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sábado, 6 de maio de 2017

DEAR WHITE PEOPLE: UMA SÉRIE ONDE A BRANQUITUDE NÃO É O CENTRO DO MUNDO

maio 06, 2017 4

Esta não é uma série sobre "gente branca", ou sobre a branquitude, mas sobre todas as merdas que a gente pensa e sente, quando vocês saem por aí, fazendo branquisse!

Este post contém ~spoillers~ e se você faz parte da nova geração que não está pronta para isto, é melhor não ler.

"Dear White People", numa tradução livre "Cara gente branca", é uma série original da Netflix, lançada no Brasil em abril de 2017 e inspirada num filme, também da Netflix, com o mesmo nome. Confesso que, em vista do filme, a série é "NOSSA, MEU DEUS DO CÉU, QUE COISA MARAVILHOSA", porque achei o filme bem meia boca, na verdade. 
Sou viciada em séries com personagens negros, há um tempo comecei assistir uma série sobre vampiros exatamente porque vi um personagem negro na capa, sim, eu sou este tipo de pessoa. Comecei à assistir à "Dear White People" como quem esperava pelo racismo reverso, afinal, milhares de pessoas brancas fizeram um redevu na internet quando a Netflix divulgou a primeira chamada da série, reclamando sobre a empresa estar "promovendo a segregação entre negros e brancos", ou pior ainda "estarem apoiando o genocídio branco", WTF? E lá fui eu pensando, "é aqui o meu lugar, me encontrei numa série verdadeiramente opressora" contém ironia. Mas, a série reserva uma surpresa à quem acha que o titulo indica uma produção cheia de indiretas sobre pessoas brancas: A SÉRIE, DIFERENTE DO RESTO DO MUNDO, não é sobre vocês, brancos. Em "Dear White People", o centro do mundo somos nós, queridos!
Sam e Joelle (Atrizes:  Logan Browning e Ashley Blaine Featherson)
O cenário é uma conceituadíssima universidade norte-americana, como a maioria das produções dos Estados Unidos e, logo no primeiro episódio a branquitude americana se comporta como esperado: uma festa com blackface! Apesar da série mostrar um cenário em outro país, é possível reconhecer o ambiente das universidades brasileiras, principalmente as públicas, em especial onde eu estudo, diria. Alunos brancos que insistem na rasa e velha resposta: "Se a Sam pode falar de gente branca, nós também podemos de vocês, negros". "Dear White People" ou "Cara gente branca" é o nome do program de rádio apresentado por Samantha White, a "Sam". No programa, a jovem que recém se descobriu "militante negra" faz críticas ao comportamento dos seus colegas brancos de universidade e isso deixa eles um tanto quanto "bravinhos", a saída encontrada por eles? Fazer uma festa de Halloween cujo o tema incentiva os convidados a "soltarem o seu lado negro", as fantasias vão desde "jogadores de basquete" até "Nick Minaj" (muito mal diagramada, por sinal).
Mas, engana-se quem pensa que a série passa todo o tempo criticando às pessoas brancas, aliás, as criticas feitas de forma subjetivas são muito mais contundentes e engraçadas, várias vezes os comportamentos da branquitude que nos incomodam e machucam são mostrados de maneira engraçada, ou até mesmo sádica, eu diria. 
Aliás, quem não entende ironia não está habilitado à assistir "Dear White People", a série usa muitas vezes esta figura de linguagem, principalmente para responder àqueles comentários que sempre vem de pessoas que fazem parte da branquitude e não tem um pingo de noção. No episódio da festa racista, por exemplo, uma das personagens que eu mais gosto, Coco, Colandrea Conners, aparece na festa e um outro personagem branco toca nela, perguntando: "Nossa, como você conseguiu esta tinta?", em referência à sua pele escura, dentro daquela festa em que o esperado eram várias pessoas brancas pintadas de preto. Aliás, este papel um tanto imbecilizado que muitas vezes pessoas brancas se colocam, diante de nós, negros, é claramente retratado na série (pegou a referência? claramente, risos). 
Colandrea Conners (Atriz: Antoinette Robertson)
Por falar em Colandrea, a Coco, ela com certeza é uma personagem que ou você ama, ou odeia, não dá para gostar "mais ou menos" desta garota em "Dear White People". Coco é também uma jovem, negra, mas a pele é escura. Aliás, sou apaixonada por duas, tanto Coco quanto Joelle, mas Joelle é assunto para outro post. Coco começa a série sendo amiga de Sam e o motivo da briga que afasta as duas é? TAN-TAN-TAN-TAN! Privilégio conferido as negras de pele clara.
É muito difícil abordar esse assunto nas redes sociais, porque na maioria das vezes as negras de pele clara entendem que nós estamos chamando-as de brancas e, não é bem assim, não é mesmo? Sam critica durante toda série o comportamento "dormindo" da Coco, inclusive ela e Reggie (outro personagem da série que gosto) criam um app que deveria circular no campus marcando os negros que estão "acordados" (conscientes de sua negritude e atuando como integrantes do movimento negro "anti-branquitude" da universidade) e os que "não estão acordados" (negros que, não fosse a cor da pele, não são considerados "negros de verdade", atuantes na luta contra o racismo e a segregação, nem tanto a ver com o tom da pele, neste caso), este grupo inclui a Coco, na visão da Sam e Reggie. Mas, não vamos nos perder, pois o assunto aqui é, o privilégio das "Negras Negonas Clarinhas quase Brancas", expressão parecida com esta é usada pela Coco numa discussão com Sam. 
Reggie (Ator: Marque Richardson)
Sam, é a típica "novata" no movimento que acabou de se perceber, ou se aceitar, negra e só quer mesmo "botar fogo no engenho", as vezes com alguns negros lá dentro, já Coco é uma mulher negra, de pele escura que nunca teve a opção de "não ser negra" e me incluo neste grupo que, por mais que não nos aceitemos, a sociedade sabe muito bem que somos negras sim. Coco passa por aquela cena que todas nós, negras de pele escura, já passamos alguma vez na vida: todas as suas amigas terminam a noite com um cara e você? Não. Não desta vez!
Acredito que por isso meu amor pela Coco, que só vai experimentar seu cabelo natural lá pelo nono episódio, depois de estar na cama com Troy (seu namorado famoso e importante dentro do campus que, até o último episódio, não decide qual lado defender e permanece em cima do muro para manter seu papel político), e num rompante de tesão, ele lhe arrancar a lace-front (maravilhosa!) que ela usava. Coco, apesar de todas as críticas que tenho a ela, é totalmente compreensível. Teve que aprender, pela cor da sua pele principalmente, que deve sim agarrar as oportunidades que a vida lhe dá, que para nós não são muitas. Pelo final da primeira temporada, eu acredito que Coco será "menos branca" na próxima etapa (aliás, aguardamos ansiosamente a segunda temporada de Dear White People, ouviu, Netflix?) da série.
Como já disse, a série está longe de ser o que tanta gente reclamou sem assistir, uma coletânea de ataques as pessoas brancas, mas está mais para uma coletânea sobre a diversidade de nós, jovens negros, militantes ou não, que podem ser encontrados dentro de ambientes comuns, como a universidade, por exemplo. Várias cenas, piadas, trocadilhos e situações que nós, inclusive os brasileiros, passamos todos os dias. Dá para dar risada, para chorar, para aprender, para refletir e não é para atacar ou incitar o ódio contra a branquitude. Longe disto!
Pessoas que não são negras podem inclusive assistir com um olhar atento para aprender. A série mostra diversos comportamentos da branquitude, do ponto de vista de nós negros, que podem e devem ser evitados por vocês, de uma maneira muito didática, ou seja, fica IMPOSSÍVEL não aprenderem desta forma. 
Gostaria muito que a série "Dear White People" tivesse levantado tanto frisson quando os "13 Porquês" no Brasil, mas, aparentemente, racismo não é tão grave quanto o suicídio, não é mesmo?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

QUERIDAS MARCAS DE COSMÉTICOS NACIONAIS: MULHERES PRETAS TAMBÉM USAM BATOM

janeiro 04, 2017 1
QUERIDAS MARCAS DE COSMÉTICOS NACIONAIS: MULHERES PRETAS TAMBÉM USAM BATOM
Porque anda é preciso brigar tanto por representatividade? Aqui mesmo no blog existem vários posts sobre isto, explicando da importância, mostrando exemplos, bons e ruins, demonstrando como fazer e principalmente como nunca fazer, mas ainda assim é preciso desenhar para as empresas porque faz parte de sua obrigação moral enxergar todas as etnias com igual importância.
Falando especialmente da indústria cosmética, por muitas vezes chego a pensar que eles tem total certeza de que nós, mulheres negras, não consumimos seus produtos, porque é fácil perceber o quão ignoradas somos nas publicidades, anúncios, nas revistas, na televisão e em quantos campos mais eles aparecerem.
Das marcas de cosméticos nacionais é praticamente impossível encontrar representatividade nas redes sociais, exceto quando uma ou outra lança uma coleção "exclusiva" com algum "morena" ou "exótica" embutido no nome e nós apenas engolimos esta "representatividade". Como consumidora com dinheiro que vale igualmente ao de mulheres não negras, o mínimo que espero é ter a alguma noção de como uma determinada sombra ou batom provavelmente vai se comportar na minha pele. Não venham me convencer aqui de que as marcas não sabem que em nossa pele as cores se comportam de forma diferente, o contraste altera a cor e tudo isto que nós já sabemos ou descobrimos da pior forma, que é comprando um batom maravilhoso na modelo branca que fica totalmente diferente em contraste com a nossa pele.


Ontem minha amiga querida, Nayara Garófalo (do Blog TW: Preta), me fez lembrar da Eudora, marca nacional que faz parte de uma rede onde outras bastante conhecidas e consumidas também integram e nada fazem para incluir representatividade em suas redes sociais. Embora eu prefira não consumir marcas nas quais eu não me vejo ou não fazem o menor esforço para terem representatividade às mulheres negras, hora ou outra eu sou obrigada à fazê-lo, afinal, fica difícil consumir apenas +MAC Cosmetics e +NYX Professional Makeup, não é mesmo? 






É basicamente disto que falamos ao cobrar das marcas que sejamos IGUALMENTE representadas em suas redes sociais e publicidades, porque nós mulheres negras temos tanto direito quanto as outras de nos enxergar com estes produtos. E, como já foi explicado anteriormente, faz muita diferença sim o tom de pele para a apresentação do cosmético, além das postagens apresentadas aqui não deixarem dúvidas disto. E, avaliando a última hipótese de que "é tudo igual" ou "dá tudo na mesma", porque é então que só temos demonstração de um lado? 
Pois bem, não é igual, como vocês puderam ver bem exemplificado, além de nos poupar um tempo valiosíssimo que é gasto entrando nas lojas nacionais e sendo ignorada pelas vendedoras ou tratadas com descaso, que é o que acontece comigo, além de outras leitoras relatarem isto na página constantemente, em 100% das vezes que entro em uma loja da +Eudora, do +O Boticário ou da +quem disse, berenice?.
Queridas marcas de cosméticos nacionais, mulheres pretas também usam batom. Por gentileza, adaptem-se. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

LEI 10.639/2003 - O ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA É OBRIGATÓRIO NO BRASIL, VOCÊ SABIA?

setembro 27, 2016 0
Entrevista com a Secretária de Educação do Estado de Minas Gerais, Macaé dos Santos Evaristo, falando sobre assuntos pertinentes ao movimento negro, dentro do campo educacional.
Macaé Evaristo dos Santos - Secretária de Educação do Estado de Minas Gerais (Foto: Rosália Diogo)
A lei 10.639/2003 altera a Lei  9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Isto passa a ser obrigatório, nas instituições de ensino fundamental e médio, sendo públicas ou particulares. Mas infelizmente, sob as mais infundadas justificativas inclusive religiosas, muitas das nossas instituições de ensino, não tem cumprido esta lei que é federal, ou seja, vale para todo o país.
Nesta entrevista feita no dia 24 de julho, tive a honra de conversar com Macaé Evaristo sobre diversos aspectos da lei, envolvendo sua aplicação, as dificuldades na implantação e a importância dela. Além é claro, de falarmos sobre a atual situação política do nosso país, dando destaque aos retrocessos na educação.

Sobre a Lei 10.639, para você, qual o significado dela dentro do movimento negro do Brasil?


"Primeiro eu acho que a lei é uma ação afirmativa curricular, ela é muito importante porque ela altera a lei de diretrizes e bases da educação, para incluir História e Cultura dos Africanos e dos Afro Brasileiros nos currículos escolares, eu entendo que a lei é um marco porque ela vai depois ter reflexo em várias outras normativas educacionais, inclusive na construção de diretrizes curriculares, para educação (dentro) das relações étnico-raciais, ensino de história e cultura africana e dos afro brasileiros. A lei também vai acabar abrindo e tornando visível, a necessidade de diretrizes específicas para tratar da educação das populações quilombolas, então digo que esta lei é um marco porque a partir dela vai ficar visível, o despreparo das nossas instituições de ensino superior responsáveis pela formação de professores, no cumprimento desta determinação, porque nós não tínhamos dentro das nossas instituições núcleos de pesquisas, de estudo, produção de materiais, para a formação de professores e que pudessem ser utilizados na educação básica. Cabe destacar que, no momento da homologação da lei, nós tínhamos no Brasil cinco centros de estudos africanos em universidades, mas estes centros estavam preocupados com outras áreas de conhecimento, pouco preocupados em pensar uma agenda curricular para a educação básica que incorporasse a produção africana das ciências, artes, literatura."

Além das mudanças operacionais, quais as mudanças estruturais que a Lei 10.639/2003, trouxe para o nosso sistema educacional?


"Após a lei o MEC vai construir alguns editais que vão ser muito importantes, vai construir um edital do Uniafro por exemplo, que vai favorecer que instituições superiores no país, possam  começar a constituir os seus primeiros núcleos de estudos africanos africanos, núcleos de ações afirmativas e núcleos que vão tratar a questão da juventude negra. Este edital do Uniafro, ajudou a instituir vários cursos de pós-graduação nesta área e serão destes cursos, que depois nós teremos aí os nossos primeiros mestres e doutores que vão trabalhar toda esta agenda. O cenário hoje, treze anos depois da lei, é muito distinto do que nós tínhamos em 2003, tanto no que diz respeito à profissionais com formação necessária para formar professores na educação superior mas também, na educação básica, a questão do material didático eu posso dizer isto, porque em 2004 eu coordenava a área de política educacional de Belo Horizonte, nós fizemos o primeiro edital para aquisição de livros em cumprimento à lei, foi um kit de literatura afro brasileira e naquele momento nós conseguimos comprar 56 obras sobre o tema, mesmo assim muitas das obras tinham 30, 40 anos, não tinhamos um recente de publicações nesta temática, dois anos depois, quando fomos fazer o segundo kit  nós já recebemos mais de 100 títulos, então foi muito importante essa agenda, o mercado editorial captou rapidamente e abriu portas para uma literatura africana e afrobrasileira, assim como abriu campo também para uma maior conexão da literatura dos escritores brasileiros com escritores dos países africanos de língua portuguesa, cada vez ampliando mais para todo o continente africano. "

Muitos atribuem à falta de qualificação dos professores, a dificuldade em se encontrar profissionais que consigam ajudar a escola no cumprimento da lei. Outros porém, atribuem a falta de material didático. O que percebemos claramente, é um "jogo de empurra-empurra" na hora de explicar porque não se cumpre às determinações nas escolas. À que devemos atribuir esta dificuldade?


"A parte de materiais, eu falo que eu adoro principalmente literatura infantil, é uma coisa que sempre consternava quando você ia trabalhar com crianças,  é que você não tinha um material que apresentasse a população negra de uma maneira afirmativa, como reis e rainhas, para que ela (a criança) gostasse de se ver naquela obra. Hoje nós temos inúmeras , hoje não é porque não temos material, a dificuldade de fazermos isto na escola não é pela falta de material ou não ter a formação de professores (é claro que a gente precisa fazer muito mais), é preciso nós entendermos que como uma ação afirmativa, esta lei atua fazendo uma “disputa” de concepção, então a escola assim como a sociedade brasileira, ela também é racista e, nós vamos enfrentar isso. "

Como pais e outros membros da comunidade escolar, podem enfrentar e denunciar, casos de descumprimento da lei dentro das instituições?


"Mas, como enfrentar? Eu acredito que hoje, nós temos mecanismos como, procurar a secretaria de educação, procurar o ministério público, nós temos ouvidorias na área de educação, as pessoas devem procurar, as famílias devem atuar e entender que quando nós estamos falando de um ensino de história, cultura dos africanos e dos afro brasileiros, não estamos falando de proselitismo religioso, porque eu também defendo o estado laico, cada pessoa ou família escolhe a sua crença, a sua fé, o seu sagrado, não cabe a escola ter nenhum tipo de influência nesta área, agora, traduzir a cultura, a memória, a produção cultural e científica dos africanos, a uma ideia de religião, também é uma forma de opressão, também é uma forma de desconstrução (negativa), eu acho que quanto a isto a gente precisa estar atento e forte, denunciar e agir."

Estamos vivendo em nosso país, um momento grave e de muitos golpes também contra a educação. Escola sem partido, propostas de alterações nos currículos escolares, flexibilizações que prejudicarão os docentes e os discentes. Qual a sua visão sobre isto?

"Eu acho que nós estamos neste momento, um momento grave, esta repressão ela vem de diferentes formas. Eu quero falar do “A escola sem Partido”, eu acho que é muito grave isto, isto é quebrar a constituição de 88, é quebrar a nossa lei de diretrizes e bases da educação nacional, onde diz da liberdade de aprender, de ensinar, da pesquisa, ou seja, da liberdade de docência. Isto é muito grave, porque um estado que concebe, que cinco famílias podem ser proprietárias dos maiores veículos de comunicação, que disputam visão de mundo e concepção e quando se faz qualquer coisa contra esses grupos midiáticos, as pessoas falam que nós estamos batendo na liberdade de expressão, mas as pessoas não tem nenhum pudor, de bater na liberdade de docência. Eu acredito, na educação brasileira, na escola pública, acredito nos educadores e nós não vamos nos calar. A docência ela precisa ser livre, porque isto é uma marca de uma sociedade democrática, não existe democracia, sem liberdade de pensamento. "

Macaé Evaristo, também falou ao blog Na Veia da Nêga, sobre sua trajetória acadêmica e, os desafios que ainda não conseguimos superar na educação da população Afro brasileira. CONTINUAR LENDO...

AÇÕES AFIRMATIVAS: OS CONSERVADORES BRASILEIROS ACUSARAM UM GOLPE E, POR ISTO, DERAM UM GOLPE

setembro 27, 2016 0
Entrevista com a Secretária de Educação do Estado de Minas Gerais, Macaé dos Santos Evaristo, falando sobre assuntos pertinentes ao movimento negro, dentro do campo educacional.
Macaé Evaristo dos Santos - Secretária de Educação do Estado de Minas Gerais (Foto: Rosália Diogo)
Em 2016, completamos quatro anos de uma das mais significativas mudanças na área da educação, no que diz respeito às políticas de ações afirmativas de reparação, para a comunidade negra do Brasil. A política de cotas, só foi aprovada em 2012, antes disto o movimento negro já lutava por mudanças e depois dela também já vieram outras conquistas. As cotas raciais e sociais, ainda que alguns considerem "pouco", são um marco importante na caminhada dos Afro brasileiros.

Comparando as várias fases do nosso cenário educacional, o que mudou e o que ainda deve mudar, na educação oferecida à população negra?

"Bom, eu acho que é importante a gente considerar que, primeiro a nossa sociedade ela se estruturou sobre o racismo e a nossa herança pós-abolição foi a exclusão das políticas públicas e, isto não é diferente, quando a gente fala de educação. É sempre bom quando a gente fala ações afirmativas, de cotas raciais, nos lembrarmos que no final do século XIX, nós tivemos dois decretos do estado brasileiro, que proibiam o acesso de crianças negras à escolarização. E adultos negros, só poderiam ter acesso à educação, se o professor aceitasse, se houvesse vaga e no horário noturno. Eu falo que estes dois decretos vão marcar, toda a lógica da organização educacional, ao longo do século XX. Ou seja, nós temos uma tarefa por fazer, que é garantir acesso à educação em todos os níveis, desde a educação infantil até a educação superior, para a população negra. Eu fiz o curso superior, na década de noventa, num contexto de que algumas mulheres negras conseguiram fazer educação superior, trabalhando o dia todo, porque eu fiz o curso de magistério de nível médio, fiz concurso para a rede pública de Belo Horizonte e como eu fui aprovada no concurso, consegui deixar minha família no interior, me manter em Belo Horizonte e pagar os meus estudos, ou seja, eu trabalhava manhã e tarde, para pagar meus estudos à noite. Naquele momento, nós não tínhamos nenhum cenário ou nenhuma política pública que apoiasse a inserção de jovens, mulheres e homens negros, na educação superior. Naquele momento, nós também não tínhamos universalizado, o que poderia chamar de “os anos iniciais” do ensino fundamental. É importante demarcarmos no âmbito da educação, que nós vamos universalizar, de 6 a 14 anos, o acesso à educação, na década de noventa. E só agora, com o novo plano nacional de educação, é que nós estamos preconizando a universalização do acesso, para a população de 4 e 5 anos e  para os jovens de até 17 anos. Então, nós chegamos ao século XXI com uma tarefa por fazer, no que diz respeito à educação, que veio do século XIX, porque se fez a abolição da escravatura, mas se negou o direito à políticas educacionais, de saúde, políticas de habitação, de acesso à terra, para a maioria da população brasileira, porque naquele momento nós já éramos maioria da população brasileira. "

Você se formou há 20 anos atrás num curso superior, dentro de uma instituição particular e reconhecidamente ocupada por, aqueles que podemos chamar, "herdeiros sociais", de lá pra cá, o que você acredita ter mudado no cenário da educação superior?

"O que mudou, eu acho, na cena educacional? É inegável e nos devemos reconhecer que a universalização do ensino fundamental, a ampliação do acesso ao ensino médio e políticas de ações afirmativas, que muitas vezes se iniciaram pela ação, do movimento negro, ou dos negros em movimento, foram colocadas em atuação. Só para gente ter uma ideia, a Frente Negra, lá no inicio do século XX, a primeira metade do século XX, já preconizava e já dizia da importância ao acesso do jovens negros, à educação superior. E nós só vamos conseguir aprovar cotas, nas instituições federais de ensino superior, em 2012, numa perspectiva de que o projeto ele teria quatro anos para se efetivar na sua integralidade, então 50% das vagas de todos os cursos, de todas as turmas, deveriam ser compostas por alunos  oriundos da escola pública e, ao pensar cotas sociais, se incorporou também o critério de cotas raciais, com a compreensão de que no Brasil, não se trata somente de uma questão de classe social, entender que o componente racial, como categoria sociológica, raça como uma construção social e política é importante, porque isso determinou muitos lugares, acessos.

Estes "lugares" determinados pela sociedade, como eles influenciaram nessa clara divisão das universidades, que até então, eram ocupadas pelos tais "herdeiros sociais"?

"Se a gente olhar, estudos por exemplo, tem muitos estudos hoje que recuperam a história da escola no Brasil no final do século XIX, nós já tínhamos professores negros, já tínhamos estudantes negros, participando no ensino fundamental e até na educação superior, porque o contingente populacional de negros, não era só de negros cativos, nós já tínhamos negros alforriados, que trabalhavam no Brasil em diferentes situações e o que a gente vai ver pós-abolição, é um branqueamento do acesso, ou seja, da população negra nesses espaços, considerados espaços de poder, porque sim, são capazes de transformar as relações sociais, mas também podem incidir fortemente nas relações de classe e de mobilidade social. "


Então hoje, o que temos de novo no campo educacional, reconhecido pelo movimento negro brasileiro? Você acredita que as redes sociais e blogs, como o meu por exemplo, podem contribuir positivamente às mudanças?

"Então hoje, o que a gente tem de novo, no século XXI? Ainda temos uma agenda, do século XIX  por fazer, mas eu acho que nós temos um componente diferente hoje, que é a possibilidade de uma maior articulação e expressão pública do movimento negro e da constituição de redes, eu acho que esta é uma ferramenta nova. Ao mesmo tempo que é uma ferramenta nova para a opressão, ela também é uma ferramenta nova que pode ser usada no sentido emancipatório. E acho que a gente consegue hoje, quando eu estou aqui, falando com dois jovens que estão utilizando a internet, fazendo canal, fazendo uma mídia educativa, uma mídia alternativa que rompe com a lógica dos grandes grupos midiáticos no país, eu acho que este conteúdo é diferente. E nós tivemos políticas públicas que também é importante a gente reconhecer isto, nos últimos anos nós tivemos editais específicos, nós tivemos a construção  dentro dos governos, de setores específicos, então a construção de um ministério, de uma secretaria especial de políticas de promoção da igualdade racial, de criação dentro do ministério da educação, de uma secretaria de educação continuada, alfabetização, diversidade e inclusão, foi muito importante, na área de saúde inclusive, nós tivemos em diferentes áreas, organizações (de áreas) que se preocuparam em instituir políticas públicas para a população negra. Isso deu tanto efeito, que a gente vê agora, no momento que nós vivemos um golpe, a primeira linha de frente para ser atacada, foram as políticas de diversidade e as políticas de inclusão, tamanha a força que se reconhece nessas áreas. Que nós, que somos ativistas e militantes, ainda achamos que “foi pouco”, mas os setores conservadores da sociedade brasileira acusaram um golpe e, por isso, deram um golpe. "

Macáe Evaristo, também falou ao blog Na Veia da Nêga, sobre as dificuldades de aplicação e avanços, provocados pela lei 10.639/2003. CONTINUAR LENDO...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

12 CORES DE BATONS NA PELE NEGRA - BATONS QUEEN

setembro 26, 2016 0
Todo mundo sabe que, na pele negra, os batons tem um contraste especial e por muitas vezes, nos surpreendem com um resultado totalmente diferente do apresentado em peles que não são negras. 
No post de hoje e no vídeo do dia no canal do Youtube, vou mostrar à vocês alguns batons da Queen com aplicação em pele negra.


Queen 01
12 CORES DE BATONS NA PELE NEGRA - BATONS QUEEN

Queen 05
12 CORES DE BATONS NA PELE NEGRA - BATONS QUEEN

Queen 07
12 CORES DE BATONS NA PELE NEGRA - BATONS QUEEN

Queen 08
12 CORES DE BATONS NA PELE NEGRA - BATONS QUEEN

Queen 08
12 CORES DE BATONS NA PELE NEGRA - BATONS QUEEN

Ficou curiosa para ver as outras cores? Confere o vídeo de hoje no canal, além de nove batons da primeira coleção da Queen, tem três batons bônus da marca:

segunda-feira, 25 de julho de 2016

PRETA CREATOR: PORQUE EU RESOLVI ME TORNAR YOUTUBER?

julho 25, 2016 0
A cada dia mais mulheres negras decidem ocupar o Youtube e se tornar criadoras de conteúdo. Maquiagem, moda, comportamento e tantos outros assuntos são abordados pelas mulheres negras, com qualidade e propriedade. Então, quer saber porque eu decidi entrar neste mundo?
PRETA CREATOR: PORQUE EU RESOLVI ME TORNAR YOUTUBER?
Atualmente as mídias alternativas tem sido a saída encontrada por produtores e consumidores de conteúdo quando buscam por representatividade. As mídias convencionais são todas no padrão "europa de qualidade", ficando impossível se sentir "normal" diante de todas as opções (quase iguais) que são apresentadas. Geralmente às apresentadoras são brancas, heterossexuais, magras, altas e nós estamos longe de nos encaixar neste modelo de mídia.
Com a democratização da internet, a facilidade de produzir e colocar seu conteúdo em sites como o Youtube por exemplo, nós passamos a encontrar, poder ser a representatividade que tanto procuramos e este com certeza é o motivo mais determinante para eu ter decidido produzir conteúdo para o youtube.
Mas não basta apenas produzir, tem que se dedicar a entregar um conteúdo de qualidade técnica exemplar, afinal nós youtubers negras não contamos com o privilégio social de, "nossa carinha padrão já contar pontos na história". Por isto na hora de decidir ser uma Youtuber, a mulher negra já deve imaginar que o trabalho é DOBRADO. 
Conteúdo de qualidade com o máximo de técnica e ainda conciliar com a vida corrida que a maioria de nós leva. Quem é que escolhe esta loucura?
Nós, as mulheres negras "loucas" e buscando a todo tempo a representatividade. No começo dos tempos "internauticos", era praticamente impossível encontrar produtoras de conteúdo negras e felizmente este cenário vem mudando. Aqui no blog você encontra, uma lista com CINCO YOUTUBERS NEGRAS QUE EU ACOMPANHO e indiquei para vocês conhecerem também. Mulheres que descobriram que sim, podem e devem colocar a sua marca na internet. Mercado e público com certeza existem para os mais variados assuntos, então, porque não arriscar?
E é por tudo isto que eu decidi ocupar outra base além do blog, acredito que esta plataforma sempre terá os seus amantes, mas precisamos sim nos dar a liberdade de ser representatividade em diversos lugares e criar conteúdos diversificados. Temos hoje, a possibilidade de falar daquele assunto que a gente sempre procura e nunca encontra, ou só encontra de maneira não satisfatória, então porque não tentar?
Ser uma creator negra não é fácil, dá trabalho, cansa, tem dias que a internet não funciona, tem dias que o computador ameaça pifar de vez, às vezes dá vontade de parar com tudo, mas na maioria dos casos a recompensa é quando o nosso conteúdo chega as nossas iguais e é para elas que nós youtubers negras produzimos. Sejamos hoje, a representatividade que nunca tivemos!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER

julho 01, 2016 0
O post de hoje traz cinco youtubers negras que você precisa conhecer. A televisão aberta não nos representa na nossa diversidade e milhares de características enquanto mulheres negras mas o YouTube sim. Então desliga a TV e vem conhecer os canais das pretas!
CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER
Que saudade de trazer essa tag aqui para o blog, fico muito feliz que este projeto tenha começado aqui e esteja se espalhando pelos blogs de meninas negras por todo o Brasil. A ideia é esta, divulgar o trabalho das blogueiras e youtubers negras que vem colocando representatividade nesta internet e usando isto como ferramenta de mudança também na vida real.
Como vocês já sabem, eu também inaugurei o meu canal no YouTube (clique aqui para conhecer) e com isto tenho passado um pouco mais de tempo assistindo à vídeos e conhecendo canais de vloggers muito boas. O #DivulgueAsPretas de hoje vai indicar cinco youtubers negras que eu tenho acompanhado e gostado MUITO do conteúdo, é uma boa oportunidade para vocês se inscreverem e conhecerem o trabalho das meninas, então vamos a elas:

CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER
Canal Laine Souza MakeUp - Laine é maquiadora e fala sobre beleza, dicas de maquiagem para a pele negra, dicas para cuidar do cabelo crespo e muito mais. O canal é novo e acho que eu encontrei bem no comecinho. Adoro os vídeos da Laine e não preciso puxar saco, vocês me conhecem. Indico porque realmente acho o trabalho dela muito bom!



CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER
Canal Beleza Black Power - Kelly é administradora, blogueira e agora vlogger. Fala com uma propriedade incrível sobre tudo que se propõe a fazer mas principalmente e de forma mais encantadora de filmes, livros e autores negros que faz você com certeza querer conhecer todas as personalidades apresentadas. Eu não me lembro de ter visto mulheres negras no youtube falando sobre livros ou filmes e se existem são poucas, vale prestigiar essa maravilhosa. Tem vídeo novo toda quarta e sexta-feira.

CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER
Canal Belamorfose Por Carina Paiva - Na minha busca incessante por vídeos sobre a vinte e cinco de março antes da minha viagem a São Paulo, conheci o canal da Carina Paiva e não é que eu encontrei a moça passeando lá na vinte e cinco? Super coincidência da vida que me mostrou que ela é realmente muito alegre e simpática! O canal da Carina fala de maquiagens, dicas de organização, cabelo crespo e cuidados na transição, eu gosto muito dos vídeos dela. Com simplicidade e sem frescura ela fala de maquiagem para nós, mortais. Se você assim como eu gosta de vídeos práticos e que são realmente fáceis de reproduzir, vai adorar o canal Belamorfose.


CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER
Canal Mary Vaidade em Dobro - Sou inscrita no canal da Mary a muito tempo e lá ela fala sobre um mundo de coisas: maquiagem, compras, revenda de marcas de cosméticos nacionais, tutoriais. Uma das coisas que me fez seguir o canal da Mary é porque ela é extremamente dinâmica, original e nem um pouco forçada. Eu particularmente não consigo seguir e nem acompanhar quem faz as coisas dentro de um script muito engessado e a Mary é totalmente o oposto disto. Vale a pena se inscrever e acompanhar.

CINCO CANAIS DE YOUTUBERS NEGRAS PARA VOCÊ CONHECER
Canal Na Veia da Nêga - E como eu não poderia deixar de fazer o meu próprio jabá, o meu canal entra nesta lista! O canal do blog é um reflexo fiel da minha pessoa e lá você vai encontrar diversos assuntos que eu abordo com a maior naturalidade afinal, é maravilhoso falar daquilo que temos vivência para explicar. O canal Na Veia da Nêga tem vídeo toda segunda-feira no quadro "Blogueira de Segunda" onde eu dou dicas de produtos baratos sem perder a qualidade que podem facilitar em muito a sua vida e durante a semana tem mais um (ou dois quando dá tempo) vídeo bônus sobre resenhas, tutoriais, falando da maternidade solo e mais o que me der na telha. Então aproveita para conhecer esta outra plataforma que o Na Veia da Nêga está ocupando agora.

Aproveitem para se inscrever e conhecer estes canais, além de prestigiar o trabalho de mulheres negras que estão ralando para produzir um bom conteúdo você ainda "corre o risco" de encontrar alguém com o tom de pele ou cabelo parecido com os seus para trocar dicas e experiências, não é o máximo? Espero que tenham gostado e aproveitem para conferir os outros posts do Divulgue As Pretas com blogs muito legais que já passaram por aqui. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

TYRA BANKS CRIA LINHA DE MAQUIAGEM PARA MULHERES NEGRAS

junho 28, 2016 3
A atriz americana Tyra Banks cria uma linha de maquiagem para mulheres negras: "Estava cansada de ver mulheres com a pele negra sem conseguir fazer contorno. Criei esses produtos para que todo mundo tivesse a possibilidade de brincar com sombras e iluminação.
TYRA BANKS CRIA LINHA DE MAQUIAGEM PARA MULHERES NEGRAS
Atire a primeira pedra a mulher negra que nunca teve dificuldades para encontrar a maquiagem que se adaptasse a sua pele. E falando de nós negras de pele mais escura, atire outra pedra aquela que nunca teve dificuldade de fazer um contorno decente, porque já é duro encontrar uma base no nosso tom imagine então encontrar uma mais escura para o contorno, não é mesmo?
Neste mês a a atriz Tyra Banks que já possuí marca de Makeup nos Estados Unidos incluiu á sua loja uma linha de maquiagem para mulheres negras na intenção de produzir representatividade, nada mais juto já que ela é também uma mulher negra e deve ter sentindo muito na pele a dificuldade que nós percebemos na hora de encontrar maquiagens que contemplem o nosso tom.
TYRA BANKS CRIA LINHA DE MAQUIAGEM PARA MULHERES NEGRAS
Em entrevista ao site Essence, Tyra disse "Tenho o desejo e a responsabilidade de garantir que todas as mulheres que usam meus produtos se sintam lindas e representadas", seria muito bom que todas as marcas sentissem que as mulheres negras querem se sentir representadas e principalmente enxergadas como mercado consumidor exigente, no Brasil por exemplo a sensação é de que o mercado produtor acostumou-se com a consumidora que "compra o que tem e se vira na adaptação" quando na verdade quem deveria se adaptar a nós seriam os produtos e não o contrário. 
Isso só vai acontecer, quando as mulheres negras conseguirem impor que são parte significativa no mercado consumidor de cosméticos e exigirem que os produtos para nosso tom não sejam "improvisos" ou misturinhas e sim feitos para nós e nossa diversidade. 
TYRA BANKS CRIA LINHA DE MAQUIAGEM PARA MULHERES NEGRAS
Na linha de maquiagens de Tyra Banks, o iluminador que antes contava apenas com o tom "champagne" agora também pode ser encontrado no tom "Golden Bronze" e assim fica mais difícil parecer que você acaba de jogar um pote de purpurina cinza no rosto.
A caminhada é longa e temos muito a percorrer principalmente no Brasil, mas é tomando atitudes como estas que deixaremos de ser invisibilizadas.
Não dá para dissociar racismo das coisas mais corriqueiras e banais, como por exemplo uma mulher negra chegar a uma loja de maquiagens e virar motivo de chacota quando todos os produtos que ela experimenta parecem mais uma fantasia do que algo para acrescentar a sua beleza. Não dá para desconsiderar o racismo quando uma marca nacional produz nove tons de base com apenas três que contemplam a pele negra. Nós queremos que o Brasil siga estes exemplos e comece a enxergar a diversidade da mulher brasileira, não apenas nas falas comerciais mas também na prática e nas prateleiras.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

MILITÂNCIA NEGRA, A SUA ESTÁ SEGUINDO A CARTILHA DO MOVIMENTO?

junho 08, 2016 0
Muito se fala sobre "militância negra" nos dias de hoje e tenta-se muitas vezes criar uma espécie de cartilha onde utopicamente seriam incluídas todas as formas de agir e às vezes até classificando-as como mais ou menos importantes no cenário negro brasileiro. 
A MILITÂNCIA NEGRA - Partido Panteras Negras (Movimento Black Panther 1966 EUA)

Nosso país está entre as duas extremidades da luta contra o racismo e o preconceito: de um lado temos aqueles que lutam, brigam, buscam, procuram soluções e de alguma forma (estando ela na cartilha "militância negra" ou não) e na outra  ponta temos aqueles que não tem mais pudor ou vergonha de escancarar seu preconceito baseada na falsa alegação de "liberdade de expressão". Estando dentro deste cenário de verdades e "opiniões" escancaradas fica praticamente impossível então não ser militante de alguma forma.
Então, o que significa militância negra para você? Hoje, na minha concepção levantar da cama e colocar a cara negra na rua, já é uma militância e reconheço que posso ser considerada de sorte por esta ser a minha realidade, já que para muitos negros e negras brasileiros não é preciso sair de casa para ser dado como um sobrevivente nesta nosso "corre diário". Ser um negro militante é acordar, se olhar no espelho e não odiar o seu reflexo, seus traços e não falo apenas de cabelo falo também dos casos de automutilação que ainda acontecem na tentativa de parecer "menos negro", falo dos casos de suicídio e tentativas de por conta de preconceito e racismo que os negros sofrem todos os dias. Ser um negro consciente disto no Brasil por si só, já representa uma militância diária e pesada.
A MILITÂNCIA NEGRA - Partido Panteras Negras (Movimento Black Panther 1966 EUA)
A militância negra não se resume a nada que possa ser classificado ou "enquadrado" numa tabela e há de se reconhecer a importância de todas estas ações, há de se saber a importância de que todos os negros reconheçam e em sua área atuem na questão de alertar e serem ativos de alguma maneira. Há alguns dias, li um texto muito legal problematizando a questão do "empoderamento estético" tratando a famosa polêmica da geração tombamento dentro do movimento negro brasileiro e entre muitas coisas ditas uma das mais importantes para a minha leitura foi levar em consideração que o empoderamento estético tem sim extrema importância na vida dos negros pois não há como lutar pela valorização da vida e de pessoas iguais a você quando você se odeia primeiramente. Vale dizer também que não estamos com isso reforçando a ideia de que "faça bem ou faça mal o importante é fazer", isto é um pensamento imaturo diante de uma questão tão importante quanto ser um negro ativista de alguma forma, neste país. É fundamental sim entender que cada um de nós tem papel importante nesta sociedade e que as atitudes de cada um influenciarão no todo, seja de maior ou menor forma. Estar em movimento e ter consciência de que você pode ser militante em qualquer área da sua vida traz junto o entendimento de que seus atos tem um eco de enorme importância na vida do povo negro, vem daí a responsabilidade sobre agir de maneira coesa e coerente na busca do respeito para todos.
A MILITÂNCIA NEGRA - (Official Theatrical Trailer - THE BLACK PANTHERS: VANGUARD OF THE REVOLUTION)
 Afroeducar a população é necessário para que nos entendamos como um povo e como as ações individuais geram reflexos no coletivo, os atos que trouxerem resultado positivo podem e devem ser valorizados. Não existe portanto, uma "Cartilha da Militância Negra" a ser seguida afinal as atitudes e as ferramentas estão em constante transformação. Cabe a nós esperar sempre que estas mudanças sejam positivas e benéficas para o povo negro e repensar aquelas atitudes que prejudicam nosso crescimento. Ser negro no Brasil é ser um militante a cada respiro, a cada vez que você retorna para casa vivo, a cada vez que você consegue chegar a lugares que por séculos vem sendo negado ao nosso povo. Não existe um modelo desde que exista uma vontade de fazer o melhor dar certo, isto é o mais importante.

domingo, 8 de maio de 2016

DREAD NÃO É SINÔNIMO DE CABELO SUJO, OK?

maio 08, 2016 3
Antes de qualquer coisa, eu nunca usei dreads. Mas é inevitável falar do incomodo que me causa certos comentários em relação aos dreads aqui no Brasil. Desde que o pessoal da turma "branco-paz-amor-tilelê" começou a usar os dreads como forma de "transgredir" na sociedade a situação só piora, porque "branco de dread é moda e preto de dread é mendigo"!
Muito me incomoda as pessoas usando como exemplo os dreads para serem sinônimo de sujeira, desleixo, falta de cuidado, desmazelo e nós sabemos que isto não é verdade! Cabelos crespos dredam naturalmente, basta ficar sem pentear uns dias. E eu estou dizendo SEM PENTEAR / DESEMBARAÇAR e não lavar, ok? Se você deixar o cabelo crespo quietinho no seu lugar, ele dreda naturalmente, sem nenhum esforço e isso é uma das muitas características positivas do nosso cabelo (lindo, se penteia sozinho) e mesmo assim as pessoas insistem em dar essa conotação negativa aos dreads.

CONHEÇA A HISTÓRIA DOS DREADLOCKS

Para alguns ele é símbolo de resistência, enquanto outros adotaram o estilo pensando no poder estético. De um lado ou de outro uma coisa é fato, o que não falta é história por trás das madeixas entrelaçadas em forma cilíndricas. Representado na cultura popular por Bob Marley e os seguidores do movimento Rastafari, os dreads possuem ligação direta com a África e a luta do negro em busca da afirmação de sua cultura. Ao contrário do que pode se pensar os dreadlocks não surgiram na Jamaica. Registros dão conta de que os cabelos são usados tanto na África quanto na Índia desde a antiguidade Bíblica e pré-Bíblica. No continente africano, ele é encontrado em algumas comunidades tradicionais, como os Himba, na Namíbia. Os Himba afirmam terem adotado o cultivo dos dreads desde o surgimento de sua cultura. Com uma população estimada em 50 mil pessoas, eles vivem no Norte da Namíbia e em Angola, e se destacam por cultivar uma cultura única em meio ao turbilhão chamado ocidentalização. 
Os dreads representam o estado civil das mulheres da comunidade e o desenho estético também se aplica aos homens. Quando solteira, as moças andam com o cabelo virado para frente, cobrindo quase que o rosto inteiro. Assim que se casam, ganham um adorno de couro e os dreads são jogados pra trás, sempre com a coloração rubra presente. Esta cor é obtida com o uso de um creme chamado por elas de otjize, feito com manteiga, ocre esfarelado e argila de tom avermelhado. Leia mais na FONTE

Então, depois de conhecer a história, saber da origem e do peso ancestral que os dreadlocks carregam, recomendo fortemente a você que vive usando dread como sinônimo de sujeira e desleixo que você REVEJA SUAS FALAS e coloque mais consideração na hora de falar tanta bobagem. Dreads são cultura e ancestralidade!

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