quarta-feira, 12 de agosto de 2015

AFROCENTRISMO: COMO VOCÊ ENCARA?

agosto 12, 2015 2
Muito ouvimos nos dias atuais os negros falando (de forma positiva ou negativa) do tal "amor afrocentrado" mas o afrocentrismo vai além dos relacionamentos amorosos. Atualmente a sociedade brasileira é considerada a maior população negra fora da África e mesmo assim, já repararam como é difícil quando você vai tentar dar preferência a ser atendidx por um profissional negro em qualquer área? Afrocentrar é uma opção difícil mas enriquecedora acreditem, é preciso desconstruir o racismo institucional que afasta os empreendedores negros dos consumidores negros Precisamos fomentar o nosso mercado para termos visibilidade!



Está em alta a pauta "Amor Afrocentrado", que é relacionar-se afetivamente apenas com pessoas negras mas é preciso deixar claro que isso deve ser uma opção natural, clara e que não represente nenhum sofrimento ou você corre o risco de gritar aos sete ventos discursos vazios sobre afrocentrar o seu amor e na hora de assumir um relacionamento sua "preferência"  pode ser criticada e essa falácia de "amor não tem cor" não vai colar ok? 


Afrocentrar é mais que isso e eu sugiro que vocês tentem, um pouco de cada um e nosso povo se fortalece a cada dia!

Uma pesquisa do Sebrae mostrou que 50% dos MEI's (Micro Empreendedores Individuais) e Pequenos Empreendedores do nosso país são negros (ou pardos) e estão espalhados por diversos ramos de negócios, que tal experimentar dar prioridade a estes empreendedores? Restaurantes, lanchonetes, lojas de roupas, calçados, bijuterias, personalizados... Pense no mundo de coisas que você pode comprar diretamente do fornecedor e fortalecer a economia negra no Brasil? O aumento do número de empreendedores negros pode estar diretamente ligado as ações afirmativas que estão sendo implantadas (a passos de tartarugas as vezes) em nosso país e apoiar isso também é uma ato político.

É preciso fazer uma pausa para os "mas se fosse um branco dizendo isso seria racismo" ou "agora só pode comprar com negro?", entendam de vez que se vocês estudarem história e o deficit social da população negra no Brasil desde a abolição vocês não terão esse pensamento burro!


Voltando ao assunto, afrocentrar pode ser bem legal e enriquecedor faz com que negros que por muitas vezes não teriam outras chances fora próprio negócio cresçam e quem sabe possam gerar mais empregos para a população negra, isso se torna um ciclo maravilhoso aonde mais negros tem oportunidade de crescimento saindo das camadas de pobreza e trazendo mais pessoas negras para cima!  A renda dos negros empreendedores melhorou, mas ainda continua 116% menor que a dos brancos (dado vindo da mesma pesquisa do Sebrae), portanto ainda temos muito a fazer para equilibrar essa balança. E eu repito: se cada um fizer a sua parte isso vira um mar de ações positivas! 
Entrar numa loja e preferir ser atendido por um vendedor negro, decorar a festa do seu filho ou seu casamento com empresas de afroempreendedores? Existem empresas negras e afrocentrados especializados em enegrecer a sua festa com estilo e bem gosto. É simples, é legal e acima de tudo é valorizar a negritude no outro, reconhecer os talentos do irmão e da irmã. Conhecer o trabalho de um empreendedor negro pode ser o primeiro passo para fazer a nossa economia girar, tentem uma coisa de cada vez e façam esse ciclo de ações positivas acontecer!

Conhece algum empreendedor negro ou você é um afroempreendedor? Pode deixar o link do trabalho dele aqui nos comentários que a gente faz questão de divulgar!

Abraços e até o próximo post!


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A MANADA ENLOUQUECIDA NA INTERNET

agosto 07, 2015 0

O post de hoje é grito por todos os meus irmãos e irmãs negras que são atacados todos os dias na internet.
Nos dias de hoje é fácil encontrar fotos ou posts de facebook inundados por uma avalanche de comentários racistas, homofóbicos, transfóbicos e todo lixo preconceituoso que você pode imaginar. Eles agem como uma manada, como um bando irracional e enlouquecido eles invadem de forma orquestrada a perfis, páginas e blogs para simplesmente (tentar) ferir. Vamos combinar que não é dificil ter um perfil no Facebook, qualquer acéfalo pode criar um (basta ter um e-mail e pra ter um e-mail basta ter um número de celular) e o que tem acontecido é que muitos acéfalos tem investido nestes "Perfis Fakes" para tentar causar algum estrago na vida de principalmente, mulheres negras. 
Em agosto do ano passado uma jovem negra foi atacada depois de postar uma foto com o seu namorado, ela negra e ele branco foram atacado por ofensas como "onde comprou essa escrava?" ou "sua mãe sabe que está andando com macacas?". Na ocasião ela registrou os devidos boletins de ocorrência e segue o processo contra os agressores.
É preciso que todos tenhamos ciência de que na internet assim como na vida real todos os criminosos são passíveis de punição por seus crimes.
No universo negro o crime mais comum é o de injúria racial:
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
- quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
Mas outros crimes tem sido registados com frequência como ameaças, racismo, crimes de ordem financeira e etc...
Geralmente como já foi citado os crimes são cometidos por perfis falsos, no entanto existem pessoas reais por detrás destes perfis e estas podem e devem ser responsabilizadas e pagar pelos crimes cometidos. 
O site GUIADEDIREITOS.ORG é uma ótima fonte de informações e esclarece como agir de forma correta em caso de crimes virtuais:
O denunciante deve reunir o maior número de provas possíveis. É essencial imprimir as páginas, guardar os endereços virtuais, salvar os links dos indivíduos responsáveis pelo crime e tirar cópia das ofensas. Para tirar uma cópia da página em que o preconceito está exposto deve-se usar o botão Print Screen (geralmente localizado no canto direito superior do teclado). Após situar a página no local em que apareça o endereço virtual e o conteúdo preconceituoso, o botão Print Screen deve ser pressionado. Logo depois, deve-se colar esse conteúdo (geralmente no programa Paint) e salvá-lo no computador.Uma vez que as provas estejam reunidas, o denunciante pode dirigir-se a qualquer tipo de delegacia. Há, em certos locais, Delegacias especiais para crimes virtuais. Há também a possibilidade de denunciar o conteúdo criminoso via Internet. 
Recentemente a página no Facebook do CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, também postou informações valiosas de como agir nestes casos e é de maior importância viralizarmos isso para que estes criminosos sejam punidos e investigados. 


Além desta página as denuncias também podem ser feitas através do Site SAFERNET e este ainda disponibiliza um código para que você possa acompanhar o andamento da sua denúncia! 
A justiça está de olho nestes criminosos e devemos perder a cultura de minimizar crimes de ódio cometidos via internet. Desde que estejam tipificados no código penal eles são sim passíveis de punição. INTERNET NÃO É TERRA DE NINGUÉM. 

Além de denunciar virtualmente existem delegacias especializadas em receber este tipo de vítima e tratar o caso de maneira correta a orientação sempre é NÃO DEIXEM QUE O CASO MORRA SEM UMA SOLUÇÃO, é sempre importante que os criminosos sejam punidos para eliminarmos a sensação de impunidade que estes costumam ter na internet!
Abaixo, vou deixar para vocês os endereços de algumas delegacias que recebem as denuncias de forma adequada:

São Paulo
Deic - Polícia Civil do Estado de São Paulo
E-mail: 4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.br
Fone: (11) 2221-7030 .
Endereço: Av. Zaki Narchi, 152 - Carandiru - São Paulo/SP.

Rio de Janeiro
DRCI - Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática
Endereço: Rua da Relação, 42, 8º andar, Centro - Rio de Janeiro (RJ)
Fone: (21) 3399 - 3201/ 3399 - 3202

Polícia Civil - Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI)
Endereço: Avenida Dom Helder Câmara, nº 2066, Benfica, Rio de Janeiro-RJ
CEP: 21050-452
Telefone: (0xx21) 2202-0281 / (0xx21) 2202-0277
E-mails: drci@policiacivil.rj.gov.br / drci@pcerj.rj.gov.br


Belo Horizonte
DERCIFE - Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra Informática e Fraudes Eletrônicas
Endereço: Av. Antônio Carlos, 901, Lagoinha - Belo Horizonte (MG)
Fone: (31) 3201-5892

DEICC - Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos
Av. Nossa Senhora de Fátima, 2855 - Bairro Carlos Prates
Belo Horizonte - M.G.
(ao lado da estação de Metrô Carlos Prates)
Fone : 31-3212-3002


Mato Grosso do Sul
POLÍCIA CIVIL DE MS - Delegacia Virtual de MS
Rua Des. Leão Neto do Carmo, 154 – Parque dos Poderes, Campo Grande/MS
Telefone: (67) 3318-7981
E-mail: devir@pc.ms.gov.br


Espírito Santo
Polícia Civil - Delegacia de Repressão a Crimes Eletrônicos
Endereço: Avenida Nossa Senhora da Penha, 2290, Bairro Santa Luiza, Vitória - Espírito Santo
CEP: 29045-403
Fone: (0xx27) 3137-2607 / 3137-9078 Fax: (0xx27) 3137-9077
E-mail: nureccel@pc.es.gov.br

Curitiba
Polícia Civil do Paraná
Endereço: Rua José Loureiro 540, Centro - Curitiba (PR)
Fone: (41) 3883-8100 .
E-mail: cibercrimes@pc.pr.gov.br

Brasília
Divisão de crimes de Alta tecnologia - DICAT, Brasília (DF)
Endereço: Setor Áreas Isoladas Sudoeste, Bloco D - Brasília (DF).
Fone: (61) 3462-9531

Paraná
Polícia Civil - Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber)
Endereço: Rua José Loureiro, 376, 1º Andar, sala 1, Centro, Curitiba- Paraná
CEP: 80010-000
Telefone: (0xx41) 3323 9448
E-mail: cibercrimes@pc.pr.gov.br

Rio Grande do Sul
Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI) junto ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC)
Endereço: Av. Cristiano Fischer, 1440 - Porto Alegre / RS
CEP: 91410-000
Telefone: (0xx51) 3288.9815, 3288.9817
E-mail: drci@pc.rs.gov.br


As delegacias não registram boletins de ocorrência online, por isto é importante comparecer pessoalmente, com o maior número de provas substanciais, para a punição dos infratores.
Estejam sempre cientes que nós temos o direito de ser respeitados SEMPRE e qualquer ação que fira nossa dignidade NÃO DEVE nunca ser deixada impune. Denunciar é sempre o melhor caminho!

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

#MODA: IT BOY BLACK

agosto 05, 2015 0
Hoje é dia de falar de uma coisa que eu gosto bastante, a moda!

Primeiro de tudo, a moda é universal e democrática por mais que a mídia eurocêntrica tente mostrar o contrário ok? Todo mundo pode e deve se interessar em procurar representar a sua personalidade através do modo de se vestir e é o seu estilo mesmo, não o estilo da passarela!

Moda é antes de tudo se sentir bem, confortável e bem de boa com o que você vê no espelho! Eu particularmente adoro me vestir bem, de forma confortável e estou planejando fazer um post sobre o meu guarda-roupas super econômico pra vocês. As vezes eu compro cada coisa nas liquidações que fica até difícil acreditar nos preços, rs!

Bom, hoje eu vou mostrar o Rafael Ferrero de 24 anos que é do Rio de Janeiro - RJ, ele é ator e blogueiro no Somos Outros!

O Rafael deu uma entrevista no blog contando um pouco da relação dele com a moda e

o foco claro, é a a visão dele da relação moda X negritude. Espero que vocês gostem!



Qual a sua referência de estilo?
Eu amo roupas de brechó, prezo muito pela exclusividade da marca, busco referências em filmes e em blogs internacionais, infelizmente aqui no Brasil não temos ainda referencias de ditadores de tendências.




Qual o tipo de look que você mais gosta ou considera que mais te valoriza?
Amo regatas pretas, pra mim é a peça-chave no meu guarda-roupas, tenho umas 7 ou 8. A ideia do jeans with jeans também me agrada bastante, amo misturar roupas com o mesmo material além do total black que, no meu caso, sempre dá certo.




Sobre a moda, qual o seu principal conselho a quem vê você como referência de estilo negro?
Moda pra mim é mais do que vestir qualquer roupa, moda pra mim é liberdade de expressão, é expressar a liberdade que temos de vestir o que quisermos, moda é ciclo e temos que estar sempre de olhos bem abertos para entender o que ela nos quer dizer, meu principal conselho é: experimente fazer diferente antes dos demais. A tendencia do ser humano em si é copiar, nós do ramo da moda temos que nos antecipar ao máximo, ainda mais aqui no Brasil que nós ainda temos o tabu de que homens não podem estar na moda.


O Rafael cedeu três fotos pra exemplificar e mostrar que homem pode sim, estar na moda e como ele mesmo disse, de forma bem simples!


"A foto com o chapéu e jaqueta de couro foi um look total black que conforme disse entrevista eu amo!"
Foto: Lene Gil



"A foto com o macacão e jaqueta jeans fazem valer a frase acima: amo montar look misturando roupas com o mesmo material. "

Foto: Lene Gil

"A foto no meio do matagal foi um editorial que montamos com a calça que garimpei na Forever21, e que amei."

Foto: Lene Gil
Bom gente, é isto! Moda é para homens, mulheres, altos, baixos, magros, gordos... Moda é para geral! E o Rafael conseguiu mostrar muito bem como pode ser bom se interessar por moda sem fazer disso uma obrigação!
Deem uma conferida no blog dele, é bem legal e tem muitas referências para os meninos. E tem também o Facebook e o Instagram!

Comentem aqui o que acharam do post e caso tenham alguém que considerem referência, podem deixar aqui o link que eu vou correr atrás para que mais gente conheça!

Beijos e até mais!


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O BRANQUEAMENTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

agosto 03, 2015 0


É espantosa a quantidade de manifestações dentro do movimento negro em relação ao que é ou a quem não deve ser considerado negro no nosso país. É procurando entender isso que estou me dedicando a ler sobre a "POLÍTICA DE BRANQUEAMENTO" adotada no Brasil após a abolição da escravatura em 1888. 
Após libertos era ínfima a quantidade de negros alfabetizados ou com condições de se manterem estáveis economicamente. Em contrapartida a raça branca, continuava buscando se autoafirmar sob a imposição de seus costumes e o resultado disso foi uma busca enlouquecida por embranquecer a população Brasileira.
Em São Paulo na década de 30 os clubes da "Sociedade Negra" estavam excluindo de seus membros todo e qualquer um que insistisse em manter "um pé na senzala". Diversos militantes negros da época consideravam que, para evoluir, melhorar e ser aceito o negro deveria se aproximar o máximo possível em comportamento e estética do branco. Sendo assim, aquele negro que insistia em frequentar rodas de samba, cultos de religiões afro-brasileiras, usar turbantes ou guias automaticamente era considerado indigno de fazer parte dessa sociedade.
O texto abaixo, foi escrito por um negro influente dentro do MN da época:
"Seguir os brancos nas suas conquistas e iniciativas felizes [...] será o marco inicial da segunda redempção dos negros [...]. Salientamos que a sua liberdade não foram elles [negros] que conseguiram. As tentativas que emprehenderam mallograram desastrosamente. E da mão do branco que odiavam receberam a liberdade dos seus sonhos! ( Folha da Manhã , São Paulo, 12/1/1930)."

Esse era o discurso empregado por negros na tentativa de anular a cultura do nosso povo e se parecer cada dia mais com os opressores. 
Vem daí o costume de ensinar que o povo negro não teve heróis capazes de lutar por suas causas e que tudo que o negro alcançou de positivo veio da mão de um branco. Foram anulados e aos poucos apagados diversos ícones negros e colocaram em seus lugares personagens brancos para que
o povo negro acreditasse que eles eram a raça exemplar a ser seguida. Esse comportamento serviu para reforçar a (ilusória) sensação de superioridade dos brancos e a sensação (dolorosa) de inferioridade dos negros.


O Branqueamento da sociedade no Brasil pode ser agrupado dentre 3 critérios:
O biológico, o social e o estético.

O "Branqueamento Biológico" nada mais é que "clarear as famílias" literalmente. Os relacionamentos inter-raciais foram extremamente incentivados afim de "melhorar a população brasileira" levando-a cada vez mais em direção a branquitude. O sonho de todo negro era que seus filhos e filhas se casassem com um indivíduo de pele mais clara e o sucesso era alcançado quando os filhos dessa união nasciam com a pele mais clara que seus pais. Por isso os negros de pele clara, não tem "culpa" e nem podem viver no limbo, por terem nascido assim. 
Nesta mesma época, diversos especialistas e defensores do Branqueamento do país defendiam também que a melhor forma de coroar o racismo é incutindo-o na cabeça dos negros, assim nós mesmos faríamos o papel de disseminá-lo e por meio de guerras internas nós nos auto-eliminaríamos sem que o branco precisasse ser acusado disto.

O "Branqueamento Social" fez o que vivenciamos até hoje. O objetivo era afastar os negros de suas raízes e tudo o mais que pudesse fazer qualquer referência a sua origem africana. Esse processo serviria para que o negro absorvesse toda a suposta cultura branca, bem como seus costumes, religião, falas e o que eles chamavam de "puritanismo social". Quanto maior fosse a "brancura da sua alma" maior as chances de você ser aceito e abraçado pela sociedade. E fazendo sempre questão de lembrar que os negros do Brasil não eram africanos e por isso não deveriam se apegar a nada que remetesse àquela terra.

Por último e não menos nojento o "Branqueamento Estético", este que nós conhecemos de cor e salteado. Também logo após a abolição houve um crescimento enorme na venda de produtos que prometiam alisar os cabelos e branquear a pele negra. Quanto mais você de aproximasse da estética branca, maior a probabilidade de ser abraçado pela sociedade. As negras eram incentivadas a usar pó de arroz branco para frequentar rodas sociais em que houvessem brancos. Por volta de 1930 chegou ao Brasil diversas marcas de "cremes branqueadores" que prometiam clarear a pele tornando o negro mais "apresentável", vários negros morreram tentando usar alvejantes e soda cáustica para clarear a pele. Acreditava-se que coisas absurdas como comer barro, tomar muito leite ou tomar pouco ou nenhum sol clarearia progressivamente a pele.

Outra medida importante que precisa ser citada, adotada pelos apoiadores da teoria de branqueamento do Brasil era evitar que os negros brasileiros tivessem contato com os negros estadunidenses. Segundo os apoiadores do branqueamento era muito arriscado para o processo deixar que se aproximassem negros com orgulho de sua raça, temia-se que os negros brasileiros se fechassem em clãs e bairros impedindo então que o branqueamento avançasse. 
Este texto publicado em 1930 destaca e exemplifica de forma clara a diferença do racismo brasileiro e o estadunidense, talvez esteja ai a explicação desse discurso vazio de que não podemos comparar o racismo do Brasil com os Estados Unidos:

Nós brasileiros costumamos orgulhar-nos da nossa bondade de coração, da nossa piedade e sentimentalismo generosos. Convictamente affirmamos em dose mais elevada que os outros povos.  Pretendendo ser mais humanos que os americanos, nós não lynchamos os negros, mas fizemos a extinguirmos completamente a raça negra, abandonando-a á ignorância, á degradação ao analphabetismo, á promiscuidade, á cachaça, á syphillis, a ociosidade.  Qual é o preferível — é sentimentalismo brasileiro ou a brutalidade americana?  O nosso sentimentalismo não é homicida?  Daqui a trinta ou cincoenta annos a raça negra está extinta no Brasil graças ao nosso sentimentalismo.  Os americanos lyncham cincoenta negros por anno. Nós matamos a raça negra inteira no Brasil. (O Clarim D'Alvorada, São Paulo, 28/9/1929:4)

A minha intenção com este post é escurecer alguns pontos importantes e tentar entender de onde vem essa dificuldade tanto de evitar relacionamentos branqueadores (afetivos, sociais e históricos) quanto a dificuldade de uma vertente do movimento negro aceitar os negros clareados.

Abaixo eu vou deixar todas as minhas fontes de leitura que usei para me aprofundar e fazer este texto, para quem quiser se aprofundar e ler mais pois este post é realmente só a ponta do icebergue!


quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUEM É MAKOTA VALDINA?

julho 30, 2015 2
Valdina Pinto, é uma mulher negra, professora, líder comunitária e religiosa, marcada pela fé e pela luta por dignidade de todos os brasileiros afro-descendentes, especialmente das mulheres negras . Ela foi contada no vídeo-documentário “MakotaValdina: Um jeito negro de ser e viver” (vale muito assistir a este documentário, são dezenove minutos que enriquecem e muito nosso repertório) um dos vencedores do Primeiro Prêmio Palmares de Comunicação – Programas de Rádio e Vídeo, realizado no ano de 2005. Nascida, criada e sempre moradora do Engenho Velho da Federação, bairro de Salvador onde se registra a maior concentração de Terreiros de Candomblé, ela é reconhecida como educadora, religiosa, ambientalista e militante negra. No ano de 2005, foi proclamada “Mestra de Saberes” pela Prefeitura Municipal de Salvador. 

Como educadora e Makota de terreiro, Valdina vem lutando desde a década de 1970 contra a intolerância, principalmente a religiosa. Ela se posiciona na sociedade como militante e fez questão de impulsionar as mudanças na própria religião. Como ela diz, "é preciso ser sujeito dessa história e não objeto". Sobre a visão da vida, comunidade e religião, Makota acredita que nada vive em separado. Tudo para ela é uma relação única. Uma das lutas da educadora é que o Candomblé precisa ser mais respeitado no Brasil.


"A nossa negritude sempre foi exportada como algo mágico, como algo folclórico e não como a cultura de um povo. Mesmo porque nós ainda lutamos contra racismo, preconceito e discriminação. Quando me tornei uma ativista e que comecei a falar de uma outra maneira, mostrando o candomblé, mostrando o sujeito de quem vive, eu me dei conta que nós éramos objeto de pesquisa, alguém falava sobre nós. Então foi intencional empunhar essa bandeira religiosa para desconstruir uma série de estereótipos e teorias desenvolvidas sobre nós e que eu considero ainda inverdades. 
É preciso que cada vez mais sejamos sujeitos de nossa fala, nossa escrita, de nossa história. É preciso parar de ser objeto. É preciso dar essa voz, dar esse espaço. Nesse ponto eu acho importante o fato da Flica me convidar, porque eu acho importante eles me darem um espaço para poder falar sobre isso, além de estar em uma mesa junto com Pepetela e, por meio dessa oportunidade, desconstruir essa imagem"
Em entrevista a Revista Palmares Valdina contou da sua vida, da sua trajetória de empoderamento do povo negro e suas lutas para nossa valorização, o link para download da publicação ESTÁ AQUI e todos podem baixar e ler na íntegra além das partes que eu achei importante destacar abaixo

Revista Palmares: Você se considera uma “sábia negra”? Não, eu me considero uma aprendiz. Dizem que eu sou uma sábia. Na semana passada, fui homenageada com uma placa como mestra de saberes populares. Então eu digo: a negra que eu sou, o ser humano que eu sou, sou porque aprendi com os meus mestres. Meus primeiros mestres foram meus pais. Meus segundos mestres foram os outros negros da comunidade do Engenho Velho da Federação. Na primeira escola que estudei, minha primeira professora escrevia as letras e os números em uma pequena pedra, uma lousa apoiada em madeira. Meu lápis era também feito de pedra. Aqueles negros, aquelas negras, mulheres e homens da comunidade onde nasci, cresci e moro até hoje, foram os meus primeiros mestres. Naquele tempo a família era extensa. A comunidade era uma família. E ali a gente ensinava o que aprendia. Toda criança era responsabilidade de todo adulto. A gente aprendia dentro de casa a fazer as coisas, a cuidar da casa, a cuidar de outros. Como era a terceira filha e a mais velha das mulheres, aprendi também a ter cuidado com outros e com as crianças. A sabedoria que tenho hoje é que me foi passada por eles.

Revista Palmares: Quando a percepção das diferenças sociais e da discriminação foi sentida por vocês? Naquela época todo mundo era igual. Essa situação começou a mudar a partir da década de 70, quando aquele grupo começou a ver lá fora o outro. A gente vivia aquele mundo dali, onde todos eram iguais. Quando começou a chegar o progresso, o “Mata Maroto” passou a não ser mais Mata Maroto, e sim “Cardeal da Silva”. O asfalto chegou ali. A Horta dos Padres já começava a deixar de ser Seminário e passou a se transformar no que é hoje a Faculdade Católica. O Quebra Laço, onde hoje é a Escola Via Magia, onde a gente tirava mato para enfeitar a casa no final de ano, passou a ser desmatado. Foi uma fase em que Salvador começou a inchar e o Engenho Velho começou a ter uma outra cara. Também no início dos anos 70, chegou a televisão, começou a chegar uma invasão de outros jeitos, de outras formas de vida. Neste momento surgiu o Ilê e o Movimento Negro. De um lado a gente encontrava uma forma de se expressar, juntamente com outros grupos que tinham o nosso mesmo jeito de viver, como os grupos lá do Curuzú. Por outro lado, vinham também informações de como a gente vi- via e de como éramos vistos. Até aí, achávamos que tudo estava legal, que esse era o nosso mundo. Começaram então a chegar informações de que existia um outro mundo e que você não era parte dele. Aí é que começou uma tomada de consciência.Em 1970, as coisas que eu vivenciava não eram questionadas. Em relação a mim mesma acontecia algo muito importante. Em 1970, fui convidada a ensinar Português para um grupo de voluntários, naquela época no Grupo Voluntários da Paz. Até aí eu não tinha noção de que o jeito como nós vivíamos era objeto de estudo, que tinha valor para alguém. Porque eu simplesmente vivia aquilo.  
"Nunca deixei de ser a educadora que sempre fui. Luto até hoje e até o final da minha vida, enquanto eu tiver força e enquanto eu tiver motivo por lutar, eu lutarei. Por Justiça, igualdade, paz e pela liberdade".



Fontes: PORTAL G1  | REVISTA PALMARES  

terça-feira, 28 de julho de 2015

HIDRATANTES LABIAIS NIVEA: RESENHANDO OS FAVORITOS

julho 28, 2015 4
Hoje tem resenha de um produto útil, apesar de ser bem consumista,  eu não compro nada que eu não vá usar. A vida não anda fácil e meu dinheiro, não é capim!

No começo do mês, quando o frio apertou, meus lábios ressecaram bastante, como eu gosto muito de usar batons matte, eles logo denunciam o estado de caos da boca e aí, foi necessário começar a pesquisar sobre protetores labiais. Durante toda a vida, não investi mais do que R$2,00 em cada, boa e velha, Manteiga de Cacau, mas, desta vez eu não estava muito afim de sair por aí com a boca lambuzada de gordura. Nas minhas leituras, descobri que a famosa "Manteiga de Cacau" não é hidratante e sim lubrificante, o que na prática, quer dizer que ela não vai tratar o ressecamento, vai apenas diminuir aquela sensação de "queimadura", logo, não serviria para nada no meu caso.
Já ouviram falar do protetor labial gringo, famosíssimo, o EOS? Ele é uma excelente opção, pois ao contrário da Manteiga de Cacau, é completamente orgânico, não tem parabenos, parafinas, óleo mineral e nada desses componentes famosos por apenas, darem uma falsa sensação de hidratação/nutrição das áreas e usados por muitas empresas, na intenção de baratear as fórmulas. O caso é que, no Brasil, o EOS custa em torno de $30,00 cada um, o que eu acho caro!
Já havia ouvido falar nos Protetores Nívea, mas nunca dei atenção, porque eu achava que a minha fantástica saída, de dois reais, sempre resolveria.

ESSENTIAL CARE e SOFT ROSÉ

Os protetores da Nívea, assim como o famosinho EOS, são totalmente orgânicos, olha só a composição do Essencial Care: "Cera Microcristalina, Octildodecanol, Polideceno Hidrogenado, Óleo da Semente de Ricinus Communis (Rícino), Palmitato de Cetila, Miristato de Miristila, Álcool Cetearílico, Copolímero de VP/Hexadeceno, Glicerídeos de Coco, Tetraisoestearato de Pentaeritrilila, Copolímero de VP/Eicoseno, Diisoestearato de poliglicerila-3, Estearato de Alquila C 20-40, Glicerina, Cera de Copernicia Cerifera (carnauba), Fruto de Butyrospermum Parkii (Manteiga de Karité), Óleo da Semente de Simmondsia Chinensis (jojoba), Acetato de Tocoferila, Pantenol, Óleo da Semente de Vitis Vinifera (uva), Cera de Abelha, Água, Fragrância". Por isso vale (muito) a pena pesquisar, antes de gastar, pois existem produtos nacionais tão bons quanto os gringos e, com preço justo!
Quando fui atrás de comprar o protetor labial, minha surpresa foi ainda melhor, achei um kit com estes dois por R$14,90 na Lojas Americanas, procurei na loja virtual para deixar o link aqui para vocês e não encontrei, mas, na ocasião eu comprei na loja física que fica no Itau Power Shopping em Contagem.
A textura do Essential Care é bem mais cremosa e hidratante, uso ele em casa ou a noite, pois ele protege por muito mais tempo. O Soft Rosé é mais sequinho e, serve para usar debaixo dos batons matte, que eu tanto amo, sem prejudicar o aspecto do sequinho do batom.
A minha nota para os protetores estes protetores, com certeza, é dez. Protegem, hidratam, previnem e tem um cheirinho maravilhoso. O Essential Care, tem aquele cheirinho clássico da Nívea, que conhecemos desde criança e, o Soft Rosé, tem um cheirinho de morango bastante suave.

domingo, 26 de julho de 2015

FRASES QUE AS CRESPAS SE CANSAM DE OUVIR

julho 26, 2015 4
Antes de mais nada, este post não é uma alfinetada ou uma indireta. Até porque eu não sou obrigada, rs! É um toque, a todos que mesmo sem querer acabam cometendo essas gafes e as vezes nem se dão conta do quanto isso é inconveniente. O importante é desconstruir para evoluir!






1. "Mas esse seu cabelo tá na moda!"

Não. Não está! As pessoas tem falado cada vez mais da moda do cabelo crespo, mas se esquecem que não vemos essa moda nos altos cargos. Não é moda, é identidade. Quando o frisson passar nossos cabelos continuarão nascendo crespos!










2. "Nossa, como você penteia?"

Eu não uso pente, lidem com isso! Cabelos crespos são frágeis, geralmente com fios finos e no meu caso que tenho descoloração ele é mais sensível. Pentes só se for com dentes bem largos, do contrário desembaraço com os dedos!










3. "Mas porque você não passa alguma coisa para abaixar o volume?"

Por Dandara, apenas parem! Passa pela cabeça de vocês que alguém que ficou praticamente careca para tirar a química de transformação vai mesmo em sã consciência "passar alguma coisa" tenho até medo dessa coisa para abaixar o volume?








4. "Acho super legal cabelo assim. Sua cara. Só não combina comigo."

Não digam mesmo se for para elogiar, não digam! Cabelo natural é uma ideologia nós estudamos e nos conhecemos muito para chegar até aqui! Muitas acreditam que o símbolo de resistência que é o nosso cabelo seria muito importante para qualquer mulher. Dizer isso, vai fazer a crespa problematizar sobre identidade com você por pelo menos meia hora!






5. "Meu cabelo é liso/ondulado, mas queria que fosse assim que nem o seu!"
Não, não queria e no fundo você sabe disso mas a sua vontade de agradar é tanta que você força a barra. Este não é o jeito certo de empoderar alguém.










6. "Mas como você corta isso?"
Primeiro de tudo não é "isso", chamar nossos cabelos de "isso" não é legal e a gente não se sente bem ok? E corto como qualquer outra pessoa corta o cabelo, com tesoura!









7. "Posso tocar?"
Não, não pode. Pelo mesmo motivo que não se deve chamar de "isso". Nosso cabelo não é uma atração circense. Não usamos cabelo natural para chamar atenção, nosso cabelo é afrontamento, resistência e não um teatro. E o pior, geralmente pedem para tocar naquele dia que você ficou duas horas fazendo o cronograma e mais meia hora garfando para ele ficar lá no alto, risos





E mesmo que você já tenha dito uma ou algumas dessas frases, não se preocupe porque nunca é tarde para mudar e se tornar uma pessoa melhorada! Existem preconceitos que estão tão naturalizados na nossa sociedade que raramente percebemos que estamos sendo preconceituosos!

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