sábado, 25 de novembro de 2017

CINCO VÍDEOS PARA CONSTRUIR DISCUSSÕES SOBRE A CONSCIÊNCIA NEGRA

novembro 25, 2017 0
O Dia da Consciência Negra no Brasil é "comemorado" no dia 20 de Novembro, mas, as discussões que envolvem raça e, principalmente, racismo no Brasil não podem se resumir a este dia. Vivemos num país de maioria negra, o maior em população negra fora do continente Africano e mesmo assim experimentamos o racismo em suas mais diversas facetas, absurdas ou veladas, o que nos obriga a discutir sempre e muito bem todas estas questões. 
Durante a semana da Consciência Negra foram ao ar cinco vídeos no canal do YouTube que podem lhe ajudar a traçar várias discussões em sua comunidade escolar, acadêmica e em todos os espaços de socialização em que é indispensável a discussão sobre o tema e suas implicações na vida de todas as pessoas. 

1 - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA OU DIA DA PACIÊNCIA NEGRA?

O Dia da Consciência negra é, antes de tudo, um dia de luta, reflexões sobre as conquistas e os desafios que as pessoas negras ainda enfrentam no Brasil, mesmo com tantas demandas estruturais algumas pessoas só enxergam o assunto neste mês e acabam transformando a data em mais um dia de testes para a nossa paciência. 


2 - PORQUE O DIA 20 DE NOVEMBRO É O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NO BRASIL?

Sabemos que o dia 20 é um dia de debate sobre o assunto, em alguns lugares do Brasil é considerado também feriado ou ponto facultativo, mas, você sabe o porque da data ter sido escolhida como o dia para marcar esse ciclo de discussões?


3 - O CAPITAL CULTURAL DAS PESSOAS NEGRAS

Mais um "fenômeno" que ocorre especialmente no mês de novembro e contribui para a desvalorização das pessoas negras: a desvalorização do capital cultural na hora de convidar para darmos "aquela palavrinha" no dia da consciência negra. Nós, pessoas negras, podemos falar não só em novembro, não só sobre raça, racismo e, principalmente, devemos receber por isto, afinal, capital cultural não cai do céu. 


4 - PADRÃO DE BELEZA E AUTOESTIMA DA MULHER NEGRA

A estética tem um lugar de discussão para além dos cabelos e batons coloridos, tranças e toda a estética libertadora que algumas de nós tem assumido, a autoestima da mulher negra não é devidamente trabalhada desde a infância e quando chegamos a idade adulta é difícil construir um novo lugar para autoimagem, numa sociedade racista se achar bonita é uma afronta.


 5 - PORQUE O DIA 20 DE NOVEMBRO NÃO DEVERIA SER FERIADO

Esta é uma discussão dentro do movimento negro e ainda não há um consenso, mas, é importante ouvirmos os argumentos dos dois lados para formarmos nossa opinião.


Existem dezenas de outros temas que podem e devem ser abordados durante todo o ano quando o assunto é relação racial, estes vídeos podem ser um pontapé inicial para que o debate se inicie e crie frutos na sua comunidade. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

ÓLEO DE RÍCINO PARA NUTRIÇÃO E CRESCIMENTO CAPILAR

novembro 14, 2017 0
ÓLEO DE RÍCINO NA UMECTAÇÃO E PARA AUXILIAR O CRESCIMENTO CAPILAR
Não é novidade para nós, crespas e cacheadas, que os óleos vegetais fazem muito bem para os nossos cabelos e as marcas não demoraram a descobrir isto e incluíram nas suas linhas para cabelos crespos e cacheados vários óleos para atender a esta demanda. Desde que os óleos sejam 100% vegetais eles farão muito bem aos nossos cabelos, que tem aquela dificuldade natural de levar a oleosidade produzida pelo couro cabeludo até as pontas, devido ao formato em espiral, ou em "Z", que é o caso das crespas na curvatura 4c.

Óleos vegetais tem também outras propriedades além da nutrição, que é o caso do óleo de rícino, que auxilia no crescimento capilar, oxigenação e desintoxicação do couro cabeludo. Suas propriedades anti-inflamatórias podem combater algumas causas de descamação do couro cabeludo, quando por estar ressecado, por exemplo, auxiliando a deixar essa parte do nosso cabelo mais saudável e, como sempre digo por aqui, couro cabeludo saudável é o primeiro requisito para que os seus cabelos cresçam da maneira esperada, muitas vezes o seu crescimento melhora consideravelmente apenas cuidando da saúde do seu couro cabeludo. O ácido undecilênico ou ácido 10-undecenoico é um ácido graxo insaturado encontrado no óleo de rícino e também é usado pela indústria farmacêutica em produtos indicados para o combate de fungos e micoses. 

A massagem com o óleo de rícino, além de todos os benefícios já mencionados, aumenta a circulação sanguínea na área o que favorece também o crescimento capilar, acelerando-o e deixando os cabelos mais fortes. Além disto, o óleo de rícino contém Vitamina E e Ômega 9, uma gordura que intensifica a força de cada folículo piloso, ou seja, o local de onde sai cada pelo ou fio de cabelo, esta gordura também protege a queratina contra avarias provocadas pelas agressões inevitáveis do dia-a-dia, como sol, poluição, cloro da água e etc.

Óleos e manteigas vegetais ajudam a recuperar a vitalidade, a força, brilho e definição dos cabelos crespos e cacheados, além de garantirem um cabelo saudável por fazerem a reposição lipídica que nossos cabelos não são capazes de fazer sozinhos, devido ao seu formato. Você pode ler mais sobre a importância dos óleos e manteigas para os nossos cabelos, neste post

ÓLEOS DE RÍCINO, 100% VEGETAIS, QUE USO E INDICO:


1 - Óleo Capilar Natu Hair Rícino - 60 ml - R$10,00
2 - Óleo Capilar Farmax - 100 ml (mais conhecido como laxante e vendido em farmácias) - R$9,90
3 - Óleo Capilar Salon Line Tô de Cacho Rícino Puro - 100 ml - R$13,99
4 - Óleo Capilar Soft Hair Rícino Cachos - 50 ml - R$9,99

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

ONU MULHERES BR, FUNDAÇÃO FORD E ARTIGO 19 REALIZAM CURSO DE COMUNICAÇÃO EM SALVADOR

novembro 13, 2017 0
Nos dias 08 e 09 de novembro a ONU MULHERES BRASIL realizou, em parceria com a Artigo 19, o Curso de Comunicação, Saúde e Direito das Mulheres, na cidade de Salvador. 

Imagem: Comunicação ONU Mulheres Brasil 
Com parte das turmas voltadas para comunicadoras, ativistas e blogueiras, outra parte voltada para jornalistas, o objetivo da organização é formar produtores de conteúdo para tratar de assuntos sérios e pertinentes dentro das campanhas que a ONU Mulheres promove, incentiva e divulga ao longo do ano. Neste ano o blog Na Veia da Nêga foi convidado à participar em julho da ação “Planeta 50-50”, também promovida pela organização, por já desempenhar um trabalho que consegue unir informação e entretenimento, com uma linguagem que chega a muitas mulheres, principalmente negras, propagando assim a campanha e espalhando a informação sobre a necessidade das mulheres negras também estarem ativamente inseridas na busca de um planeta melhor em 2030, entendendo que sem a base desta pirâmide social avançar, nenhuma parte da sociedade avança. 

A ONU Mulheres BR é o braço da ONU (Organização das Nações Unidas) no Brasil responsável por promover acordos nacionais e internacionais, em parceria com a sociedade civil, poderes judiciário, executivo e legislativo, empresas privadas e movimentos sociais, buscando contribuir no empoderamento feminino buscando a equidade de gênero. A ONU Mulheres Brasil existe desde 2010, passando a operar em 2011 e no Brasil o escritório central funciona em Brasília, num prédio que carrega o nome da ilustríssima Lélia Gonzáles. 

A Artigo 19 é uma organização de direitos humanos britânica nascida em 1987 e que chegou ao Brasil em 2007, em nosso país a Artigo 19 atua na proteção do binômio comunicação-direitos humanos, protegendo o direito à liberdade de expressão, a comunicação tanto no ambiente “tradicional” quanto contemplando as novas mídias que tem se tornado cada vez mais forte e também cada vez mais atacadas no país. Entendendo que as mulheres são talvez um lado ainda mais atingido quando se trata da violação de direitos, a Artigo 19 tem buscado cada vez mais entender as particularidades na atuação da mulher comunicadora e se preocupado em fazer recortes na sua atuação que visem entender situações de violências as mulheres comunicadoras e encontrar formas de combate-las. 
Turma Salvador - Curso: Comunicação, Saúde e Direitos das Mulheres | ONU Mulheres BR e Artigo 19
Juntas estas duas organizações, e outras parceiras, realizaram o Curso de Comunicação, Saúde e Direito das Mulheres, na cidade de Salvador, com uma carga horária de dez horas. Foram abordados no curso temas como saúde, acesso aos direitos e os contextos de enfrentamento ao racismo, ao etnocentrismo e à violência em sociedade, ética, os princípios da solidariedade e justiça social na saúde e duas atividades pedagógicas, uma sobre leitura crítica da mídia e outra de produção de conteúdo por meio da interação com fontes especializadas, além da demonstração de ferramentas que ajudam a entender como a mídia está sendo mobilizada por determinados assuntos. O curso ofereceu 50 vagas em cada uma das cidades em que foi realizado, com certificação para todos os comunicadores, e também contou com a presença e parceria do portal Blogueiras Negras.
Charô Nunes - Blogueiras Negras  | ONU Mulheres BR e Artigo 19
Sensibilizar veículos de comunicação para pautas como esta contribuem não só para nós, produtores de conteúdo, mas também para o nosso público que passa ter acesso a informações de maior qualidade e num volume que atenda a demanda necessárias. Temas como direitos reprodutivos, epidemias e controle de doenças, são de fundamental importância e as vezes são pouco explorados pela mídia “convencional”, sendo assim cabe a nós o papel de levar mais informação ao público que não busca conteúdo apenas nas mídias hegemônicas e treinamentos como este melhoram consideravelmente o nível das informações repassadas.

A COMUNICAÇÃO RESPONSÁVEL REALIZADA POR MÍDIAS INDEPENDENTES

novembro 13, 2017 0

Estão todos habilitados, com formação acadêmica na área ou não, a se comunicarem na internet. E quando digo habilitados falo de considerar não só, mas, principalmente, as redes sociais como meio de comunicação. Estas redes podem ser usadas por todos, principalmente de pessoas negras e mais especificamente as mulheres pretas, para disseminar conteúdo informativo de qualidade.

A comunicação feita de maneira responsável por mídias independentes deve ser, cada vez mais a preocupação de nós, profissionais da comunicação, que nos propomos a levar conteúdos importantes, que geralmente são negligenciadas pela grande mídia.

Já que na maioria das vezes esta será uma das primeiras fontes em que a notícia ou informação será acessada e consultada.

No ano de 2014, por exemplo, o caso de Cláudia Silva Ferreira só ganhou projeção nacional após ser vinculado no site "Blogueiras Negras", uma mídia negra e totalmente independente, que publica textos de mulheres negras em geral, não somente jornalistas e não somente acadêmicas. Assim como o caso de Cláudia, que foi arrastada por um carro de polícia até a morte, outros casos de vítimas marginalizadas pela grande mídia ganham repercussão, através de homens e mulheres negras que utilizam da comunicação independente para propagar estas informações.

É importante que estejamos atentos no entanto, à princípios éticos e morais na hora de publicar as informações nas nossas redes, tendo sempre cuidado para não ferir aos direitos humanos ou se tornar um propagador de “fakenews”. Em bom português, “notícias falsas” na internet.

Por mais que as vezes não pareça o jornalismo tem um código de ética e desde que você se proponha a desempenhar o papel jornalístico, de levar a informação importante ao nosso povo negro, você vai precisar estar atento sim à algumas regras. 

Vamos entender como desenvolver a comunicação responsável por mídias independentes?


FONTES DIVERSIFICADAS – INFORMAÇÃO NÃO DEVERIA TER GÊNERO

Mais do que a confiabilidade das suas fontes, é preciso selecionar bem a procedência das informações que você irá utilizar na sua reportagem ou artigo. Em outubro de 2010 a revista "Super Interessante" apresentou uma pesquisa cujo o resultado apontava que: 77% das fontes consultadas em entrevistas e reportagens são HOMENS, a ordem dos fatores só muda quando o tema é cuidado com crianças ou a casa, que é quando fontes femininas são mais procuradas. Do contrário, 3 em cada 4 fontes do jornalismo são homens. 

Figuras masculinas transmitem mais “confiança”, denotam “entender mais” daquilo que estão falando e isto não é por acaso, vivemos numa sociedade machista que não dá credibilidade à mulheres ou às informações que são passadas por elas. 

Entender que as pautas podem ser consultadas com profissionais da área e que estas sejam mulheres, pode mudar a perspectiva do seu trabalho e abrir novos horizontes para a notícia ou artigo apresentado. 

FONTE CONFIÁVEL - NOTÍCIAS FALSAS PODEM MATAR

É muito tentador achar um conteúdo prontinho na internet e simplesmente compartilhar.  Mas, é preciso checar a fonte. 

Informações falsas são espalhadas pela internet todos os dias e, por incrível que pareça, chegam muito mais longe que as informações verdadeiras. O sensacionalismo contido nelas ajuda, tanto na propagação, quanto no estrago que podem fazer na vida dos citados nestas falsas matérias. Pessoas negras, por exemplo, já foram vítimas de linchamentos coletivos ao serem incriminados com boatos virtuais, espalhados principalmente por pessoas que não checam as fontes. 

O primeiro passo para que seu canal de informação seja considerado uma referência confiável é ter credibilidade e isso só será atingido caso você se dê ao trabalho de SEMPRE checar as suas fontes antes de publicar e espalhar as informações.

COMPROMISSO COM A ÉTICA DO JORNALISMO

Se você se propôs a produzir conteúdo de cunho jornalístico, ainda que não seja a sua área de formação original, é preciso estar ciente de que toda a atividade profissional tem regras e se você quer estar dentro dela deverá segui-las. 

Embora vejamos muitas matérias jornalísticas tendenciosas, partidaristas e também seja óbvio que ninguém é 100% isento diante de todas as informações, manter a coerência e o profissionalismo é essencial para conquistar a sua credibilidade, enquanto mídia independente que leva informação de qualidade ao seu público. 

O código de ética do jornalismo ESTÁ DISPONÍVEL NESTE LINK e, entre todas as informações, traz regras importantes que tratam da segurança da fonte, o compromisso com a verdade, a garantia do direito de resposta às pessoas citadas e o compromisso de investigar ambos os lados da história ANTES de vincular nas suas mídias. 

Outras dicas já foram publicadas aqui no blog, visando a qualidade da produção de conteúdo por mídias independentes, como dicas para proteger as suas fotos ao serem compartilhadas na internet ou dicas de como precificar um bom trabalho sendo uma blogueira negra. 

É importante sempre procurar garantir a qualidade e confiabilidade das suas informações já que, como já foi dito, nós somos hoje responsáveis por fontes de notícias diversificadas e que colocam em foco pautas que, até então, eram marginalizadas pela mídia hegemônica.

domingo, 22 de outubro de 2017

FEMINISMO NEGRO: CADA UMA COM A SUAS OPRESSÕES E DEMANDAS

outubro 22, 2017 0
Uma coisa é fato, se declarar uma mulher feminista sendo uma mulher negra não é fácil, é pesado e carrega um fardo que nem todas conseguem, ou mesmo querem, carregar. Uma das discussões que mais me afeta e me faz ficar atenta é a discussão quanto à liberdade dos nossos corpos e o peso da objetificação sobre a nossa liberdade. Se posicionar politicamente como uma mulher feminista é, embora não devesse ser, uma missão difícil e por vezes cheia de ressalvas, quando se é uma mulher negra a ressalva vem quase sempre acompanhadas da necessidade de explicar que há sim um outro feminismo, negro e que abarca outras pautas muito diferentes.
Primeiro, é preciso deixar bem claro que se rotular ou não feminista não faz muita diferença quando se é pelas mulheres e quando se tem ao menos consciência de que vivemos numa sociedade historicamente machista, o feminismo não precisa de gente "falando" mais do que precisa de gente fazendo. Toda a nossa produção cultural e social e masculina, branca, heteronormativa e, muitas vezes, eurocêntrica, então ter consciência disto e enxergar que é necessário uma mudança estrutural não te obriga necessariamente a se declara feminista, o feminismo também tem a ver com você, mulher, poder fazer o que quiser. Dito isto, outra coisa se faz importante: antes de ser lida como mulher nós negras somos lidas como PRETAS e na nossa sociedade isso vem primeiro determinando a forma como o mundo se relaciona conosco no público e no privado. Enquanto as Sufragistas lutavam lá no final do século XIX por direitos feministas, entre eles o voto, as mulheres negras buscavam ainda o direito de serem enxergadas como humanas, depois mulheres e, depois quem sabe, almejarem o direito ao voto e isto falando do contexto no Reino Unido, para nem dizer que até 1888 as mulheres negras brasileiras estavam em regime de escravidão.
Angela Davis, em seu livro publicado pela editora Boi Tempo, "Mulheres, Raça e Classe", trata no primeiro capítulo sobre a "não feminilidade" (com licença para chamar assim) das mulheres negras estadunidenses no período da escravidão. Além de descrever sobre a rotina destas mulheres, fala sobre os papéis masculinos e femininos que, para quem explorava mão de obra escrava, era praticamente a mesma coisa na hora de desempenhar as tarefas imputadas pela escravidão.
Dito tudo isto, é diante deste contexto que eu me pego a analisar o nu da mulher negra e como isto não seria um símbolo de liberdade dentro da nossa história. O corpo da mulher negra, sempre foi tratado como mercadoria, muito barata, diga-se de passagem, e isto é inegável, objetificação, as vendas, os estupros, tudo isto estão no nosso passado, no nosso presente e, a menos que continuemos lutando, também no nosso futuro. O nosso corpo "nu" não é revolucionário, basta conhecer um pouco da história das nossas ancestrais para pensar sobre isto e não falo aqui do nu "abstrato", "poético", fotos que inclusive tem o poder muitas vezes de resgatar a essência da nossa beleza, não é isto. Falo das fotos "peladas" mesmo, "no seco", o famoso "MANDA NUDES!".
Não é preciso ir muito longe da nossa realidade para enxergar que a mulher negra é objetificada e a sociedade normalizou isto, a imagem da globeleza besuntada em óleo e purpurina é comum e aceita pelo nosso imaginário social, assim, a mulher negra vai sendo culturalmente perpetuada nesse papel de "mulata sensual" e, como há séculos nosso corpo vem sendo exposto, se colocar de novo nesse papel de "carne exposta" não é nenhuma novidade revolucionária. Isto não quer dizer, claro, que seja proibido, mas, não é uma pauta negra assim como das mulheres brancas, buscar poder andar com o corpo descoberto assim como os homens, lembram-se de Angela Davis citada acima? Nós já estávamos sendo equiparadas aos homens há bastante tempo. Não é uma questão de ter pautas melhores ou piores, quem sofre mais ou menos, não é uma "Olimpíada de Opressão" e não estamos aqui para disputar quem sofre mais, mas, é preciso enxergar que existem sim opressões diferentes e tratar do discurso como "somos todas vítimas da mesma opressão" é apagar pautas de mulheres negras, feministas ou não, que sabem de demandas muito específicas para nós e que nunca foram demandas de mulheres brancas.
Outro ponto quando falamos da revolução que é poder reivindicar as nossas pautas, nos declarando ou não feministas, aparece muito claramente no "Dia das Mulheres", a polêmica do "quero flores X não quero flores" todo os anos é debatida por nós, mulheres negras, convidando a refletir sobre um ponto importante: nós, mulheres negras, recebemos flores? E aqui as flores tem muito mais um caráter simbólico do que o material propriamente dito, é dedicado a nós este cuidado cotidiano? O estereótipo mais comum da mulher negra é o que descreve uma mulher forte, insensível, que aguenta tudo, que é tratada "de qualquer forma", a amante, a clandestina, aquela cuja as práticas sexuais não têm limite, então, qual o cuidado cotidiano seria reservado à nós? É preciso enxergar que nós queremos sim as flores, junto com o respeito, mulheres negras ainda não puderam (historicamente falando da sociedade como um todo e não casos pontuais) experimentar este cuidado e zelo, que por vezes pode oprimir, que mulheres brancas experimentam cotidianamente e já se consideram aptas a ponderar. Como já foi dito, mulheres negras muitas vezes não são sequer consideradas mulheres.
Refletir a distinção das pautas não quer dizer que vamos ignorar todas as demandas convocadas das mulheres brancas (muitas vezes podem ser nossas também), mas, quer dizer sim que vamos nos preocupar em resolver aquilo que nos oprime olhando para o nosso passado, nosso presente e desejando um futuro melhor. Não há como saber onde se quer chegar, se não soubermos de onde viemos, no caso das nossas ancestrais foi um passado de desumanização, exposição, estupros, comércio de nossos atributos (Sarah Baartman tem sua história para não nos deixar esquecer) e nos tratando como se fossemos sempre exóticas.
Nossas ancestrais não eram "donas de si" enquanto tinham seus corpos expostos, medidos, invadidos e sempre nus. E, na revolução de se vestir, não se enganem acreditando que este é um discurso puritano ou moralista, pedindo que mulheres negras se cubram dos pés à cabeça ou "se deem ao respeito" se "vestindo direito", não, não é nada disto. Eu estou falando de nos vestirmos quando e como quisermos, mas tendo em mente que não há mais obrigação de cumprir o padrão "mulata exportação", desde que a escolha de como se vestir seja sua e isto lhe faça bem está tudo liberado, o que buscamos com certeza é a certeza de que não estamos mais servindo de atração para a sociedade que se criou nos expondo nuas em gaiolas.


sábado, 21 de outubro de 2017

MAIONESE CAPILAR SKALA COSMÉTICOS | RESENHA

outubro 21, 2017 1
MAIONESE CAPILAR SKALA COSMÉTICOS | RESENHA | www.naveiadanega.com.br

A onda de cosméticos inspirados nas boas e velhas receitas caseiras da crespas e cacheadas trouxe vários produtos novos ao mercado, um dele foi a "maionese capilar", várias marcas colocaram nas prateleiras produtos cujo o principal ingrediente é a proteína do ovo (base da maionese) e que nós já sabíamos há um tempo que faz super bem para os nossos cabelos. 
A Skala Cosméticos lançou neste ano a sua MAIONESE CAPILAR NUTRITIVA e eu corri para experimentar, entre outros motivos, é um produto liberado para técnica de low poo (que não era muito tradicional nos produtos da marca, a maioria que conhecia tinha parafina) e por ser uma marca que conheço e confio a bastante tempo.

MAIONESE CAPILAR SKALA COSMÉTICOS | RESENHA | www.naveiadanega.com.br
Composição: Aqua, Cetearyl Alcohol, Cetrimonium Chloride, Parfum, Ricinus Communis Seed Oil, Methylchloroisothiazolinone (and) Methylisothiazolinone, Styrene (and) Acrylates Copolymer, Shea Butter Cetyl Esters, Argania Spinosa Kernel Oil, Citric Acid, Hydrolyzed Albumen, Panthenol, Tocopheryl Acetate, CI 19.140, CI 15.985.

O que a marca diz? A Máscara Maionese Capilar Skala Expert possui uma fórmula com ingredientes ricos em nutrientes que dão força, hidratam e desembaraçam todos os tipos de cabelos. Prepare-se para os elogios, recomendamos que use e abuse! 

O que eu achei? A Maionese Capilar Skala me surpreendeu positivamente. A marca não foi a primeira a lançar este tipo de produto, mas, das que experimentei até agora a Maionese Capilar Skala foi a que conseguiu juntar qualidade e precinho num produto só. A parte mais difícil foi encontrar o produto na minha região, Ibirité / Belo Horizonte - MG, rodei algum tempo atrás da maionese e, quando encontrei, foi uma filha única num supermercado próximo à minha casa onde encontrei essa maravilha. Paguei R$6,50 no pote de 1KG, isso com certeza é um preço bem em conta, comparado aos outros produtos que estão no mercado com a mesma chamada.

MAIONESE CAPILAR SKALA COSMÉTICOS | RESENHA | www.naveiadanega.com.br

Efeito nos cabelos: A marca sugere duas formas de uso para o produto: usar o produto como condicionador após a lavagem e hidratação ou como a própria máscara de tratamento, deixando agir por dez minutos e depois realizando o enxágue. Utilizei destas duas formas e ainda experimentei como pré-shampoo e também como finalizador. Como condicionador, o efeito de desembaraço é imediato, mesmo após o shampoo que é quando geralmente nossos cabelos ficam mais embaraçados. Na hora de utilizar como máscara de nutrição a surpresa foi muito boa, meus cabelos que não estavam tão ressecados, mas, naquele estado natural do cabelo crespo que ama uma nutrição amou o efeito, o resultado foi um cabelo definido e com muito brilho, totalmente soltinho, que é um efeito difícil de conseguir após uma nutrição, que geralmente deixam os cabelos pesados nos primeiros dias. Depois foi a vez de testar a Maionese Capilar Skala como "pré-shampoo" e adorei; quando passamos muitos dias sem lavar e finalizar os cabelos, o ideal é fazer o processo de pré poo para que os cabelos estejam mais desembaraçados na hora de receber o shampoo e o tratamento posterior, a Maionese Capilar Skala cumpre, e muito bem, esta função. E por último, resolvi testar a Maionese Capilar como finalizador, por ser livre de pretrolato, parafinas e silicones pesados resolvi experimentar, já que não iria deixar meus cabelos pesados. A sensação que tenho sempre que uso um creme muito leve e sem parafina na finalização é de que os cabelos duram menos tempo arrumados e com a Maionese Skala foi bem diferente, o efeito foi um cabelo solto, muito definido e muito leve (misturada a um pouco de gel líquido), que durou mais de três dias, o que considero muito para um creme totalmente sem parafina. 

MAIONESE CAPILAR SKALA COSMÉTICOS | RESENHA | www.naveiadanega.com.br
A consistência da Maionese Capilar Skala é leve, o que torna o produto fácil de aplicar e impede que os cabelos fiquem pesados, quando utilizada como finalizador. Para aquelas que desejam uma super nutrição, aconselho turbinar a máscara com algum óleo vegetal de sua preferência, mas, para cabelos em condições "normais ou moderadas" de ressecamento o produto dá conta do recado. Originalmente a máscara já conta com os óleos de Argan e Rícino na fórmula. 
Para mais detalhes sobre o produto, tem vídeo no canal com muito mais informações sobre esta maravilha:

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Lola Ogunyemi - MODELO DA CAMPANHA DA DOVE FALA SOBRE A REPERCUSSÃO

outubro 11, 2017 0


Ontem, terça feira (10/10), a modelo Lola Ogunyemi deu entrevista ao Jornal britânico "The Guardian", se manifestando sobre a repercussão mundial da campanha desastrosa da Dove. Entre outros trechos emocionantes, a modelo disse "Há definitivamente algo a ser dito aqui sobre como os anunciantes precisam olhar além da superfície e considerar o impacto que as imagens podem causar, especificamente quando se trata de grupos marginalizados de mulheres.

Algumas coisas importantes precisam ser levadas em consideração, na hora de analisar mais de perto a campanha da Dove e, com certeza, uma que não pode passar desapercebido é a importância da análise de discurso subjetivo, na leitura de uma campanha publicitária. É possível perceber, e também como a própria modelo disse, fora do contexto e do filme completo, que teria cerca de trinta segundos, a campanha é totalmente racista, mas, olhando o todo, a coisa não seria bem assim. 
O que me chama séria atenção é, faria total diferença caso a empresa tivesse diversidade em sua equipe, pois, qualquer pessoa negra conseguiria ter o olhar de "olha, talvez isso não pegue bem!", o que obviamente não aconteceu e essa campanha racista foi ao ar. 


Lola foi bem incisiva em sua entrevista, no sentido de deixar claro que ela não estaria ali se soubesse do resultado e não esteve ali como vítima, ela é uma modelo, este é o trabalho dela, agora o trabalho mal feito da edição atingiu, não só a ela, mas uma parcela imensa da população. 



"Eu sou uma mulher nigeriana, nascida em Londres e criada em Atlanta. Cresci muito consciente da opinião da sociedade de que as pessoas de pele escura, especialmente as mulheres, ficariam melhores se a nossa pele tivesse um tom mais leve.

Eu sei que a indústria da beleza alimentou essa opinião com sua longa história de apresentar modelos brancas ou mestiças como padrão de beleza. Historicamente, e em muitos países, ainda hoje é assim. Modelos mais escuras são usadas ​​para demonstrar as qualidades de clareamento da pele de um produto.
Essa narrativa repressiva eu vi afetar mulheres de muitas comunidades diferentes das quais fiz parte. E é por isso que, quando a Dove me ofereceu a chance de ser o rosto de uma nova campanha de sabonete líquido, eu topei.
Ter a oportunidade de representar minhas irmãs negras para uma marca de beleza global me pareceu a maneira perfeita de lembrar ao mundo que estamos aqui, somos lindas e, mais importante, somos valorizadas.
Então, uma manhã, acordei com uma mensagem de um amigo perguntando se a mulher em um post que ele tinha visto era realmente eu. Entrei na internet e descobri que eu me tornara o cartaz involuntário de uma propaganda racista. Não estou mentindo.
Se você digitar “anúncio racista” no Google agora mesmo, uma foto do meu rosto é o primeiro resultado. Eu estava entusiasmada por fazer parte do comercial e promover a força e a beleza da minha raça, então isso era perturbador.
Apelos estavam sendo feitos para boicotar a Dove e amigos de todo o mundo estavam me procurando para ver se eu estava ok. Fiquei impressionada com o quão controverso o anúncio se tornou.
Se eu tivesse a menor suspeita de que eu seria retratada como inferior, ou como “antes” em uma propagada de antes e depois, eu teria sido a primeira a dizer um “não” enfático. Eu teria ido embora. Isso é algo que vai contra tudo o que acredito.
No entanto, a experiência que tive com a equipe Dove foi positiva. Eu tive momentos maravilhosos no set. Todas as mulheres na filmagem entenderam o conceito e o objetivo – usar nossas diferenças para destacar o fato de que toda pele merece gentileza.
Lembro-me de todas nós entusiasmadas com a idéia de usar camisetas e nos transformarmos umas nas outras. Não estávamos certas de como a edição final iria ficar, nem qual de nós seria realmente apresentada, mas todas pareciam estar alegres, inclusive eu.
Então, o primeiro anúncio no Facebook foi lançado: um videoclipe de 13 segundos comigo, uma mulher branca e uma asiática. Eu amei. Meus amigos e familiares adoraram. As pessoas me parabenizaram por ser a primeira a aparecer, por estar fabulosa. Eu estava orgulhosa.
O comercial de TV completo de 30 segundos foi lançado nos EUA e eu estava novamente na lua. Havia sete de nós na versão completa, raças e idades diferentes, cada uma respondendo a mesma pergunta: “Se sua pele fosse uma etiqueta de lavagem, o que ela diria?”
Repetindo, eu era a primeira modelo no anúncio, descrevendo minha pele como “20% seca, 80% brilhante” e aparecendo novamente no final. Adorei, e todos à minha volta pareciam bem. Eu acho que a edição completa da TV era muito melhor para deixar a mensagem da campanha clara.
Há definitivamente algo a ser dito aqui sobre como os anunciantes precisam olhar além da superfície e considerar o impacto que as imagens podem causar, especificamente quando se trata de grupos marginalizados de mulheres. É importante examinar se o seu conteúdo mostra que a voz do seu consumidor não é apenas ouvida, mas também valorizada.
Posso entender como as fotos que estão circulando na web foram mal interpretadas, considerando o fato de que a Dove enfrentou uma reação no passado pelo mesmo problema.
Há uma falta de confiança aqui, e eu sinto que o público estava certo em sua indignação inicial. Dito isso, também vejo que muito foi deixado de fora. A narrativa não forneceu aos consumidores um contexto no qual basear uma opinião.
Embora eu concorde com a resposta da Dove de se desculpar inequivocamente por qualquer ofensa causada, eles também poderiam ter defendido sua visão criativa e sua escolha de me incluir, uma mulher negra, como o rosto de sua campanha.
Eu não sou apenas uma vítima silenciosa de uma campanha de beleza equivocada. Sou forte, sou linda e não vou ser apagada". (The Guardian)

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