA pelo SUS, este é um assunto que será cada dia mais frequente aqui no blog e em todas as redes "Na Veia da Nêga", dentro da tag "SE TOCA", para informar e incentivar as mulheres à, cada dia mais, buscarem informações sobre o próprio corpo, saúde e intimidade.
A laqueadura, conhecida popularmente como "cirurgia de ligatura de trompas", consiste em interromper o caminho que leva os óvulos dos ovários até o útero, onde posteriormente são fecundados, se desenvolvem e viram bebês. A laqueadura é um dos métodos contraceptivos mais seguros, pois, sem óvulo, não tem feto e muito menos bebês. Mas não podemos deixar de dizer que é um método invasivo e, se o parceiro puder, por exemplo, optar pela vasectomia que é mais simples, e não exige longo período de recuperação, é com certeza uma opção mais confortável. 
No Brasil, existe uma lei federal que regulamenta a esterilização através da laqueadura, mais especificamente o artigo dez da LEI Nº 9.263, DE 12 DE JANEIRO DE 1996, dispões sobre tudo que pode ou não pode sobre o nosso corpo (ah, tá!), mas infelizmente, não basta a vontade da mulher ou a clara percepção e certeza de que é isso que ela quer, para o governo federal, uma mulher só pode não querer filhos de jeito nenhum, se já tiver dois filhos vivos (oi?). Como podemos ver a seguir, 
Art. 10. Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: (Artigo vetado e mantido pelo Congresso Nacional - Mensagem nº 928, de 19.8.1997)I - em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;II - risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.
§ 1º É condição para que se realize a esterilização o registro de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes.
§ 2º É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.
§ 3º Não será considerada a manifestação de vontade, na forma do § 1º, expressa durante ocorrência de alterações na capacidade de discernimento por influência de álcool, drogas, estados emocionais alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente.
§ 4º A esterilização cirúrgica como método contraceptivo somente será executada através da laqueadura tubária, vasectomia ou de outro método cientificamente aceito, sendo vedada através da histerectomia e ooforectomia.
§ 5º Na vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges.
§ 6º A esterilização cirúrgica em pessoas absolutamente incapazes somente poderá ocorrer mediante autorização judicial, regulamentada na forma da Lei.

Créditos da Imagem: Biosom | Acesse neste link
Pois bem, diante de tudo isto, em resumo, para acessar a cirurgia de laqueadura através do SUS, você precisa de: ter pelo menos dois filhos vivos, ter mais de 25 anos, se for casada, autorização do marido, se não for casada, testemunhas de que você está em posse de faculdades mentais ao tomar esta decisão e muita, mas MUITA PACIÊNCIA, para ouvir toda a argumentação dos médicos que vai muito além de questões profissionais, muitos chegam à apelar para o juízo de valor ou mesmo a religião. O que é de todas as formas, um absurdo, mas infelizmente, é preciso sublimar este preconceito para acessar algo que é DIREITO NOSSO. Vale também dizer que a lei se aplica tanto ao sistema público de saúde, quanto o particular e os planos de saúde também são obrigados à respeitar todo este trâmite. 
A laqueadura tem um índice de segurança em torno de 95%, ou seja, ainda é menos segura que o DIU ou o anticoncepcional hormonal, por exemplo, e com o passar do tempo a sua probabilidade de falhar aumenta, porque o tecido pode se regenerar sozinho, restabelecendo a ligação das trompas e fazendo com que um ou outro óvulo consigam fazer novamente o caminho natural. Tecnicamente falando, a cirurgia de laqueadura é considerada de baixa complexidade, mas exige anestesia e internação para a realização do procedimento.
E saibam, a laqueadura é REVERSÍVEL. É um procedimento difícil sim, mas totalmente possível através de uma nova cirurgia e, dependendo do caso, a reversão também pode ser feita pelo SUS. Mas, mesmo desta forma, é preciso pensar e muito se é este mesmo o seu desejo, não é um decisão que deve ser tomada no calor de brigas, desespero, nenhuma situação de stress e etc. 
Se restar alguma dúvida, será um prazer ajudar, é só enviar um e-mail para: nvdnega@gmail.com.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

NÃO EXISTE SÓ SEXO HÉTERO, OU COMO A HETEROCISNORMATIVIDADE SEXUAL É ENTEDIANTE

maio 10, 2017 2
NÃO EXISTE SÓ SEXO HÉTERO, OU COMO A HETEROCISNORMATIVIDADE SEXUAL É ENTEDIANTE
Depois do sucesso do texto sobre VAGINA que foi publicado no blog, senti uma abertura maior de vocês para falar destes assuntos por aqui e, principalmente pelos feedbacks recebidos, percebi também a necessidade que muitas mulheres têm de encontrar fontes (confiáveis) de informação quando o assunto é muito íntimo. Hoje o assunto é sexo cishétero, único local que tenho propriedade de fala quando o assunto é sexo, afinal, sobre relações sexuais lésbicas eu só sei de ouvir falar (agradecimento às amigas que tem toda a paciência de falar sobre o assunto).
Lendo uma pesquisa publicada no ano passado no portal Uai, sobre o perfil sexual dos brasileiros, um dado em especial chama muito atenção: foram ouvidas cerca de três mil pessoas em capitais e regiões metropolitanas de todo o Brasil e, para a maioria dos homens o ideal, segundo a pesquisa, seriam manter oito relações sexuais por semana, enquanto para as mulheres, apenas três. O texto não menciona, mas dada a heteronormatividade da linguagem da pesquisa, fica subentendido que estamos falando de pessoas heterossexuais e tenho cá as minhas justificativas para esta diferença na preferência de homens e mulheres. Como os homens querem ter oito relações por semana e as mulheres apenas três? Será mesmo que os homens gostam mais de sexo que mulheres? Ou são os homens cishéteros que não estão despertando esta vontade em nós?
SERÁ QUE OS HOMENS GOSTAM MAIS DE FAZER SEXO QUE AS MULHERES?
Muito da nossa criação e da educação que recebemos na escola tem influência sobre isso, aliás, já falamos sobre o caráter opressor da educação sexual no Brasil, as mulheres são educadas para esperar do homem, seja a intenção de fazer sexo ou a disposição de fazer bem feito. Mas, será que podemos mudar esta cultura? Talvez vá demorar anos para que nossas meninas já cresçam tendo noção de que nosso prazer não depende dos meninos e, nossa vontade, de fazer ou não, não precisa estar nunca submetida à dos homens.
Penso que talvez a explicação para uma diferença tão grande nos números esteja explicada pela monotonia que o sexo hétero representa na maioria das vezes. Exceto os parceiros dedicados, as mulheres ficam sujeitas a caras insensíveis e que se importam pouco ou nada em tornar o sexo agradável para ambos. Homens cishéteros tem a mania de achar que sexo se resume à penetração. Mas, deixa eu contar uma coisinha que aprendi com a vida e com as amigas lésbicas: sexo não é só penetração, homens cis! Sexo para nós, mulheres, não é só uma questão automática, não é uma máquina e, para aqueles que sabem onde fica, o clitóris não é um botão de liga e desliga. O sexo não é o artifício mas uma consequência dos artifícios que os homens cis héteros deveriam saber usar.
GOSTAR DE SEXO NÃO É PECADO, IMORAL OU INAPROPRIADO, É NATURAL E FAZ BEM PRA SAÚDE| Fonte: TUA SAÚDE
Mulheres podem gostar de sexo, só por gostar, só por se sentirem bem transando. Não é pecado, não é imoral, não é inapropriado, é natural, fisiológico (e ainda faz bem para a saúde), o único impedimento real para mulheres não expressarem tanto seu gosto por sexo quanto os homens se chama MACHISMO e nós sabemos bem as consequências deste mal, que vão muito além do prazer, o machismo mata. Outro problema que pode ser apontado, é o fato de colocarem nas costas das mulheres toda a responsabilidade por DST's e a contracepção. Sim, muitos homens além de se negarem ao uso do preservativo culpam a mulher caso ele contraia alguma dessas doenças, daí com tanta pressão, é impossível tomar gosto pela coisa tanto quanto os homens que tem pouco ou nenhum compromisso, em geral, com a relação sexual.
E por falar em falta de criatividade, acredito que está aí outro motivo para a pesquisa apontar que homens querem ter mais de uma relação por dia e mulheres, no máximo, três vezes por semana. Como dito anteriormente, ensinaram aos homens cis e heterossexuais, que sexo é uma atividade que gera prazer para à ele, no caso da mulher, se gerar prazer bom pra ela, se não, "fazer o que?", e esta cultura que faz os homens enxergarem o sexo como prazer e as mulheres como obrigação. Para os homens cis, a penetração é o suficiente para atingir o orgasmo mas, mesmo que pareça absurdo para alguns deles, para a mulher não. Aliás, o pênis tem, para algumas mulheres, importância secundária na relação sexual. No entanto as relações heterocisnormativas são baseadas no gosto dos homens e, se para eles a penetração é o suficiente, a maioria dos parceiros reduz a relação à isto, alguns chegam a dizer que quando não há penetração, não houve sexo e assim, perpetuasse o mito dessa relação entediante e sem nenhuma criatividade. Entendamos então que não existe só a forma heterocisnormativa e transar, meus caros, o sexo é um mundo que vai muito além do seu pênis.
NÃO EXISTE SÓ SEXO HÉTERO, OU COMO A HETEROCISNORMATIVIDADE SEXUAL É ENTEDIANTE
E para as mulheres, que afinal são o público deste blog, pensemos sobre o nosso corpo e sobre a não obrigação de fazer sexo para o outro e sim COM o outro, o prazer deve ser para os dois bem como as responsabilidades da relação, ainda que não passe de sexo casual. O sexo não precisa ser chato, existem mil maneiras de torná-lo divertido e atraente, não uma obrigação, mas uma satisfação. Mulheres, permitam-se inovar no sexo cishétero também. Para finalizar, quando um não quer, dois não transam, ou os homens reveem a vontade das mulheres em transar apenas três vezes por semana como uma responsabilidade deles, em grande parte, de reverter ou as oito deles vão ficar mais impossíveis de acontecer com a mesma parceira. 

INDIVÍDUO CIS: Pessoa em que gênero se identifica com gênero designado ao nascer.
INDIVÍDUO HÉTERO: Pessoa que sente atração sexual por indivíduo do sexo oposto.
INDIVÍDUO CISHETERO: Pessoa em que o gênero que se identifica concorda com o gênero designado ao nascer e se atrai sexualmente por indivíduo do sexo oposto (cis ou trans, não importa).

domingo, 7 de maio de 2017

VAGINA TEM CHEIRO, COR, GOSTO E ISSO NÃO É UM PROBLEMA - SE TOCA!

maio 07, 2017 12
Tem certas coisas que ninguém nos conta sobre a nossa vagina ou a higiene íntima, seja por vergonha, por tabu ou por achar que "isso todo mundo sabe", daí informações importantes acabam não sendo passadas como deveriam e muitas mulheres cometem erros que, apesar de simples, podem prejudicar muito a saúde íntima. Então, o post de hoje é reunindo informações, que eu considero, mais importantes quando o assunto é VAGINA! Vagina, "pepeca", "perereca", boceta, "larissinha", os nomes são vários, mas o mais importante é que: se cuidar direitinho, ela não vai te trazer problemas.
Vivemos numa cultura misógina, que ensina para as meninas desde pequenas que a vagina é algo sujo, promíscuo, com frequência associada ao mau cheiro, por exemplo, e isso só reforça vários mitos sobre nós mulheres. 

VAGINA TEM CHEIRO DE VAGINA. Como diria uma amiga, "quer cheirinho de flor, vai lamber sabonete!" A nossa vagina tem o cheiro mais parecido com o último alimento que a gente comeu, sabia? Pois se você, assim como eu, ama cebola, corre sérios riscos de terminar o dia, ou a noite, com a vagina com cheiro e gosto de cebola. O cheiro da vagina só deve preocupar quando for muito forte e, geralmente, acompanhado de corrimento com cor anormal, esverdeado ou amarronzado, por exemplo. Do contrário, vagina tem cheiro e a gente precisa passar a admirar e não repudiar.

MULHERES ADULTAS TEM PELOS, e o seu parceiro, ou parceira, precisa aprender a lidar com isso. Não vamos discutir aqui o gosto pessoal de cada mulher, tem mulher que gosta de arrancar todos os pelos e isso é uma escolha de cada uma, mas vamos discutir o fator saúde: ISTO NÃO FAZ BEM! A parte externa da vulva é coberta por pelos não por um simples capricho da natureza, mas por proteção, arrancar estes pelinhos pode trazer alergias e problemas ligados à alteração da flora natural da vagina. Cremes depilatórios, ceras e, principalmente, a lâmina de barbear, podem expor esta parte tão sensível do nosso corpo à bactérias que nosso organismo vai levar bastante tempo para se defender. Já pensou em usar a boa e velha tesoura para aparar os pelos? Pois é, pode ser uma excelente alternativa, para quem não gosta de muitos pelos na região. 

ESQUEÇA OS SABONETES ÍNTIMOS, a vagina é autolimpante! Pois é isso mesmo, nós mulheres somos uma máquina quase perfeita e, se sua saúde estiver ok, imunidade funcionado ok, sua vagina fará o trabalho sem você precisar jogar produtos químicos pesados nela. A lubrificação natural (sim, a vagina é naturalmente molhada, aumenta quando estamos excitadas e varia de acordo com o período do seu ciclo, mas ela é naturalmente lubrificada) e a flora vaginal são responsáveis por mantê-la limpa na medida certa e, o excesso de limpeza pode desequilibrar sua flora, fazendo você girar em torno do problema. Talvez usar muito sabonete íntimo, deixe o cheiro da sua vagina anormal e aí, você vai ser um cachorro correndo atrás do rabo, tentando resolver um problema que você mesma está causando.

A VAGINA PRECISA RESPIRAR, então estes protetores diários não fazem bem, ok? O mais indicado pela maioria dos médicos, é calcinha de algodão, ou melhor ainda, sem calcinha e deixar a nossa amiga respirar aliviada. Muitas mulheres usam absorventes comuns durante o período menstrual e é exatamente o confinamento que deixa aquele "cheirinho" desagradável durante este período. É por isso que os coletores menstruais estão tão na moda, além de economizar e ajudar o planeta, evitam que a vagina passe vários dias da semana confinada naqueles absorventes descartáveis. Então, sempre que puder, tente dormir sem calcinha e com uma peça de roupa que não abafe esta parte do corpo.

LUBRIFICANTE TEM DE SER SEMPRE À BASE D'ÁGUA, caso a lubrificação natural não esteja lá estas coisas. Como já dito antes, a vagina se auto limpa e se auto lubrifica, mas as vezes é preciso dar uma ajudinha para a natureza na hora do sexo, por exemplo. Escolha então lubrificante, preferencialmente, a base d'água que não vai alterar a flora natural da vagina, podendo causar alergias e outras doenças.

NADA DE LAVAR A CALCINHA NO BANHEIRO E DEIXAR SECAR NO BOX, por mais que pareça prático, este costume pode lhe render sérios problemas. Como já foi explicado, nossa vagina possui uma flora natural e como todas as mucosas do nosso corpo, também tem suas próprias bactérias "do bem", lavar a calcinha no box e deixar secar nesse ambiente CHEIO DE BACTÉRIAS NOCIVAS, úmido e quente, é pedir para que suas calcinhas se tornem vetores de doenças. Calcinhas precisam se bem higienizadas, com sabão neutro, nada de sabão em pó ou amaciante perfumado e secarem, preferencialmente, ao sol. Algumas mais exigentes costumam passar a ferro, mas secar ao sol costuma ser suficiente.

Muitos outros mitos em relação ao nosso corpo são perpetuados diariamente e, cabe a nós mulheres, espalhar as informações para desfazer todos estes enganos e facilitar a vida das amigas. Se você tiver mais dúvidas que não foram respondidas neste post, pode encaminhar no e-mail do blog: nvdnega@gmail.com, vou atrás de pesquisar e publicar por aqui.

sábado, 15 de abril de 2017

COMO ENTENDER O SEU PERÍODO FÉRTIL E CONHECER SEU CICLO MENSTRUAL

abril 15, 2017 1
Muitas mulheres tem dúvidas de como entender o próprio corpo e, um dos temas que causa mais confusão é o tal "período fértil". Além de todos os métodos contraceptivos não naturais, existem outras formas de controlar a natalidade e, caso você conheça MUITO BEM o seu corpo, a boa e velha "tabelinha" pode ser usada como contraceptivo exclusivo.
Algumas ressalvas precisam ser feitas em relação à este método, além de exigir da mulher um alto nível de conhecimento do seu corpo, é preciso que seus ciclos menstruais sejam rigorosamente regulares, pois as datas são fundamentais para que o método funcione e, um dia a mais ou menos podem ser decisivos e acabarem resultando numa gravidez indesejada.
Entender o ciclo menstrual é o primeiro passo pra compreender o que é e quando será o seu período fértil. Usarei nesta postagem, como exemplo, um ciclo de vinte e oito dias, mas, segundo a maioria dos médicos, ciclos regulares podem ter de 21 à 35 dias sem serem considerados anormais. 

O que é o ciclo menstrual? É o período compreendido entre o primeiro dia de uma menstruação e o primeiro dia da próxima menstruação. Ou seja, se no mês de março sua menstruação chegou no dia 02 e a próxima no dia 30, o primeiro dia do seu ciclo é o dia 2 e o último dia 29, dia 30 começa um novo ciclo. Isto quer dizer que este ciclo teve a duração de 28 dias.

Entendendo seu ciclo menstrual e seu período fértil
Para poder confiar na contagem do seu ciclo, é preciso fazer um apanhando de pelo menos 3 meses consecutivos e encontrar um "padrão" no intervalo, para considerá-lo confiável. 
Depois de observar o seu ciclo, tendo certeza da média dos dias, é possível localizar nos dias o seu período fértil e se proteger de maneira mais efetiva nestes dias (preservativo, por exemplo).


Entendendo seu ciclo menstrual e seu período fértil
O período fértil é, geralmente, contado como 3 dias antes e 3 dias após o "grande dia". O tal dia fértil é, geralmente, o meio do ciclo, ou seja, se seu ciclo tem 28 dias, o "meio do ciclo" será o décimo quarto dia. Assim como com um ciclo maior, 35 dias por exemplo, o meio será o 17º dia. Desta forma, na metade do ciclo, em média, três dias antes e três dias depois são considerados "seu período fértil". O período do mês em que há maior probabilidade biológica de engravidar.
É claro que cada corpo é único e é preciso estar atenta aos sinais para compreender suas variações, tem também as mulheres com problemas de saúde e estes podem influenciar a duração do ciclo, bem como o acontecimento do período fértil.
Para entender melhor e saber mais sobre a importância de conhecer seus ciclos, tem vídeo no canal:


terça-feira, 4 de abril de 2017

SAIBA QUAIS SÃO OS MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS OFERECIDOS PELO SUS

abril 04, 2017 3
Métodos Anticoncepcionais fornecidos Pelo SUS
Por mais incrível que possa parecer, muita gente não faz ideia de que muitos métodos anticoncepcionais possam estar disponíveis GRATUITAMENTE pelo SUS. É claro que em alguns municípios onde a situação da saúde pública é mais precária, é complicado encontrar uma variedade de métodos mas, via de regra, o MINISTÉRIO DA SAÚDE em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, vai buscar fornecer métodos contraceptivos para a população (pobre ou rica), bem como reuniões de planejamento familiar para orientar sobre o melhor método à ser escolhido pela família.
Entre os métodos anticoncepcionais oferecidos gratuitamente pelo SUS, está o preservativo masculino (camisinha) que é um dispositivo de barreira (ou seja, impede o contato do espermatozoide com o útero e uma possível fecundação do óvulo), mas mais importante que isto é o fato da camisinha impedir o contágio de Doenças Sexualmente Transmissíveis, as DST's. Junto com a camisinha feminina, são os DOIS ÚNICOS MÉTODOS que além de prevenir uma gravidez indesejada, previnem a transmissão de doenças. Por isso a importância do uso, durante TODA A RELAÇÃO, se for usada da forma correta, a camisinha tem uma eficácia de até 98% na contracepção, quando utilizada como único método anticoncepcional. O preservativo também pode ser usado como método combinado ao DIU (saiba mais sobre o diu NESTE POST), por exemplo, aumentando sua eficácia.
Para saber quais são os demais métodos anticoncepcionais oferecidos gratuitamente pelo SUS é só assistir ao vídeo. Além de saber quais são, você ainda aprende um pouquinho sobre o processo de acessar à cada um.
Não se esqueça de compartilhar com as amigas ♥

terça-feira, 28 de março de 2017

SOBRE INÊS BRASIL E A SIRIRICA: OU VOCÊ É BRANCA OU VOCÊ É LOUCA

março 28, 2017 2
SOBRE INÊS BRASIL E A SIRIRICA: OU VOCÊ É BRANCA OU VOCÊ É LOUCA
Sempre que ouço o assunto "Inês Brasil", meu radar de treta liga e eu já espero alguma análise racista ou sexista vindo em seguida, porque o Brasil, racista como só ele, não consegue em hipótese alguma falar de uma mulher negra sem envolver racismo e machismo para tecer a crítica.
Para quem não conhece a história da Inês Tânia Lima da Silva, vai aí um breve resumo: ela é uma mulher cis (estou explicitando isso, porque eu mesma achava que era uma mulher trans e, no alto da minha transfobia, usava isso como ofensa - no passado, passou!), nascida em 1969, ou seja, tem hoje 48 anos (quem me dera chegar às 48 nesse pique) e já viveu muito mais do que os memes da internet podem demonstrar. Aos 22 anos, Inês iniciou sua carreira como uma das "Mulatas" de Sargentelli na casa de Shows "Oba-Oba", seu pai foi cantor e compositor da Escola de Samba Quilombo dos Palmares, o que possivelmente influenciou a entrada dela como professora de samba, também aos 22 anos em outra escola. Foi na mesma época que Inês conheceu o primeiro marido, Christian Karp, que contribuiu com a sua carreira. Inês é fluente em alemão, tendo morado na Alemanha por 18 anos, sendo 10 deles casada. Inês Brasil é mãe de duas filhas, uma delas, Monique Lima Karp, é sua empresária atualmente.
É esta mulher que hoje, vocês tentam interditar por meio do tribunal do Facebook. Acusando-a de não ser "dotada de faculdade mentais", após ela se masturbar num show. É bem verdade que não é a primeira vez que Inês dá um tom sexual às suas apresentações, e quem assistiu qualquer show dela sabe disto, só que parece que desta vez, a masturbação causou um choque "plus". Mas é verdade também que, Inês não é a única, duvida?

Miley Cirus - Isso te parece uma siririca?
•••
Miley Cirus - VMA de 2013 - SOBRE INÊS BRASIL E A SIRIRICA: OU VOCÊ É BRANCA OU VOCÊ É LOUCA
Lady Gaga - Isso te parece sexo à três?
•••
Lady Gaga - Apresentação em Toronto, 2009 - SOBRE INÊS BRASIL E A SIRIRICA: OU VOCÊ É BRANCA OU VOCÊ É LOUCA
Nem vou mencionar, nosso comportamento permissivo em relação aos homens quando é este o caso, não é mesmo? Quem nunca sonhou em ser a escolhida pelo Usher neste contexto? Homens exploram a imagem sexual nos palcos à muito tempo e isso não dá à eles uma imagem de "loucos", mas sim, reforça sua virilidade.


O caso é que para muitos internautas, desta vez Inês Brasil "exagerou" ao se tocar DE VERDADE num show em Manaus usando um microfone. Aparentemente este é um motivo concreto para a sanidade mental de Inês Brasil ser posta em dúvida.
O centro da discussão deveria ser, obviamente, o fato de mulheres negras serem AS MAIORES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, como se supõe ser o caso da Inês em relação ao seu produtor, ou mesmo os inúmeros casos de mulheres desinformadas sobre o próprio corpo e a própria sexualidade, ou ainda a questão do corpo negro estar exposto como carne para venda, desde que o Brasil é Brasil, no entanto, preferiram partir para deslegitimar a vontade ou mesmo duvidar da sanidade mental de uma mulher negra. Posso estar enganada, mas não vi nenhum textão questionando a sanidade mental da Miley Cirus na época do VMA.
O que a maioria das pessoas racistas não entende é que, muitas de nós, mulheres negras, morremos todos os dias por duvidarem da nossa sanidade mental, por julgarem nossas atitudes por um prisma racista, ninguém se preocupa, por exemplo, com as cicatrizes que os anos de prostituição deixaram em Inês, ou que o provável abuso por parte do produtor pode estar deixando, ou ainda pior, não ser nenhuma destas opções, mas sim o fato de Inês ser mais uma mulher negra que, como muitas de nós, confunde a liberdade sexual branca como uma questão à ser defendida por nós. Nossos corpos estão expostos à tempos e este discurso de "liberdade sexual" tem que ser muito bem recortado para caber em nossas vidas. 
Portanto, antes de sermos racistas e partir para o caminho mais óbvio, que é chamar a mulher negra de louca, é preciso considerar alguns pontos:
- Tratar a mulher negra como uma figura irracional, movida por impulsos primitivos, sejam de raiva, desejo ou fúria, É RACISMO e vocês não estão fazendo nada de novo, a sociedade faz isso à mais de cinco séculos;
- Liberdade sexual precisa de recorte racial e, principalmente, considerar a vivência particular de cada uma;
- Mulheres brasileiras, negras ou brancas, são historicamente podadas da liberdade de se tocarem, conhecer seus corpos e seu próprio prazer, portanto criticar isso sem ressalvas, só vai fazer com que mais mulheres se sintam envergonhadas em fazê-lo;
- Mulher se masturba sim! Cada uma escolhe se vai ser na intimidade do seu banheiro, do quarto, na sala de casa, na varanda ou num palco em Manaus. A masturbação masculina, ou mesmo a manipulação do pênis é aceitável, mas quando se trata da vagina ou do prazer feminino, a conversa muda, não é mesmo? Homens artistas manipulam sua sexualidade e seus órgãos em shows DESDE QUE SHOW É SHOW e não são questionados. Tem muito do nosso machismo nesta crítica sim.

Uma das propostas deste blog e do Canal do Youtube este ano, é exatamente discutir e incentivar as mulheres a conhecerem mais e melhor o próprio corpo e a própria intimidade. Mas, vai ficar muito difícil se vocês acharem que toda mulher que bate siririca é uma maluca precisando ser interditada. 

sábado, 18 de março de 2017

COMO A EDUCAÇÃO SEXUAL REFLETE O PUDOR DOS LARES BRASILEIROS

março 18, 2017 0
A partir de agora, haverá neste blog uma série de textos e posts para falar da opressão na educação sexual que ocorre no Brasil. Ao conversar com amigas, é comum percebermos o grande número de mulheres, inclusive da nossa geração, que é considerada "mais moderninha", que desconhece ou tem medo de conhecer os detalhes do seu corpo e vivenciar a sua sexualidade. Isto não é coincidência ou acaso, historicamente somos moldadas à não viver com plenitude várias as aspectos de nossas vidas, entre eles a sexualidade e a exploração do nosso corpo, principalmente as mulheres neste último caso. Por considerar importante esta discussão e essencial para ajudar estas mulheres, vamos falar mais sobre a fisiologia do corpo feminino, masturbação, prazer e muitos outros assuntos considerados tabus.
Vivemos numa sociedade machista, patriarcal, onde ainda é considerado assunto proibido o prazer da mulher, o corpo feminino, suas particularidades e, alguns pontos, chegam a ser tratados como "errados ou sujos" desde a infância. Assuntos como estes, deveriam ser tratados com naturalidade, para que nossas jovens mulheres pudessem ter mais autonomia sobre o próprio corpo, vontades e poder fazer escolhas conscientes, sem depender de que uma outra pessoa lhe diga como deve ser o seu gosto, mas não é assim que acontece.
Sala de aula - Brasil 1920 - Blog Na Veia da Nêga - Contextualizando a Educação Sexual Opressora
Historicamente a Educação Sexual dentro das salas de aula sempre teve um caráter opressor e higienista, buscando ensinar através de conceitos moralistas ou religiosos que hábitos, que sabemos ser saudáveis para os seres humanos, deveriam ser combatidos e abolidos da vida dos nossos jovens e crianças. A França é considerado berço da escolarização incluindo educação sexual, porém com fim de reprimir também atos como masturbação, inclusive dos meninos, por exemplo, por lá, por volta do século XVIII já se discutia algo ligado a Educação Sexual em ambiente escolar, afim de reprimir qualquer expressão considerada sexualizada e "proteger" as crianças de qualquer comportamento que pudesse ser ligado a isto. Precisamos nos contextualizar historicamente também de que, no século XVIII apesar de ser marcado por diversas revoluções consideradas "a frente do tempo" para época, o sexo e todo seu contexto era assunto proibido. O ato sexual era considerado uma "obrigação impura" por muitos, uma tarefa que só se fazia por não haver outro meio de reproduzir a espécie, quase um sacrifício. 
Seguindo para o período contemporâneo da história, no século XX a educação sexual passa a abordar o foco reprodutivo, utilizada na França, por exemplo, para reforçar como positiva a lei que proibia o aborto (sancionada em 1920) ou mesmo justificar a proibição de propagandas de métodos contraceptivos (preservativo e DIU, por exemplo). Até então, o foco era apenas reprimir mas ganhou também a função de tornar o controle das práticas uma meta, mostrando que os governos se preocupavam em dar ao sexo a função de somente reprodução, proibindo o uso de métodos contraceptivos e criminalizando o aborto. A igreja católica tem grande participação neste enfoque que a educação sexual ganhou pelo mundo, afinal, o cristianismo não admite o sexo como uma prática apenas para o prazer, mas sim, ato para fins bíblicos, justificados pelo "crescei-vos e multiplicai-vos". 
Falando especificamente do Brasil, a educação sexual também teve (e ainda tem) caráter opressor que buscava reprimir expressões da sexualidade, desejos e, principalmente, ensinar às crianças que o papel do sexo era somente levar os seres humanos a se reproduzirem, com a igreja ajudando a reforçar a ideia de que sentir prazer com isto era errado. 
De 1920 até o fim da ditadura militar, o nosso país era um campo de repressão constante, que se utilizava da educação sexual como ferramenta para fazê-lo. Como já foi dito neste blog, a informação é arma de dominação, seja sendo ocultada ou liberada de forma incorreta e isto foi usado em todo este período como uma maneira de controlar a população. 
A década de 80 é considerada por historiadores da educação, um marco de avanços no campo da educação sexual, a população, livre dos ditadores e já podendo ir as ruas exigir o direito de escolher os próprios governantes, também começou a falar de sexo mais abertamente. O que não impediu, infelizmente, que o "crime de aborto" fosse incluído no nosso código penal, em 1984, penalizando as mulheres que precisassem recorrer a este método e assim permanece até os dias atuais. A França, país que proibiu o aborto em 1920, legalizou a prática em 1975, tornando-o uma questão de saúde pública, garantindo apoio emocional e segurança física para as mulheres.
Hoje no Brasil a educação sexual faz parte dos "Parâmetros Nacionais de Ensino" e orienta-se ocorrer de maneira transversal na educação, isso quer dizer que é responsabilidade de todos os professores inserirem este recorte em suas escolas, o que na prática não acontece, pois a maioria dos nossos educadores não está preparado para falar do assunto. Muitas vezes, inserindo seus conceitos religiosos ou morais à pauta, transformando a educação sexual em "falar de sexo", quando na verdade é muito mais que isto, pois a sexualidade humana é muito mais complexa.
Sala de aula - Brasil Sec. XXI - Blog Na Veia da Nêga - Contextualizando a Educação Sexual Opressora
Discute-se em plenário hoje, o que algumas pessoas chamam de "educação de gênero", um conceito que muitas pessoas acreditam que é defender "falar de sexo" para crianças, sem nenhum recorte, didática ou preparação para isto, fazendo com que assuntos pertinentes deixem de ser debatidos com a orientação de um professor, que poderia ser fundamental na hora de espalhar conhecimento de qualidade.
A Educação Sexual no Brasil, falando do ambiente escolar, sempre refletiu o que acontece em casa (ou o contrário seria o verdadeiro?), assuntos que são extremamente importantes para criarmos seres humanos conscientes, principalmente mulheres, são varridos para debaixo do tapete, ignorados ou muitas vezes podados, continuamos assim criando pessoas leigas quanto aos seus corpos, direitos reprodutivos, saúde sexual e tantos outros temas ligados a sexualidade. É preciso encontrar meios, enquanto profissionais da docência, de transversalizar este assunto e conseguir levá-lo da maneira mais responsável possível para dentro do ambiente escolar, garantindo assim jovens mais informados, que no futuro formarão de de maneira mais consistente aos seus filhos.

Fontes de pesquisa:

sexta-feira, 17 de março de 2017

[QUASE] TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O DIU DE COBRE

março 17, 2017 0
Informação tem se transformado num bem precioso, ou pelo menos, as pessoas tem percebido agora que é um dos bens mais preciosos que temos. Tão valioso, que pode se tornar moeda de negociação ou arma de opressão. Já pensou nisto? Nos dias atuais, ter ou não ter a informação pode ser decisivo na vida de alguém e, a partir do momento que temos, a escolha de como utilizar esta informação é tão crucial quanto. Das formas mais conhecidas de dominação subjetiva, com certeza, reter ou liberar somente a informação que interessa, está no topo da lista, fazendo com que pessoas se tornem dependente de algo ou alguém por não conhecer algo ou conhecer equivocadamente, logo a informação é ouro e nós escolhemos se acumulamos ou se dividimos com nossos amigos, parentes e conhecidos. Aproveito para dar a sugestão: compartilhe este texto com suas amigas, parentes, conhecidas e, porque não, conhecidos homens também: a concepção e a contracepção devem ser, preferencialmente, uma decisão tomada pelos parceiros, quando existe uma relação saudável o suficiente para isto.

Os métodos anticoncepcionais são mais antigos do que você pode imaginar, Hipócrates (460-377 a.C.) já sabia, e descrevia, que sementes de cenoura selvagem poderiam reduzir a fertilidade da mulher, na mesma época, Aristóteles (384-322 a.C.) falava da utilização da Mentha Pulegium (hoje conh
ecemos como "Poejo") como anticoncepcional, estamos falando de mais de 2000 anos atrás, quando há descrição de que as pessoas já se preocupavam em, de alguma forma, controlarem a vinda de filhos. Na idade média, a preocupação em controlar a natalidade não era tão explicita ou pública como hoje, mas, verificar os manuscritos e encontrar estes registros nos diz algo so
bre tentarem isto, inclusive pesquisando formas de controlar também a fertilidade masculina. Em 1921, um estudo de Haberlandt (1885-1932), cientista alemão, sugeriu uma forma de controlar a fertilidade de coelhas, com ovários retirados de outras coelhas, daí em diante começou a busca de sintetizar estes hormônios, para que eles pudessem ser manipulados e produzidos em larga escala, sem continuar dependendo de partes de outros seres vivos. A primeira pilula anticoncepcional, em 1960, foi considerada uma revolução para a autonomia feminina. 

Mesmo sendo considerado uma revolução, a relação das mulheres com hormônios sintéticos está bem longe de ser definida como um mar de rosas, afinal, alterar quimicamente o funcionamento hormonal do corpo de várias mulheres, pode gerar reações que não podem ser previstas com precisão, afinal, cada ser humano é único. Entre os efeitos mais comuns relatados por mulheres, em relação ao uso de contraceptivos hormonais, estão dores de cabeça, dores no corpo, enjoo, aumento ou perca de peso excessivo, acnes, mudanças de humor, entre outros efeitos desagradáveis, mas que as mulheres acabam convivendo por acreditarem que estes são ônus compensados pelo bônus de conseguir controlar a própria fertilidade.

Outros métodos não hormonais vem sendo discutidos, recentemente com mais afinco, por mulheres e médicos, pois diminuem em muito estes sintomas e podem ser tão ou mais eficazes que os métodos que causam desconforto.
Ao contrário do que muitos pensam, o DIU é uma ideia que veio muito antes da pilula anticoncepcional, o primeiro registro de estudo que encontramos, é do Doutor Ernst Gräfenberg. Por volta de 1929, ele foi o primeiro médico à produzir, comercializar e implantar o que era chamado de anel Gräfenberg, podemos considerá-lo um "ancestral" do que conhecemos hoje como DIU. Hoje o DIU é o método reversível mais utilizado no mundo, porém no Brasil, ainda existe muito preconceito, por parte das mulheres, em relação ao dispositivo. Algumas dúvidas viraram senso comum no imaginário da mulher brasileira, mas quanto mais mulheres conhecem e desmitificam estas informações, mais o DIU entra para a lista de escolhas conscientes das brasileiras.

O DIU, assim como a maioria dos contraceptivos, vem avançando junto com a tecnologia e isso faz com que os efeitos adversos sejam menores. Muitas dúvidas ainda permanecem e, muitas delas, podem ser tiradas com seu médico, enfermeira obstetra ou médico da família, outras podem ser respondidos neste post:

O prazo de "validade" do DIU de cobre é, normalmente, de 10-12 anos, devendo ser trocado após este período pois perde a capacidade contraceptiva. DIU's hormonais, costumam ter menor duração.
O DIU de cobre não contém hormônios, sua contracepção se dá pela liberação contínua de metais no útero, tornando-o um ambiente hostil para implantação do óvulo.
Por não conter hormônios sintéticos, a maioria dos efeitos colaterais que incomodam as mulheres não vão se apresentar por conta do DIU, como ganho de peso, aparecimento de acnes, retenção de líquidos e etc. 
O DIU, assim como qualquer outro método contraceptivo, hormonal ou não, não é 100% eficaz. A eficácia do DIU de cobre é de 99,3%, por isto, é indicado o uso combinado de preservativo em períodos férteis, para aumentar a proteção.

O DIU de cobre é fornecido e aplicado GRATUITAMENTE pelo SUS, cada cidade tem seu procedimento, o ideal é procurar o posto de saúde da sua região e se informar sobre quais os tramites você deve seguir para realizar a implantação.
Todo método contraceptivo deve ser escolhido com a ajuda do seu médico, você entende do seu corpo, porém há questões técnicas que precisam ser avaliadas. Alguns fatores precisam ser levados em consideração na hora de escolher o DIU, como:


  • Alergia ao material;
  • Útero bicorno ou reverso;
  • Planejamento Familiar à curto prazo;
  • Dúvidas em relação à cólicas e sangramentos que podem ocorrer na utilização do dispositivo; 


O DIU PODE SER USADO POR MULHERES QUE AINDA NÃO TEM FILHOS, este é um dos mitos antigos do DIU e deve-se muito a negação dos direitos reprodutivos à própria mulher. Muitos médicos acham que 10 anos (período de validade do DIU) é muito tempo e, por não ter filhos, talvez seja melhor um método de curta duração. 

Este não é um método contraceptivo "abortivo", como muitas pessoas acreditam. O metal liberado pelo dispositivo, impede que óvulo fecundado se fixe na parede do útero, o que é O MÍNIMO pra que um feto exista. Sendo assim, não há aborto de feto, já que não houve fixação de óvulo fecundado na parede do útero.

O DIU não é acessível ao toque do dedo ou do pênis durante o ato sexual, por ser um dispositivo implantando no fundo do útero. O que fica para fora do colo do útero é a "cordinha", muito fina e pequena que, normalmente, é imperceptível pelo parceiro. 


O DIU NÃO PREVINE A TRANSMISSÃO DE DST's (doenças sexualmente transmissíveis), e por isto não dispensa o uso de preservativos. Parceiros sexuais eventuais não carregam estrela testa, demonstrando ou não se tem doenças sexualmente transmissíveis, nem todas tem sintomas externos ou evidentes no órgão sexual.


Restou alguma dúvida? Assista ao vídeo abaixo, com mais algumas informações, se quiser, pode deixar nos comentários suas dúvidas para eu tentar responder, ou converse com seu médico e esclareça-as. Uma mulher informada é uma mulher segura e planejamento familiar faz toda a diferença na estrutura das nossas vidas.



Post Top Ad