segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A COMUNICAÇÃO RESPONSÁVEL REALIZADA POR MÍDIAS INDEPENDENTES


Estão todos habilitados, com formação acadêmica na área ou não, a se comunicarem na internet. E quando digo habilitados falo de considerar não só, mas, principalmente, as redes sociais como meio de comunicação. Estas redes podem ser usadas por todos, principalmente de pessoas negras e mais especificamente as mulheres pretas, para disseminar conteúdo informativo de qualidade.

A comunicação feita de maneira responsável por mídias independentes deve ser, cada vez mais a preocupação de nós, profissionais da comunicação, que nos propomos a levar conteúdos importantes, que geralmente são negligenciadas pela grande mídia.

Já que na maioria das vezes esta será uma das primeiras fontes em que a notícia ou informação será acessada e consultada.

No ano de 2014, por exemplo, o caso de Cláudia Silva Ferreira só ganhou projeção nacional após ser vinculado no site "Blogueiras Negras", uma mídia negra e totalmente independente, que publica textos de mulheres negras em geral, não somente jornalistas e não somente acadêmicas. Assim como o caso de Cláudia, que foi arrastada por um carro de polícia até a morte, outros casos de vítimas marginalizadas pela grande mídia ganham repercussão, através de homens e mulheres negras que utilizam da comunicação independente para propagar estas informações.

É importante que estejamos atentos no entanto, à princípios éticos e morais na hora de publicar as informações nas nossas redes, tendo sempre cuidado para não ferir aos direitos humanos ou se tornar um propagador de “fakenews”. Em bom português, “notícias falsas” na internet.

Por mais que as vezes não pareça o jornalismo tem um código de ética e desde que você se proponha a desempenhar o papel jornalístico, de levar a informação importante ao nosso povo negro, você vai precisar estar atento sim à algumas regras. 

Vamos entender como desenvolver a comunicação responsável por mídias independentes?


FONTES DIVERSIFICADAS – INFORMAÇÃO NÃO DEVERIA TER GÊNERO

Mais do que a confiabilidade das suas fontes, é preciso selecionar bem a procedência das informações que você irá utilizar na sua reportagem ou artigo. Em outubro de 2010 a revista "Super Interessante" apresentou uma pesquisa cujo o resultado apontava que: 77% das fontes consultadas em entrevistas e reportagens são HOMENS, a ordem dos fatores só muda quando o tema é cuidado com crianças ou a casa, que é quando fontes femininas são mais procuradas. Do contrário, 3 em cada 4 fontes do jornalismo são homens. 

Figuras masculinas transmitem mais “confiança”, denotam “entender mais” daquilo que estão falando e isto não é por acaso, vivemos numa sociedade machista que não dá credibilidade à mulheres ou às informações que são passadas por elas. 

Entender que as pautas podem ser consultadas com profissionais da área e que estas sejam mulheres, pode mudar a perspectiva do seu trabalho e abrir novos horizontes para a notícia ou artigo apresentado. 

FONTE CONFIÁVEL - NOTÍCIAS FALSAS PODEM MATAR

É muito tentador achar um conteúdo prontinho na internet e simplesmente compartilhar.  Mas, é preciso checar a fonte. 

Informações falsas são espalhadas pela internet todos os dias e, por incrível que pareça, chegam muito mais longe que as informações verdadeiras. O sensacionalismo contido nelas ajuda, tanto na propagação, quanto no estrago que podem fazer na vida dos citados nestas falsas matérias. Pessoas negras, por exemplo, já foram vítimas de linchamentos coletivos ao serem incriminados com boatos virtuais, espalhados principalmente por pessoas que não checam as fontes. 

O primeiro passo para que seu canal de informação seja considerado uma referência confiável é ter credibilidade e isso só será atingido caso você se dê ao trabalho de SEMPRE checar as suas fontes antes de publicar e espalhar as informações.

COMPROMISSO COM A ÉTICA DO JORNALISMO

Se você se propôs a produzir conteúdo de cunho jornalístico, ainda que não seja a sua área de formação original, é preciso estar ciente de que toda a atividade profissional tem regras e se você quer estar dentro dela deverá segui-las. 

Embora vejamos muitas matérias jornalísticas tendenciosas, partidaristas e também seja óbvio que ninguém é 100% isento diante de todas as informações, manter a coerência e o profissionalismo é essencial para conquistar a sua credibilidade, enquanto mídia independente que leva informação de qualidade ao seu público. 

O código de ética do jornalismo ESTÁ DISPONÍVEL NESTE LINK e, entre todas as informações, traz regras importantes que tratam da segurança da fonte, o compromisso com a verdade, a garantia do direito de resposta às pessoas citadas e o compromisso de investigar ambos os lados da história ANTES de vincular nas suas mídias. 

Outras dicas já foram publicadas aqui no blog, visando a qualidade da produção de conteúdo por mídias independentes, como dicas para proteger as suas fotos ao serem compartilhadas na internet ou dicas de como precificar um bom trabalho sendo uma blogueira negra. 

É importante sempre procurar garantir a qualidade e confiabilidade das suas informações já que, como já foi dito, nós somos hoje responsáveis por fontes de notícias diversificadas e que colocam em foco pautas que, até então, eram marginalizadas pela mídia hegemônica.

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