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segunda-feira, 23 de abril de 2018

DIA MUNDIAL DO LIVRO: O MUNDO LITERÁRIO DE LAVÍNIA ROCHA

abril 23, 2018 0
Uma boa hora de começar com o hábito de leitura é na infância, a literatura infanto-juvenil é um mercado diverso no nosso país e pode ter vários títulos interessantes para "pescar" o interesse de jovens leitores. "O brasileiro não tem hábito de leitura!" Já ouviu dizerem isto? Pois, se não tem, que tal criarmos? 

Confesso que não sou muito dada aos livros de fantasia, mas, sei que a falta de hábito deste tipo de leitura vem, com certeza, do contexto da minha criação, onde a leitura não era tão estimulada. Isto fez com que, além de não encontrar muitos títulos dentro de casa, o que gerou o atual sonho de montar uma biblioteca em casa, quando encontrei eram livros com gêneros mais adultos, assim já comecei a ler coisas para além da minha idade, o que construiu o gosto pela leitura que tenho hoje. 

Mas, nada melhor que pescar nossa juventude e incentivar seu gosto para leitura, com autores e autoras que desenvolvem temáticas atrativas e emocionantes, com respeito, preocupação com a empatia e a formação de jovens meninos e meninas conscientes, não é mesmo?

DIA MUNDIAL DO LIVRO: O MUNDO LITERÁRIO DE LAVÍNIA ROCHA (Foto: arquivo pessoal)
Lavínia Rocha é uma escritora mineira, de apenas 20 anos, autora dos livros "Entre 3 mundos" "Entre 3 segredos" "De olhos fechados" e "Um amor em Barcelona". A mineira escreve para o público infanto-juvenil e também faz palestras em escolas públicas e privadas, sobre a importância de acreditar nos próprios sonhos, como foi se tornar escritora ainda na adolescência e sobre como é se posicionar como feminista negra, assim, tão jovem.

DIA MUNDIAL DO LIVRO: O MUNDO LITERÁRIO DE LAVÍNIA ROCHA (Foto: Reprodução Editora D'Plácido)

Em sua terceira edição, o livro "De olhos Fechados", editado pela D'Plácido, é um dos títulos da autora que mais tenho vontade de ler. A sinopse:

"“Ignorar é a solução”, foi o que pensou Cecília quando alguns papéis beges começaram a surgir no seu quarto, na bolsa e nos seus livros. O que seriam aquelas ameaças e informações sem nexo? Quem estaria mandando? Como se não bastasse, a cada vez que os lê, uma imagem passa em sua mente. Talvez isso pudesse ser menos estranho se Cecília não fosse cega desde o dia que nasceu. Para desorganizar ainda mais sua vida, Tiago – o garoto novo da escola – começa a balançar seu coração e a fazer com que sinta o que ela jamais sentiu. Sua dificuldade agora é acreditar no que sempre tentou passar às pessoas: ser cego não é sinônimo de limitação e tristeza. Entre os desafios do dia-a-dia e da adolescência, Cecília se vê envolvida em um mistério que pode afetar sua vida e de todos os belo-horizontinos, e ela não vai descansar até descobrir – e entender – um grande segredo do passado da cidade que os livros de História jamais ousaram contar." (Site Editora D'Plácido)

Além de falar sobre a vida de uma jovem com deficiência visual e como é estar numa cidade como Belo Horizonte, sob esta condição, Lavínia vai mostrar como a autonomia e independência destas pessoas é possível e real em vários campos da vida.

Opinião dos leitores:                                                    

"Percebi que se desenvolve ali o ponto de vista de mais que apenas uma deficiente visual, mas, uma criança deficiente visual.  Uma coisa que às vezes a gente não pára para pensar, sabe? Quando a gente imagina deficientes visuais, pensa: "essa pessoa já nasceu adulta"! A gente não pensa, geralmente, que estas pessoas tem um processo de vida, na infância de como isto seria para elas enquanto elas são crianças. Acho que isto foi o mais interessante para mim. Perceber como isto [ser deficiente visual] é na vida de uma criança." (Ygor Gabriel, 20 anos)         

                                                            
"Em algumas partes do livro, Lavínia coloca bem como deve ser a sensação de uma pessoa que não tem visão. Durante a leitura, ficamos um pouco apreensivos porque existem ações da personagem, do tipo pegar um ônibus sozinha, que nos preocupa, achamos que ela não é capaz. Isto reflete muito sobre o que pensamos sobre pessoas com necessidades especiais. Sendo que, como qualquer um, com o tempo e a depender da sua criação, esta pessoa vai se acostumar a realizar várias atividades. Se eu deixar uma criança hoje, que nunca pegou ônibus sozinha, ela também vai sentir como um desafio, mas, com o tempo irá aprender, sendo deficiente visual ou não. Além disso, o livro desperta curiosidade, dúvida e é muito interessante saber o que acontece com Cecília. Às vezes temos uma determinada concepção sobre a maneira como vive um deficiente visual, quando a gente lê o livro, desconstruímos muitos destes conceitos. Fora a questão da inclusão, é um livro que é impossível parar de ler, pois há um mistério que envolve a história e que nos instiga a querer desvendá-lo a todo momento. É empolgante, entusiasmante e provoca uma interação real com a história. Gostei muito!"  (Clarice Guimarães, 20 anos)       

Acredito que estimular nossos jovens a pensar a realidade de outras pessoas, é uma das formas mais bonitas e eficientes de treinar empatia e respeito. E, "De Olhos Fechados", de Lavínia Rocha, é um ótimo começo para convidar nossos jovens a serem pessoas melhores.

A primeira exigência de um livro é ser interessante, prender a atenção de um leitor, claro, mas, se este livro for bom e ainda vier com uma mensagem positiva, repassada de maneira didática e eficiente, não é ainda melhor? Então, fica a dica de presente para instigar o gosto para leitura dos nossos jovens meninos e meninas.
Se o hábito de leitura não se cria sozinho, é nosso papel enquanto comunidade incentivar isto nas nossas crianças.

Além deste título, Lavínia também é autora de outros títulos voltados para este público

DIA MUNDIAL DO LIVRO: O MUNDO LITERÁRIO DE LAVÍNIA ROCHA (Foto: Reprodução Facebook)

sexta-feira, 23 de março de 2018

COMUNICADORES POPULARES PODEM REQUERER O REGISTRO PROFISSIONAL DE JORNALISTA

março 23, 2018 3

Comunicadores populares e independentes, que trabalham em rádios, jornais, revistas, blogs e outros periódicos comunitários muitas vezes não tem acesso a informações que tratem de seus direitos enquanto comunicadores. 

Uma decisão histórica do Supremo Tribunal Federal colocou o Brasil junto com diversos outros países do mundo determinando que, mesmo sem diploma de nível superior, qualquer cidadão pode exercer a profissão de jornalista. Autodidatas, pessoas que desempenham a anos função na área, em especial os comunicadores comunitários que, muitas vezes, não possuem curso universitário na área, podem requerer o registro profissional de jornalista junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, e contar com mais este respaldo da lei para exercer a função. 

Não discutiremos aqui, portanto, se é ou não imprescindível para o exercício pleno da profissão, o curso superior em comunicação social com ênfase em jornalismo. Destaco, porém, que, na decisão do STF, o relator, Ministro Gilmar Mendes, frisou que para ele danos a terceiros não são próprios da profissão de jornalista e muito menos poderiam ser prevenidos com um diploma. Devo concordar aqui com o Ministro, já que vemos vários episódios na grande mídia de jornalistas que, ainda possuindo diploma superior para exercerem a função, disseminam boatos, "fakenews" e desabonam a imagem das pessoas. Para Gilmar Mendes faltar com a verdade no exercício da profissão é sim um desencaminho grave no jornalismo, mas, isto também não seria resolvido apenas com a formação superiora. Como disse, comunicar em mídia periódica, principalmente mídias comunitárias é um direito garantido por lei a todos os cidadãos e Mendes lembrou em sua argumentação que o decreto-lei 972/69, que determinou que apenas pessoas com diploma em ensino superior poderiam exercer profissionalmente o jornalismo, foi publicado em pleno período de ditadura, com a evidente intenção de afastar do jornalismo pessoas que fossem contrárias ao regime.

Um dos direitos, aos comunicadores populares e comunitários, garantidos pelo registro profissional de jornalista é a prerrogativa de sigilo da fonte preservada, ou seja, jornalistas tem garantido por lei o direito de preservarem as fontes das suas informações caso estas ofereçam riscos ao informante, por exemplo. Abaixo, a nossa Constituição federal, considerando os artigos que garantem isto:

TÍTULO II

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

Assim sendo, em exercício de atividade profissional, ou seja, resguardado pelo registro profissional de jornalista, temos o direito de garantir o sigilo das nossas fontes, gerando segurança tanto ao trabalho do comunicador comunitário, quanto daqueles que contribuem com nosso trabalho.

E como requerer o Registro Profissional de Jornalista?

Antes de tudo esteja ciente de que compor uma classe profissional traz não só direitos como responsabilidades, já falamos aqui no blog sobre os compromissos de comunicar de maneira responsável, logo, será preciso entender que jornalismo não é, portanto, brincadeira. Outra informação importante é que o processo descrito aqui é o que é realizado na cidade de Belo Horizonte e serve também para a Região Metropolitana da Capital - Minas Gerais - e pode não ser exatamente idêntico em todas as cidades (se tiver alguma dúvida, consulte o telefone 156). 

Passo a passo:

  • Acesse o site: https://goo.gl/sgs6gF para preencher a solicitação on-line que será protocolada junto ao MTE.
  • Após o preenchimento e a impressão de todas as guias geradas, você precisará juntar as cópias dos seguintes documentos: Carteira de Identidade, Carteira de trabalho (página da foto e dados pessoais), CPF e comprovante de residência. Lembrando que esta solicitação se apoia na decisão do STF mencionada acima, portanto, não exige apresentação de diploma de ensino superior. 
  • Originais dos documentos listados anteriormente, para conferência.
  • Levar todos os itens até a central de protocolos do Ministério do Trabalho e Emprego que fica na Rua dos Tamôios, 596 - Centro (BH/MG). NÃO É PRECISO AGENDAR HORÁRIO PARA PROTOCOLAR A DOCUMENTAÇÃO EM BELO HORIZONTE.
  • O prazo para liberação do registro é de 10 dias úteis e o registro fica disponível para impressão no site do MTE após este prazo. Faça a impressão colorida e, se possível, plastifique. O Registro Profissional de Jornalista será sua identificação profissional sempre que solicitado.
É importante informar que o registro é GRATUITO e realizado em todo o país, basta procurar a unidade do MTE na sua cidade.

EDIT 27 de maio de 2018: Notícia STF, na ocasião da decisão a cerca da não obrigatoriedade do diploma para exercer a opção e, consequentemente, receber o registro profissional: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=109717

sexta-feira, 16 de março de 2018

CAPACITAÇÃO DE SEGURANÇA PARA COMUNICADORES INDEPENDENTES

março 16, 2018 0
É desolador perceber que a realidade do nosso país faz necessárias ações e maneiras de se auto proteger, não só do estado, mas também, da sociedade civil. 




Grande parte dos comunicadores independentes sofre, diariamente, ataques que ameaçam seu local de trabalho, sua família e até sua própria vida. Foi pensando nisso que a Criar Brasil, em parceria com a UNESCO, promoveram um encontro na cidade do Rio de Janeiro para capacitar radialistas comunitários, jornalistas independentes, blogueiros e produtores de conteúdo em geral que trabalham com temas sociais e acabam atraindo também os haters. O que não é muito incomum, o grande problema é quando nossas denúncias tiram os haters do campo hipotético e os levam às vias de fato, colocando em risco a vida dos comunicadores comunitários.

É para tentar diminuir os impactos destas violências que a Criar Brasil promoveu nosso encontro na cidade do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A COMUNICAÇÃO RESPONSÁVEL REALIZADA POR MÍDIAS INDEPENDENTES

novembro 13, 2017 0

Estão todos habilitados, com formação acadêmica na área ou não, a se comunicarem na internet. E quando digo habilitados falo de considerar não só, mas, principalmente, as redes sociais como meio de comunicação. Estas redes podem ser usadas por todos, principalmente de pessoas negras e mais especificamente as mulheres pretas, para disseminar conteúdo informativo de qualidade.

A comunicação feita de maneira responsável por mídias independentes deve ser, cada vez mais a preocupação de nós, profissionais da comunicação, que nos propomos a levar conteúdos importantes, que geralmente são negligenciadas pela grande mídia.

Já que na maioria das vezes esta será uma das primeiras fontes em que a notícia ou informação será acessada e consultada.

No ano de 2014, por exemplo, o caso de Cláudia Silva Ferreira só ganhou projeção nacional após ser vinculado no site "Blogueiras Negras", uma mídia negra e totalmente independente, que publica textos de mulheres negras em geral, não somente jornalistas e não somente acadêmicas. Assim como o caso de Cláudia, que foi arrastada por um carro de polícia até a morte, outros casos de vítimas marginalizadas pela grande mídia ganham repercussão, através de homens e mulheres negras que utilizam da comunicação independente para propagar estas informações.

É importante que estejamos atentos no entanto, à princípios éticos e morais na hora de publicar as informações nas nossas redes, tendo sempre cuidado para não ferir aos direitos humanos ou se tornar um propagador de “fakenews”. Em bom português, “notícias falsas” na internet.

Por mais que as vezes não pareça o jornalismo tem um código de ética e desde que você se proponha a desempenhar o papel jornalístico, de levar a informação importante ao nosso povo negro, você vai precisar estar atento sim à algumas regras. 

Vamos entender como desenvolver a comunicação responsável por mídias independentes?


FONTES DIVERSIFICADAS – INFORMAÇÃO NÃO DEVERIA TER GÊNERO

Mais do que a confiabilidade das suas fontes, é preciso selecionar bem a procedência das informações que você irá utilizar na sua reportagem ou artigo. Em outubro de 2010 a revista "Super Interessante" apresentou uma pesquisa cujo o resultado apontava que: 77% das fontes consultadas em entrevistas e reportagens são HOMENS, a ordem dos fatores só muda quando o tema é cuidado com crianças ou a casa, que é quando fontes femininas são mais procuradas. Do contrário, 3 em cada 4 fontes do jornalismo são homens. 

Figuras masculinas transmitem mais “confiança”, denotam “entender mais” daquilo que estão falando e isto não é por acaso, vivemos numa sociedade machista que não dá credibilidade à mulheres ou às informações que são passadas por elas. 

Entender que as pautas podem ser consultadas com profissionais da área e que estas sejam mulheres, pode mudar a perspectiva do seu trabalho e abrir novos horizontes para a notícia ou artigo apresentado. 

FONTE CONFIÁVEL - NOTÍCIAS FALSAS PODEM MATAR

É muito tentador achar um conteúdo prontinho na internet e simplesmente compartilhar.  Mas, é preciso checar a fonte. 

Informações falsas são espalhadas pela internet todos os dias e, por incrível que pareça, chegam muito mais longe que as informações verdadeiras. O sensacionalismo contido nelas ajuda, tanto na propagação, quanto no estrago que podem fazer na vida dos citados nestas falsas matérias. Pessoas negras, por exemplo, já foram vítimas de linchamentos coletivos ao serem incriminados com boatos virtuais, espalhados principalmente por pessoas que não checam as fontes. 

O primeiro passo para que seu canal de informação seja considerado uma referência confiável é ter credibilidade e isso só será atingido caso você se dê ao trabalho de SEMPRE checar as suas fontes antes de publicar e espalhar as informações.

COMPROMISSO COM A ÉTICA DO JORNALISMO

Se você se propôs a produzir conteúdo de cunho jornalístico, ainda que não seja a sua área de formação original, é preciso estar ciente de que toda a atividade profissional tem regras e se você quer estar dentro dela deverá segui-las. 

Embora vejamos muitas matérias jornalísticas tendenciosas, partidaristas e também seja óbvio que ninguém é 100% isento diante de todas as informações, manter a coerência e o profissionalismo é essencial para conquistar a sua credibilidade, enquanto mídia independente que leva informação de qualidade ao seu público. 

O código de ética do jornalismo ESTÁ DISPONÍVEL NESTE LINK e, entre todas as informações, traz regras importantes que tratam da segurança da fonte, o compromisso com a verdade, a garantia do direito de resposta às pessoas citadas e o compromisso de investigar ambos os lados da história ANTES de vincular nas suas mídias. 

Outras dicas já foram publicadas aqui no blog, visando a qualidade da produção de conteúdo por mídias independentes, como dicas para proteger as suas fotos ao serem compartilhadas na internet ou dicas de como precificar um bom trabalho sendo uma blogueira negra. 

É importante sempre procurar garantir a qualidade e confiabilidade das suas informações já que, como já foi dito, nós somos hoje responsáveis por fontes de notícias diversificadas e que colocam em foco pautas que, até então, eram marginalizadas pela mídia hegemônica.

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