quarta-feira, 22 de maio de 2019

VOCÊ QUER O FIM DO PRIVILÉGIO OU APENAS QUER FAZER PARTE DELE?

maio 22, 2019 0
"Ah, mas, mulher preta também erra...". Erra, claro que erra! Mas, aqui estamos na frente de um probleminha bem maior.


Imagem: Retirado do site: Negrospe.blogspot.com 
Em tempos de exposição na internet para "resolver" divergências políticas e morais esbarramos em algo que até pouco tempo tínhamos como consenso não fazer. Uma delas, expor as atitudes que consideramos erradas e partiram de pessoas pretas no intuito de envergonhá-las ou fazer com que elas repensem atitudes que repudiamos. Era comum a máxima de que "a nossa roupa suja se lava em casa" e que expor os problemas internos da comunidade negra para o "grande público" – lê-se a branquitude que, ao presenciar estas discussões internas reuniria "ferramentas" para ataques desnecessários a pessoas ou grupos internos a comunidade negra – logo, silenciar publicamente para "não rechaçar os nossos", era um comportamento esperado, afinal, temos problemas maiores para nos preocupar – como, por exemplo, o genocídio do povo negro.

Acontece que vamos agora admitir que a internet também é nossa casa, ou seja, ao admitir que a internet também é um campo de disputa de poder para o povo negro, além de ser plural. Isto é, não é mais de negros versus brancos, mas, pessoas versus pessoas, admitimos que disputas criadas no campo virtual são passíveis de se desenrolar dentro dele, não importando que os personagens sejam pessoas negras. A internet é nossa casa e nossa roupa suja também pode ser lavada aqui.

Pessoas pretas são diversas. "Não somos garras de coca-cola" e não devemos nunca ser considerados como uma massa que pensa e age igual desconsiderando nossas especificidades e está tudo certo em discordarmos. Ou deveria estar.

Quando isso não acontece, a tendência é que várias pessoas se manifestem no sentido de demonstrar que tiveram seus sonhos quebrados, destruídos. Vira as vezes um longo roteiro de lamentação sobre ídolos perdidos. E este comportamento é extremamente perigoso. Primeiro, porque não devemos idolatrar (sem nenhum sentido cristão) as pessoas que admiramos, isto os torna inatingíveis, os desumaniza e corremos o grande risco de nos decepcionar com atitudes que são normais, humanas. E em segundo lugar, é preciso admitir que já passou da hora de colocarmos pessoas negras em locais imaculados (também ignorando o sentido cristão) e completamente perfeitos. Seres humanos negros são diversos.

Mas, para além da preocupação da desumanização por detrás disso, está um outro ponto muito importante: embora esperemos que as pessoas errem, afinal, são humanas, não devemos "justificar" comportamentos que vão contra o empoderamento coletivo.

Em seu livro O que é empoderamento?, a autora Joice Berth destaca a importância de ações coletivas que levam ao empoderamento. O empoderamento individual, este que não vai levar ao avanço da comunidade negra que, mesmo diversa, deve caminhar para a frente. É por isso que lutamos e por isso que entendemos a importância da equidade racial.

As críticas que muitos insistem em pessoalizar, transformar em "ataques de inveja" podem ir muito além disto. Explico.

Pessoas negras com acesso a meios institucionais que a maior parte da população negra não tem, não deveriam usar estes acessos no empoderamento individual, com carreiras e visibilidade – na internet – que lhes permitem acessar alternativas que outras pessoas não tem. Rafael Braga, por exemplo, embora tenha tido visibilidade não poderia nunca usar de artifícios do sistema ao seu favor, por não deter o capital cultural necessário para isso. Já pessoas negras que vivem num meio branco falando sobre a negritude e lucram com isto, tem uma entrada diferente e, ao entrar no sistema para mudá-lo de dentro assumem o risco de que o sistema também aja sobre elas. Neste momento deixam de apenas estar lá dentro para mudar, mas, também passam a fazer com que, em alguma medida, o sistema funcione para elas.

É lógico que, enquanto pessoa preta, este indivíduo jamais irá subverter a ordem social, mas, esses microabusos passam a ser cometidos de maneira deliberada. Aí que é que está, não é mais "um erro ao qual está sujeito todo humano".

Enxergar e sinalizar isto não é desumanização deliberada, não é tirar da pessoa preta o direito de errar. É apontar um erro sistêmico que leva o buraco bem abaixo.

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sábado, 18 de maio de 2019

APLICATIVOS PARA ORGANIZAR A VIDA DAS INFLUENCIADORAS DIGITAIS

maio 18, 2019 0
Aplicativos para organizar a vida das Influenciadoras Digitais, Blogueiras e Youtubers. Foto: GettyImages
Existem aplicativos para organizar a vida das influenciadoras digitais que podem ser simples, gratuitos e ao alcance de todas nós. Isso para nos ajudar na coordenação desta vida. Esta estruturação é ponto fundamental para que nós que executamos todas as partes do trabalho de influenciadora digital, para não nos perdermos no meio de tantas tarefas. Então, vamos saber quais aplicativos são estes.

Para quem está no YOUTUBE é fundamental acompanhar de pertinho as métricas da rede. Saber quais são os melhores dias e horários para alcançar seu público ou ver como andam suas visualizações. E o que nem tanta gente sabe é que o Youtube possui um aplicativo de gerenciamento especialmente para isto. O app é o YOUTUBE CREATOR e ele traz várias funcionalidades diretamente do youtube estúdio. O Analytics está bem organizado e fácil de visualizar, além de você poder acompanhar os dados em tempo real, você pode subir capas personalizadas para seus vídeos.

 

Ainda para ajudar as que utilizam o YOUTUBE, o aplicativo PICSTART pode ser uma mão na roda! Na hora de fazer a capa dos vídeos algumas de nós sofrem para encontrar o tamanho perfeito da famosa thumbnail. Com este aplicativo você encontra o tamanho certo para várias redes sociais, inclusive o tamanho exato para as miniaturas de vídeo.

 


NOTAS DO KEEP é um aplicativo do time de funcionalidades do GOOGLE, isso significa que você também poderá acessá-lo pelo computador e é isso que o torna tão útil. Este é um aplicativo de notas e listas fundamental para organização da vida de criadora de conteúdo. Nem sempre você pode executar na hora uma ideia, então basta anotar na sua listinha e acessar quando for produzir seu material, seja utilizando o computador ou pelo celular.

 

Para repostar fotos no INSTAGRAM, vindas de outro perfil, geralmente os aplicativos não tem a opção sem carimbo (marga d'´gua) ou cobram para liberação desta funcionalidade. O aplicativo REPOSTA te dá esta opção gratuitamente. De todos os aplicativos para organizar a vida das influenciadoras digitais este deve ser um dos que possui o funcionamento mais simples facilitando demais a nossa vida.

 


Quer produzir vídeos curtinhos com base num conteúdo maior? Por exemplo, você gravou um vídeo para o Youtube e quer reduzi-lo para o Instagram? O QUICK VÍDEO vai te ajudar. Com este aplicativo você pode, de uma só vez, reduzir o tamanho, suprimir o áudio original, acrescentar nova trilha e ter em segundos um resumão do seu vídeo original para outras redes sociais, não é o máximo?



O LEGEND é um aplicativo gratuito que transforma em vídeos animados qualquer texto. Isso quer dizer que você pode produzir vídeos curtinhos que podem ser usados para muitas coisas, como vinhetas do YOUTUBE, por exemplo. São várias carinhas possíveis para o mesmo texto, várias cores e fontes, todos gratuitos.



Todos estes aplicativos para organizar a vida das influenciadoras digitais estão disponíveis para ANDROID, se você encontrar algum deles - ou algum semelhante que substitua - para o IOS é só deixar aqui nos comentários.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

TRÊS SÉRIES + UM FILME PARA MARATONAR NO FERIADO

maio 02, 2019 0
TRÊS SÉRIES + UM FILME PARA MARATONAR NO FERIADO
Quem nunca maratonou uma série na NETFLIX que atire a primeira pedra!
Este é um comportamento viciante, mas, também vale para quem quer relaxar e curtir o feriado sem atividades muito badaladas. 
Pensando nisto, preparei uma lista com minhas séries e filmes favoritos para indicar ótimas maratonas neste feriado.

1 - LA CASA DE PAPEL

É a história de um assalto à Casa da Moeda Espanhola. Você vai deixar de torcer para os mocinhos, aliás, a polícia deixa de ser o "lado bom" da história e você se pega torcendo para os bandidos vencerem essa saga.
TRÊS SÉRIES + UM FILME PARA MARATONAR NO FERIADO

2 - SENSE 8

Para mim, a melhor série que a Netflix já produziu! Diversa e muito emocionante, os personagens saem da caixinha e do circuito Holliwodiano. Tem gente de quase todos os continentes e com todas as caras. A gente não enjoa de ver sempre os mesmos rostinhos padrões na nossa tela.

As outras duas dicas estão em vídeo, lá no canal. Confere, assiste e me conta nos comentários o que você achou!

sexta-feira, 5 de abril de 2019

TÁ NA HORA DE PARAR DE DAR MORAL PRA R4C1ST4

abril 05, 2019 0


Vamos parar de falar de racista? 
Não, não é parando de falar de RACISMO que ele acaba, mas, pra isso a gente não precisa deixar racista famoso, não é, bebê?
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Todos os dias uma "jovem inocente" vai parar na rede sendo racista e, da noite pro dia, as redes explodem e a bicha tá famosa. Enquanto isso, vocês perdem o conteúdo de vaaaaárias minas negras muito boas de serviço. Várias empresas têm investido no hate whatching, uma espécie de "audiência do ódio": cometem racismo, lotam as redes, pedem desculpas e PRONTO!

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Tá na hora de parar de deixar racista famoso. A recompensa em ser racista não pode ser a fama, galera, acorda! Porque vocês não viralizam os nossos? Agora, basta uma racista fazer uma coisa esquisita no cabelo e pronto, vocês colocam gente sem senso do ridículo no topo das listas. .
Que tal a gente aprender, de uma vez por todas, a brincar de internet? Racismo é crime, ALÉM das redes sociais isso é caso de POLÍCIA!
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Vamos combater e falar do RACISMO, racista não tem que ficar famoso as custas da nossa dor.


quarta-feira, 27 de março de 2019

Liniker e os Caramelows levam o repertório de Goela Abaixo para o palco!

março 27, 2019 0
Foto: Leila Penteado
Goela Abaixo é um disco de muitos CEPs. O segundo disco da carreira de Liniker e os Caramelows teve registros feitos em Portugal, na Alemanha, em São Paulo, Araquara, entre outros. Isso se deu devido à movimentada agenda de shows da banda. É como se o álbum fosse fruto da estrada. E é pra ela que o trabalho volta. No dia 30 de março (30/03), sábado, o grupo apresenta o novo show no Sesc Palladium, em Belo Horizonte. Os ingressos já estão à venda e podem ser encontrados aqui.
“É um som para respirar, para dançar espaçado e sentir para onde cada faixa leva”, diz a cantora e compositora Liniker Barros sobre Goela Abaixo, que tem produção assinada por Rafael Barone, baixista dos Caramelows.

No palco, os momentos intimistas do álbum são mantidos, a exemplo das músicas que são guiadas por piano: “Claridades”, “Initimidade” e “Amarela Paixão”. Ainda assim, a já conhecida explosão dos grooves do conjunto ao vivo se mantém.
Para a turnê de Goela Abaixo, também há novidades na formação da banda. Além de Liniker Barros (voz), Rafael Barone (baixo), Pericles Zuanon (bateria), William Zaharanszki (guitarra), Renata Éssis (backing vocal), Marja Lenski (percussão), Fernando TRZ (teclados) e Éder Araújo (saxofone), um trompetista e uma backing vocal somam ao time.
Na parte visual do novo show, o destaque vai para as projeções da VJ Laura do Lago.

Vamos nos ver?
Quando: Dia 30 de Março, às 21h00.
Onde: No Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 - Centro - Belo Horizonte)
Quanto: Os ingressos custam à partir de R$30,00, que podem ser comprados através do site ou presencialmente na bilheteria do Sesc Palladium.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A NAMORADA TEM NAMORADA. E UM FILHO TAMBÉM.

fevereiro 28, 2019 2
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Há pouco tempo li um texto do Jay-Z contando sobre a mãe dele ser uma mulher lésbica, durante toda a vida e, mesmo assim, escondeu isso dos filhos para que isso não lhes causasse dor. O cantor explicou que o medo da mãe não era de que seus filhos - boas pessoas e bem criadas, sem preconceitos - lhe maltratassem ou passassem a ver a mãe com indiferença, mas sim de que as pessoas tratassem seus filhos com ódio ao descobrir que ela, a mãe deles, era uma mulher que amava outras mulheres. Jay-Z seguiu dizendo que “no fundo sempre soube”, mas esperou que a mãe o dissesse por livre e espontânea vontade sobre a sua orientação/condição sexual.

Em 2015, o garoto Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, foi assassinado por colegas de escola após se envolver em uma briga.


O estopim da confusão foi, pasmem, o fato de o garoto ser filho de um casal homoafetivo. Peterson foi espancado e morreu após quinze dias internado em estado grave.

Jay-Z passou sua infância e adolescência entre os anos 1970 e 1980 no Brooklyn, Nova York, em épocas e locais diferentes, mas, mais de trinta anos depois, é possível encontrar notícias recentes que justifiquem o medo de Gloria Carter até hoje. Então, como lidar quando a namorada tem, além de uma namorada, um filho?

A maternidade já é - sem precisar de agravantes - complicada e delicada de levar. A tarefa de criar um ser humano é muito maior e mais exaustiva do que se pode imaginar. E falando em condições de família tradicional brasileira - como querem nos fazer crer os tradicionais - já é difícil criar um ser humano isento de “traumas”, imagina então quando a família dessa criança foge ao papel social heteronormativo e padrão esperado? Bicho, que trampo! E infelizmente não existe um manual pronto de como lidar com os outros, quando a namorada é namorada da namorada e mãe… Ufa!
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A conversa deveria ser a base de todas as famílias, o diálogo franco e aberto pode ajudar - e muito - que as crianças elaborem e consigam lidar com um possível preconceito vindo de fora. A probabilidade de que o preconceito exista é alta, sabemos.. Estamos vivendo uma onda conservadora em pleno século XXI. O ano é 2019 e a prioridade do nosso atual governo é, nada mais nada menos, que ferir a laicidade do Estado, violar o direito de imagem de menores de idade e, de quebra, inserir slogan de campanha eleitoral em comunicado oficial a ser lido por funcionários públicos em exercício de sua função. É normal que estejamos preparados para o preconceito e preparemos também nossos filhos, mas,


Conversar abertamente sobre o assunto e fazer com que ele não seja um tabu - ao menos dentro de casa - vai fazer com que as crianças tenham argumentos sadios e inteligentes para discutir, se isso for preciso,

uma situação que para ela vai acabar sendo comum. Assim como Glória, é normal que muitas mulheres tomem a decisão de “esconder” de seus filhos a sua orientação/condição sexual, mas, a partir do momento que entendemos todas as formas de amor como válidas, não há porque criminalizar umas e outras não. A verdade liberta!

Outra maneira de deixar as crianças seguras em relação a relacionamentos não heteronormativos de suas mães é mostrar que, se preciso for, vamos sim acionar os meios institucionais. A escola é um dos aparelhos do Estado e, como sabemos, vai funcionar como ele. Não preciso relembrar da onda conservadora para dizer que ultimamente - mais ou menos nos últimos 500 anos - o Estado anda falhando com as pessoas negras e se esta pessoa, além de negra, for LGBT aí, meu amigo, as falhas são elevadas à décima potência. Mas, ainda assim, é preciso institucionalizar as nossas queixas na mesma medida em que o Estado institucionaliza o racismo e a LGBTfobia. O que quero dizer com isso? Estas mães devem buscar a responsabilidade de ambientes como a escola, por exemplo, em assegurar que aquela criança será tratada da mesma maneira que as outras com outros modelos de famílias. Aliás, isso vale para todos os modelos familiares que, como já dito, fogem do padrão heteronormativo. A escola tem o dever de ser um ambiente plural e seguro para que as diversidades possam conviver em harmonia. Nós não somos todos iguais e, por isso, vamos respeitar a cada um dentro da sua diferença.

Em tempos de governos autoritários, falas racistas e LGBTfóbicas institucionalizadas, perdas de direitos e retrocessos, é preciso que nós tenhamos consciência do nosso espaço, mas resistamos com inteligência, especialmente inteligência emocional. Não dá para fazer como os franceses, incendiar meia dúzia de carros e reclamar dos nossos direitos. A nossa história mostra que esse não é mais nosso perfil. No entanto, é possível que nós, que somos mães e amamos outras mulheres, cuidemos para que a geração dos nossos filhos possa não só cantar, mas entender que agora a namorada tem namorada, filho, liberdade e que deverão ser consideradas justas, de verdade, todas as formas de amor.



terça-feira, 29 de janeiro de 2019

NÃO SENTIR MEDO DE AMAR É UM PRIVILÉGIO

janeiro 29, 2019 0
Amar sem medo é um privilégio
A vida às vezes nos coloca para pensar nos nossos "privilégios".

Já falamos sobre isto aqui. Numa sociedade que é machista e racista, é impossível dizer que uma mulher preta e bissexual tem algum privilégio. Mas, então vamos falar de acessos.

A não-monossexualidade não é a situação mais confortável. A sociedade é homofóbica, os desconstruídos buscam lidar com a não-heterossexualidade de uma maneira mais suave, mas, ainda pecam quando a caixinha abre para uma sexualidade que abarca ambos os gêneros. Ainda estamos caminhando na intenção de fazer as pessoas entenderem isso.

Mas, os desconstruídos nem sempre estão dentro da nossa casa. Ou, se estão, somem quando a não-heterossexualidade bate à porta com um familiar. E essa é uma reflexão que se torna inevitável quando você pára para pensar: "Opa, eu vou apresentar uma namoradinha em casa!"

Os números de mortes por homofobia crescem a cada dia, no Brasil: no ano de 2018 foram registradas 419 mortes de pessoas LGBT tendo a LGBTfobia como motivação. A fonte é o site Quem a homofobia matou hoje?, que apresentou um ranking realizado pelo GGB - Grupo Gay da Bahia. Minas Gerais ocupa o 20º lugar entre os 27 estados brasileiros, contabilizando 27 mortes no ano de 2018. Para além das mortes registradas, os casos de violência aumentam todos os dias. A eleição de um governo fascista, pautado em preconceito e ódio deixou às claras muitos dos eleitores que, motivados pela cólera, votaram neste governo. A consequência dessa onda de retrocessos não é obviamente o próprio presidente eleito ou o exército entrando nas casas e matando pessoas LGBT - como gostam de repetir, em tom debochado, seus eleitores - mas, significa que a institucionalização do preconceito e do ódio tornam o Brasil um país "seguro para ser homofóbico".

A não-monossexualidade nos deixa mais próximos de entender as sutilezas da lesbofobia. Isto é, experimentar os dois lados do tratamento social nos faz enxergar com uma nitidez  absurda o tratamento que é dispensado a duas mulheres que se amam. As pessoas não se incomodam com casais heterossexuais e isso é fato. Shoppings, cinemas, shows ou no dia-a-dia na rua NINGUÉM SE INCOMODA e isso eu posso dizer de cadeira.

E a coisa muda de figura quando uma mulher decide namorar uma mulher. Muda muito.

E é nessa mudança de figura que reconhecemos o privilégio que significa poder se relacionar em paz, sem brigas, guerras, agressões ou maus tratos. Você, pessoa heterossexual NUNCA vai ter dúvidas se a sua família vai ou não aceitar a pessoa que você escolheu para estar do seu lado - exceto se você tiver um família racista, classista ou escrota de alguma maneira, mas, isto é assunto para outro texto. Registradas estas exceções, os demais casos não tem o que temer. Mas, você já parou para pensar que casais LGBT têm, por princípio, esse medo?

Logo, não sentir esse medo é um privilégio.

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