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quarta-feira, 18 de abril de 2018

INSERÇÃO DE DIU DE COBRE: COMO FOI PARA MIM?

abril 18, 2018 0
Como é o processo de inserção do DIU de Cobre
Durante o processo de decisão para inserção do DIU de cobre fiz muitas pesquisas, li muito material do Ministério da Saúde e da OMS, mas, também li muitos relatos pessoais para entender como havia sido a experiência individual de cada uma. Claro, sabia também que cada mulher é única e, portanto, poderia ser completamente diferente comigo. Como os relatos foram importantes para mim decidi dividir aqui no blog o meu relato pessoal com vocês.

É importante dizer que cada médico tem uma conduta e o ideal é que você fale com o médico sobre todo o procedimento e a forma que ele realiza a inserção. Para saber mais sobre o DIU, já tem post aqui no blog, basta clicar aqui.

COMO FOI O PROCESSO ATÉ CHEGAR AQUI?

O processo até chegar a inserção foi extremamente demorado, cansativo, burocrático e moroso. Atribuo muito disto à falhas humanas, uma burocracia criada apenas com o intuito de impedir o acesso ao DIU, com base em juízo de valor de um médico, que burocratiza o processo, afim de fazer a maioria das mulheres desistir de realizar a inserção. No meu caso, desde a primeira manifestação de interesse em utilizar o DIU de cobre, até a inserção, se passou 14 meses.

O SUS tem OBRIGAÇÃO de fornecer o DIU de cobre (modelo padrão TCu 380A), bem como informar a todas as mulheres sobre vantagens, desvantagens, riscos, taxa de eficiência e tudo que envolve o processo, mas, são poucas as mulheres que resistem as burocracias impostas por vários médicos. Porque não "gostam" de inserir DIU de cobre, porque não sabem ou porque fazem juízo de valor com base numa medicina ultrapassada. Enfim, vários podem ser os motivos da burocratização e poucas mulheres aguardariam tanto tempo quanto eu. Eu sei. Sei também que nem todo mundo que acessa o SUS tem possibilidade de obter as informações necessárias para enfrentar esta burocracia inútil.

Após vários telefonemas, argumentações e contatos, fui encaminhada ao médico que realizou a inserção do meu DIU de cobre. O Dr. Marcelo Eduardo atende pelo SUS na minha cidade, Ibirité. A primeira consulta com ele foi realizada no dia 02 de abril e a inserção foi realizada no dia 16 de abril. Ou seja, Dr. Marcelo resolveu em 14 dias (duas semanas), o que o outro médico da mesma rede de saúde não resolveu em 13 meses. Isto, para mim, é mais uma prova de que muito desta demora tem a ver com a qualidade (ou falta dela) do serviço prestado por certos profissionais do SUS. 

O SUS pode funcionar, tem profissionais incríveis e tem sim um déficit de investimento muito grande no nosso país, mas, funciona na medida do possível e na medida em que os profissionais envolvidos não criam burocracias desnecessárias para desmotivar os usuários.


EXAMES PRÉ-INSERÇÃO


Segundo a Organização Mundial da Saúde, o DIU de cobre pode, inclusive, ser utilizado como  contracepção de emergência, isso quer dizer que EM TEORIA não demanda nenhum exame demorado ou complicado. Esta informação pode ser confirmada no MANUAL GLOBAL PARA PROFISSIONAIS E SERVIÇOS DE SAÚDE da OMS (página 52 e acessível neste link). No mesmo manual, na página 137, consta: "Em muitos casos, uma mulher pode começar a usar o DIU a
qualquer momento se houver certeza razoável de que ela não está grávida." Então, basicamente, é preciso não estar grávida e a anamnese é que vai indicar se há ou não riscos que indiquem necessidade de outros exames mais complexos. 
No caso da minha inserção foi solicitado: ULTRASSOM ENDOVAGINAL PARA ESTUDO DE ÚTERO (com a intenção de confirmar se meu útero estava na posição típica, em anteversoflexão), exame de Papanicolau (que já havia sido feito por solicitação da outra unidade de saúde burocrática). Alguns médicos colocam exigências como estar menstruada, não foi o caso do médico que realizou minha inserção. 

O DIA DA INSERÇÃO

A consulta estava marcada para 09:30hrs no "PACS Sede", no centro da cidade de Ibirité, com Dr. Marcelo Eduardo. Extremamente atencioso e interessado em resolver meu problema, porque esta inserção já havia se tornado um incoveniente.

Chegando ao consultório, o médico conferiu o resultado da ultrassom, fez anotações no meu prontuário e em seguida me encaminhou para a maca. Inseriu o espéculo para avaliar visualmente o colo do útero, nada anormal. Ok. A enfermeira chefe da UBS acompanhou e auxiliou no procedimento a partir daí.

Havia toda uma parafernália cirúrgica assustadora, parecia que era até algo grave, mas, eram apenas materiais estéreis para a manipulação do útero, que é delicada. Finalmente começou a inserção.

Como li muitos relatos pessoais antes de passar por este processo, tantos que nem sei precisar, me preparei para sentir uma dor incapacitante. Li várias mulheres que desmaiaram, caíram a pressão, então eu realmente me preparei para sentir a "dor da morte".

Primeiro ele fez a assepsia do canal vaginal e esta é, sem dúvida, a parte mais chata, mais incomoda de todas. Não sentir dor, mas, incomoda aquela gaze "esfregando" no canal vaginal.
Depois de inserir um outro espéculo, pediu para enfermeira direcionar o foco de luz para fazer a histerometria (processo de medição manual do útero, feito com uma cânula graduada em mm, se não me engano) e me avisou de que eu sentiria um "beliscão", foi o que senti, um beliscão leve e NADA ATERRORIZANTE. Fiquei o tempo todo pensando "é agora, hein, agora vai doer", e este momento nunca chegou.

Bom, feita a medição o médico pegou o DIU que a enfermeira já havia aberto e comparou com a medida encontrada. Me avisou que eu sentiria uma cólica, não senti muito, na verdade. Eu costumo ter cólicas bem fortes de uns tempos para cá, foi bem mais leve do que sinto normalmente. Então ele  inseriu e logo depois tirou o tubo que coloca o DIU de cobre dentro do útero, pegou uma tesoura enorme e cortou as cordinhas, não senti nem cócegas para isso. 

Não estava menstruada e após o procedimento permaneci com um leve sangramento por algumas horas, não durou até a noite. A cólica também durou um pouco depois da inserção, mas, um comprimido de Buscopan deu conta do recado.

Terminado o procedimento, o médico me entregou o cartão de paciente e colocou a data de troca do DIU para 2023. Porém, o DIU TCu 380A tem uma duração comprovada de, no mínimo, 10 anos. Nos EUA já aprovaram o uso por 12 anos. Não questionei a data, sei que o modelo fica 10 anos e achei mesmo que isso não seria motivo de discussão. O médico disse que: "não gosta que o DIU de cobre fique mais de 5 anos dentro da paciente, porque pode quebrar as cordinhas e dificultar a retirada do mesmo. Mas, até "uns" 7 anos (porque eu mencionei que talvez eu tenha outro filho quando acabar meu doutorado - estou na graduação ainda) ele aguenta!".

Eu estou muito feliz por não ter sentido dor nenhuma comparado ao que me preparei, sei que dor depende muito da sensibilidade de cada uma, mas, acho que ler coisas positivas sobre ela também ajuda.

A taxa de eficácia do DIU de cobre TCu 380A normoposicionado é de 99,4%. Lembrando que DIU normoposicionado é DIU de Cobre DENTRO do útero. Não importa a posição, a distância do fundo do útero. Precisa estar TOTALMENTE dentro do útero para funcionar. Apenas isto.

A recomendação agora é uma nova ultrassom após o primeiro ciclo menstrual, para avaliar a posição do DIU dentro do corpo. Após isto, não é preciso ficar fazendo exames de imagem sempre, apenas acompanhar pelo autoexame o posicionamento das cordinhas, tentando perceber se estão maiores que de costume ou se sente alguma ponta "endurecida" na saída do colo do útero, o que pode ser sinal de expulsão parcial do dispositivo.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

LAQUEADURA: UM DIREITO QUE PODE SER ADQUIRIDO PELO SUS [SE TOCA!]

maio 26, 2017 3
O assunto é: LAQUEADURA, um processo cirúrgico realizado com o objetivo de contracepção, a pedido de uma leitora querida do blog. Já falei por aqui e no canal do YouTube, sobre métodos anticoncepcionais fornecidos de forma TOTALMENTE GRATUITA pelo SUS, este é um assunto que será cada dia mais frequente aqui no blog e em todas as redes "Na Veia da Nêga", dentro da tag "SE TOCA", para informar e incentivar as mulheres à, cada dia mais, buscarem informações sobre o próprio corpo, saúde e intimidade.
A laqueadura, conhecida popularmente como "cirurgia de ligatura de trompas", consiste em interromper o caminho que leva os óvulos dos ovários até o útero, onde posteriormente são fecundados, se desenvolvem e viram bebês. A laqueadura é um dos métodos contraceptivos mais seguros, pois, sem óvulo, não tem feto e muito menos bebês. Mas não podemos deixar de dizer que é um método invasivo e, se o parceiro puder, por exemplo, optar pela vasectomia que é mais simples, e não exige longo período de recuperação, é com certeza uma opção mais confortável. 
No Brasil, existe uma lei federal que regulamenta a esterilização através da laqueadura, mais especificamente o artigo dez da LEI Nº 9.263, DE 12 DE JANEIRO DE 1996, dispões sobre tudo que pode ou não pode sobre o nosso corpo (ah, tá!), mas infelizmente, não basta a vontade da mulher ou a clara percepção e certeza de que é isso que ela quer, para o governo federal, uma mulher só pode não querer filhos de jeito nenhum, se já tiver dois filhos vivos (oi?). Como podemos ver a seguir, 
Art. 10. Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: (Artigo vetado e mantido pelo Congresso Nacional - Mensagem nº 928, de 19.8.1997)I - em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;II - risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.
§ 1º É condição para que se realize a esterilização o registro de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes.
§ 2º É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.
§ 3º Não será considerada a manifestação de vontade, na forma do § 1º, expressa durante ocorrência de alterações na capacidade de discernimento por influência de álcool, drogas, estados emocionais alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente.
§ 4º A esterilização cirúrgica como método contraceptivo somente será executada através da laqueadura tubária, vasectomia ou de outro método cientificamente aceito, sendo vedada através da histerectomia e ooforectomia.
§ 5º Na vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges.
§ 6º A esterilização cirúrgica em pessoas absolutamente incapazes somente poderá ocorrer mediante autorização judicial, regulamentada na forma da Lei.

Créditos da Imagem: Biosom | Acesse neste link
Pois bem, diante de tudo isto, em resumo, para acessar a cirurgia de laqueadura através do SUS, você precisa de: ter pelo menos dois filhos vivos, ter mais de 25 anos, se for casada, autorização do marido, se não for casada, testemunhas de que você está em posse de faculdades mentais ao tomar esta decisão e muita, mas MUITA PACIÊNCIA, para ouvir toda a argumentação dos médicos que vai muito além de questões profissionais, muitos chegam à apelar para o juízo de valor ou mesmo a religião. O que é de todas as formas, um absurdo, mas infelizmente, é preciso sublimar este preconceito para acessar algo que é DIREITO NOSSO. Vale também dizer que a lei se aplica tanto ao sistema público de saúde, quanto o particular e os planos de saúde também são obrigados à respeitar todo este trâmite. 
A laqueadura tem um índice de segurança em torno de 95%, ou seja, ainda é menos segura que o DIU ou o anticoncepcional hormonal, por exemplo, e com o passar do tempo a sua probabilidade de falhar aumenta, porque o tecido pode se regenerar sozinho, restabelecendo a ligação das trompas e fazendo com que um ou outro óvulo consigam fazer novamente o caminho natural. Tecnicamente falando, a cirurgia de laqueadura é considerada de baixa complexidade, mas exige anestesia e internação para a realização do procedimento.
E saibam, a laqueadura é REVERSÍVEL. É um procedimento difícil sim, mas totalmente possível através de uma nova cirurgia e, dependendo do caso, a reversão também pode ser feita pelo SUS. Mas, mesmo desta forma, é preciso pensar e muito se é este mesmo o seu desejo, não é um decisão que deve ser tomada no calor de brigas, desespero, nenhuma situação de stress e etc. 
Se restar alguma dúvida, será um prazer ajudar, é só enviar um e-mail para: nvdnega@gmail.com.

terça-feira, 4 de abril de 2017

SAIBA QUAIS SÃO OS MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS OFERECIDOS PELO SUS

abril 04, 2017 3
Métodos Anticoncepcionais fornecidos Pelo SUS
Por mais incrível que possa parecer, muita gente não faz ideia de que muitos métodos anticoncepcionais possam estar disponíveis GRATUITAMENTE pelo SUS. É claro que em alguns municípios onde a situação da saúde pública é mais precária, é complicado encontrar uma variedade de métodos mas, via de regra, o MINISTÉRIO DA SAÚDE em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, vai buscar fornecer métodos contraceptivos para a população (pobre ou rica), bem como reuniões de planejamento familiar para orientar sobre o melhor método à ser escolhido pela família.
Entre os métodos anticoncepcionais oferecidos gratuitamente pelo SUS, está o preservativo masculino (camisinha) que é um dispositivo de barreira (ou seja, impede o contato do espermatozoide com o útero e uma possível fecundação do óvulo), mas mais importante que isto é o fato da camisinha impedir o contágio de Doenças Sexualmente Transmissíveis, as DST's. Junto com a camisinha feminina, são os DOIS ÚNICOS MÉTODOS que além de prevenir uma gravidez indesejada, previnem a transmissão de doenças. Por isso a importância do uso, durante TODA A RELAÇÃO, se for usada da forma correta, a camisinha tem uma eficácia de até 98% na contracepção, quando utilizada como único método anticoncepcional. O preservativo também pode ser usado como método combinado ao DIU (saiba mais sobre o diu NESTE POST), por exemplo, aumentando sua eficácia.
Para saber quais são os demais métodos anticoncepcionais oferecidos gratuitamente pelo SUS é só assistir ao vídeo. Além de saber quais são, você ainda aprende um pouquinho sobre o processo de acessar à cada um.
Não se esqueça de compartilhar com as amigas ♥

sexta-feira, 17 de março de 2017

[QUASE] TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O DIU DE COBRE

março 17, 2017 0
Informação tem se transformado num bem precioso, ou pelo menos, as pessoas tem percebido agora que é um dos bens mais preciosos que temos. Tão valioso, que pode se tornar moeda de negociação ou arma de opressão. Já pensou nisto? Nos dias atuais, ter ou não ter a informação pode ser decisivo na vida de alguém e, a partir do momento que temos, a escolha de como utilizar esta informação é tão crucial quanto. Das formas mais conhecidas de dominação subjetiva, com certeza, reter ou liberar somente a informação que interessa, está no topo da lista, fazendo com que pessoas se tornem dependente de algo ou alguém por não conhecer algo ou conhecer equivocadamente, logo a informação é ouro e nós escolhemos se acumulamos ou se dividimos com nossos amigos, parentes e conhecidos. Aproveito para dar a sugestão: compartilhe este texto com suas amigas, parentes, conhecidas e, porque não, conhecidos homens também: a concepção e a contracepção devem ser, preferencialmente, uma decisão tomada pelos parceiros, quando existe uma relação saudável o suficiente para isto.

Os métodos anticoncepcionais são mais antigos do que você pode imaginar, Hipócrates (460-377 a.C.) já sabia, e descrevia, que sementes de cenoura selvagem poderiam reduzir a fertilidade da mulher, na mesma época, Aristóteles (384-322 a.C.) falava da utilização da Mentha Pulegium (hoje conh
ecemos como "Poejo") como anticoncepcional, estamos falando de mais de 2000 anos atrás, quando há descrição de que as pessoas já se preocupavam em, de alguma forma, controlarem a vinda de filhos. Na idade média, a preocupação em controlar a natalidade não era tão explicita ou pública como hoje, mas, verificar os manuscritos e encontrar estes registros nos diz algo so
bre tentarem isto, inclusive pesquisando formas de controlar também a fertilidade masculina. Em 1921, um estudo de Haberlandt (1885-1932), cientista alemão, sugeriu uma forma de controlar a fertilidade de coelhas, com ovários retirados de outras coelhas, daí em diante começou a busca de sintetizar estes hormônios, para que eles pudessem ser manipulados e produzidos em larga escala, sem continuar dependendo de partes de outros seres vivos. A primeira pilula anticoncepcional, em 1960, foi considerada uma revolução para a autonomia feminina. 

Mesmo sendo considerado uma revolução, a relação das mulheres com hormônios sintéticos está bem longe de ser definida como um mar de rosas, afinal, alterar quimicamente o funcionamento hormonal do corpo de várias mulheres, pode gerar reações que não podem ser previstas com precisão, afinal, cada ser humano é único. Entre os efeitos mais comuns relatados por mulheres, em relação ao uso de contraceptivos hormonais, estão dores de cabeça, dores no corpo, enjoo, aumento ou perca de peso excessivo, acnes, mudanças de humor, entre outros efeitos desagradáveis, mas que as mulheres acabam convivendo por acreditarem que estes são ônus compensados pelo bônus de conseguir controlar a própria fertilidade.

Outros métodos não hormonais vem sendo discutidos, recentemente com mais afinco, por mulheres e médicos, pois diminuem em muito estes sintomas e podem ser tão ou mais eficazes que os métodos que causam desconforto.
Ao contrário do que muitos pensam, o DIU é uma ideia que veio muito antes da pilula anticoncepcional, o primeiro registro de estudo que encontramos, é do Doutor Ernst Gräfenberg. Por volta de 1929, ele foi o primeiro médico à produzir, comercializar e implantar o que era chamado de anel Gräfenberg, podemos considerá-lo um "ancestral" do que conhecemos hoje como DIU. Hoje o DIU é o método reversível mais utilizado no mundo, porém no Brasil, ainda existe muito preconceito, por parte das mulheres, em relação ao dispositivo. Algumas dúvidas viraram senso comum no imaginário da mulher brasileira, mas quanto mais mulheres conhecem e desmitificam estas informações, mais o DIU entra para a lista de escolhas conscientes das brasileiras.

O DIU, assim como a maioria dos contraceptivos, vem avançando junto com a tecnologia e isso faz com que os efeitos adversos sejam menores. Muitas dúvidas ainda permanecem e, muitas delas, podem ser tiradas com seu médico, enfermeira obstetra ou médico da família, outras podem ser respondidos neste post:

O prazo de "validade" do DIU de cobre é, normalmente, de 10-12 anos, devendo ser trocado após este período pois perde a capacidade contraceptiva. DIU's hormonais, costumam ter menor duração.
O DIU de cobre não contém hormônios, sua contracepção se dá pela liberação contínua de metais no útero, tornando-o um ambiente hostil para implantação do óvulo.
Por não conter hormônios sintéticos, a maioria dos efeitos colaterais que incomodam as mulheres não vão se apresentar por conta do DIU, como ganho de peso, aparecimento de acnes, retenção de líquidos e etc. 
O DIU, assim como qualquer outro método contraceptivo, hormonal ou não, não é 100% eficaz. A eficácia do DIU de cobre é de 99,3%, por isto, é indicado o uso combinado de preservativo em períodos férteis, para aumentar a proteção.

O DIU de cobre é fornecido e aplicado GRATUITAMENTE pelo SUS, cada cidade tem seu procedimento, o ideal é procurar o posto de saúde da sua região e se informar sobre quais os tramites você deve seguir para realizar a implantação.
Todo método contraceptivo deve ser escolhido com a ajuda do seu médico, você entende do seu corpo, porém há questões técnicas que precisam ser avaliadas. Alguns fatores precisam ser levados em consideração na hora de escolher o DIU, como:


  • Alergia ao material;
  • Útero bicorno ou reverso;
  • Planejamento Familiar à curto prazo;
  • Dúvidas em relação à cólicas e sangramentos que podem ocorrer na utilização do dispositivo; 


O DIU PODE SER USADO POR MULHERES QUE AINDA NÃO TEM FILHOS, este é um dos mitos antigos do DIU e deve-se muito a negação dos direitos reprodutivos à própria mulher. Muitos médicos acham que 10 anos (período de validade do DIU) é muito tempo e, por não ter filhos, talvez seja melhor um método de curta duração. 

Este não é um método contraceptivo "abortivo", como muitas pessoas acreditam. O metal liberado pelo dispositivo, impede que óvulo fecundado se fixe na parede do útero, o que é O MÍNIMO pra que um feto exista. Sendo assim, não há aborto de feto, já que não houve fixação de óvulo fecundado na parede do útero.

O DIU não é acessível ao toque do dedo ou do pênis durante o ato sexual, por ser um dispositivo implantando no fundo do útero. O que fica para fora do colo do útero é a "cordinha", muito fina e pequena que, normalmente, é imperceptível pelo parceiro. 


O DIU NÃO PREVINE A TRANSMISSÃO DE DST's (doenças sexualmente transmissíveis), e por isto não dispensa o uso de preservativos. Parceiros sexuais eventuais não carregam estrela testa, demonstrando ou não se tem doenças sexualmente transmissíveis, nem todas tem sintomas externos ou evidentes no órgão sexual.


Restou alguma dúvida? Assista ao vídeo abaixo, com mais algumas informações, se quiser, pode deixar nos comentários suas dúvidas para eu tentar responder, ou converse com seu médico e esclareça-as. Uma mulher informada é uma mulher segura e planejamento familiar faz toda a diferença na estrutura das nossas vidas.



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