sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

NÃO É MAGIA, É TECNOLOGIA! | REVIEW BLACK PANTHER | NA VEIA DA NÊGA

fevereiro 16, 2018 0
Encontrar homens e mulheres negros como personagens de uma história que não reforça esteriótipos racistas, não desumaniza a figura do negro, não coloca as mulheres negras como raivosas e intratáveis, elas são guerreiras, firmes quando tem que ser e dóceis na medida certa, não coloca pessoas negras como utopias sociais, nós também erramos, tomamos decisões ruins e não estamos isentos de erros. 

Wakanda é tecnológica, feliz e próspera, um país com um rei sábio e que quer levar o que eles tem de bom para o mundo.

Ainda não assistiu? Tem poucos spoillers e aposto que vai te instigar ainda mais a ver o filme. 



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O SOFRIMENTO DO POVO NEGRO NÃO COMOVE, VIRA ESPETÁCULO

fevereiro 13, 2018 6
Temos dentro da academia o discurso de que não podemos desprezar grandes títulos por serem racistas, exclusivamente os racistas são tolerados, sob a justificativa de serem grandes obras e escritos, geralmente, por "homens do seu tempo" vivendo em outras normas sociais. É principalmente sob este argumento que Gilberto Freyre é ovacionado nas bibliografias universitárias em diversos cursos, inclusive o meu (história na Universidade Federal de Minas Gerais). O livro "Casa Grande e Senzala" foi publicado em 1933, ou seja, inicio do século XX e apesar da sua inegável contribuição para a historiografia brasileira, é racista, machista, sexista, romantiza o estupro e a dominação dos senhores principalmente sobre as mulheres escravas. Mas, ainda assim, estamos falando de um livro publicado pela primeira vez há oitenta e cinco anos atrás, inicio do século passado, de lá pra cá homens e mulheres negros em luta procuram avançar nas produções intelectuais no sentido de cada vez mais não permitir que o sofrimento de um povo sequestrado e escravizado na diáspora seja romantizado nas nossas produções intelectuais. 
A luta subentende avanço, evolução, exceto para editora mineira "Portal", que julgou apropriado publicar em 2018 um livro da escritora Jéssica Macedo que romantiza estupro, abuso, escravidão e cárcere privado, segundo sua sinopse. 

"A dor pode transformar, mas o amor é capaz de curar...  Brasil 1824.  Amali foi arrancada do seio de sua família na África, transportada em condições desumanas em um tumbeiro, que atravessou o atlântico, e vendida como escrava. Os pesadelos só parecem piorar quando não é capaz de compreender nem os outros que vieram na pavorosa viagem com ela. Presa como um animal, vendida em um mercado negreiro e marcada a ferro vai passar por sofrimentos que jamais imaginou quando vivia em sua terra natal. Ela se tornará escrava domestica de um recluso e frio barão, produtor de açúcar do interior de Minas Gerais, que possui mais marcas do que aquelas que tenta esconder. Sua curiosidade, fará Amali questionar sobre a ala queimada do casarão e trará à tona lembranças que ele tenta esquecer a todo custo. Em meio a dor, o amor florescerá de uma maneira inesperada para curar a cicatrizes de ambos."

O SOFRIMENTO DO POVO NEGRO NÃO COMOVE, VIRA ESPETÁCULO
(Título racista publicado em Belo Horizonte)

A autora, revisores e editora acharam uma boa ideia publicar, em meio a luta para avanço na busca pela equidade racial, em meio a luta contra a valorização da cultura do estupro, em meio a luta para que a história de homens e mulheres negras seja contada da maneira correta, em meio a tudo isto a Editora Portal decide publicar um título que faz uma alusão ao clássico "A Bela e a Fera", onde a "Bela" é uma escrava sequestrada em África, torturada, marcada a ferro e que vive seu cárcere do lado da "Fera", um senhor de escravos amargurado e, não bastasse todo o absurdos, a cereja do bolo é uma história de amor entre os dois. 

A democracia racial celebrada por Gilberto Freyre deu cria, diante de nossos olhos, oitenta e cinco anos depois, sob forma de romance, escrito por uma mulher mineira e, pasmem, publicado com celebração. 

É inevitável lembrar de Angela Davis, em "Mulher, Raça e Classe", ao nos depararmos com este tipo de notícia, afinal, existem vários aspectos em que podem ser exploradas e contadas as histórias de sofrimento das mulheres negras em situação de escravidão, mas, sempre me assusta quando isto é fetichizado, consumido e reproduzido sem nenhum pudor. Acho difícil imaginarmos, por exemplo, a construção de um romance entre uma judia e um soldado fascista de Hitler, você consegue? Isto não está no nosso imaginário, porque não fomos uma nação construída sob a desumanização dos Judeus e nem sob a minimização do sofrimento deste povo, não se romantiza este sofrimento, soa como errado e imoral. O mesmo não acontece com as mulheres negras, assim fica fácil romantizar uma mulher negra sendo torturada no miolo de um livro, não é mesmo?

O que geralmente nos perguntamos ao dar de cara com uma notícia destas é: "como podem várias pessoas terem achado isto uma boa ideia?", não é mesmo? Pois a resposta talvez esteja em alguns pontos importantes, como a nossa herança escravocrata, aliada a ausência de profissionais negros nas editoras ou mesmo pessoas com um certo letramento racial que a levassem a debater a publicação de algo tão absurda, antes de ser feito. 

A Editora até o momento desta publicação (02:10AM 14/2) adotou como estratégia o silenciamento das pessoas que entraram em contato através da página apontando as problemáticas do racismo e  apologia ao estupro, por exemplo, contida na obra mostrada apenas pela sua sinopse. Sendo assim, é preciso que encontremos outras maneiras de denunciar este abuso. 

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DESFILE PARAÍSO DO TUIUTI 2018: CARNAVAL E HISTÓRIA NA MARQUÊS DE SAPUCAÍ

fevereiro 13, 2018 0
(Foto: Fernanda Rouvenat/ Reprodução site: G1)
A escola Paraíso do Tuiuti levou para avenida em 2018 um enredo que homenageava os ancestrais negros, denunciava o sofrimento dos nossos mais velhos e demonstrava, principalmente, a ligação entra a herança escravocrata brasileira e os abusos e retrocessos que acontecem hoje no Brasil, em especial a reforma trabalhista.

O enredo da escola em 2018 (leia aqui) denunciou e chamou a atenção para a situação do povo negro no Brasil. E, durante o desfile a internet foi brindada com fotos de momentos maravilhosos. Confira.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

PARAÍSO DO TUIUTI FAZ HISTÓRIA (LITERALMENTE) NA AVENIDA

fevereiro 12, 2018 0
Mesmo que você não goste de carnaval hoje vai ouvir falar do desfile da "Paraíso do Tuiuti". A escola levou para avenida história, protesto, luta e o cenário político atual do Brasil. 

Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO (Reprodução Portal R7)
Foi difícil em especial para os comentaristas da TV que mais lucra em transmitir o carnaval carioca comentar o desfile da Paraíso do Tuiuti, comentários tentando deslegitimar o sofrimento do povo negro como "Podemos ver que o capataz também é negro" acompanharam a entrada da comissão de frente durante os comentários da TV Globo. O abre alas retratou com respeito e a luta e sofrimento dos escravos, utilizando a máscara que era utilizada como castigo aos nossos e ficou popularmente conhecida recentemente após ser usada como estampa por uma marca famosa ou como "jóia" por uma modelo semi-famosa no Brasil.

Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO (Reprodução Portal R7)

O enredo: "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?" dos compositores: Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal, retratou a realidade brasileira além da nossa vontade de fazer parecer que vivemos numa democracia racial. 

"Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o valor? Pobre artigo de mercado
Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz"

As críticas seguiram os séculos avançando no que hoje pode ser considerado um estrago causado por nossa herança escravocrata, como as reformas da previdência e trabalhista, que tiraram direitos do povo brasileiro e, em especial, das camadas mais baixas que são "coincidentemente" as camadas mais ocupadas por pessoas negras.

Foto: Reprodução transmissão Globo.
A manipulação daqueles que pediram pelo golpe também foi retratada pela escola e também foi motivo de constrangimento para os comentaristas da dita televisão que, por muitos momentos durante o desfile da Paraíso do Tuiuti tiveram que se fazer de desentendidos para comentar as alas que passavam pela avenida.

(Foto: Fernanda Rouvenat/ Reprodução site: G1)

Estudar história é fundamental para entender os rumos que a política toma no nosso país, entender que a nossa já dita herança escravocrata tem total influência sobre a nossa situação só é possível se conhecermos o que já se passou. O professor Léo Morais veio representando um "personagem com uma faixa que fazia alusão a faixa presidencial, imitando um vampiro e de chifres", por motivos óbvios nem a escola ou o professor afirmam se tratar do presidente em exercício do nosso país, mas, para bom entendedor, meio vampirão basta, não é mesmo? Léo Morais afirma que como professor de história o protesto tudo tem a ver com ele e não poderia deixar de gritar, neste momento crítico do país, mais esta denúncia. A figura do "Presidente Vampirão" veio no último carro batizado de "Navio Neo Tumbeiro", um nome que diz tudo sobre o contexto. Léo também é assistente do carnavalesco da escola e, como sempre digo, história é tudo, a Paraíso do Tuiuti brilhou ao estudar para pisar na avenida, tocando de forma sutil e ao mesmo tempo contundente em pontos cruciais do nosso país. 


O ENREDO DA PARAÍSO DO TUIUTI 2018

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o valor? Pobre artigo de mercado
Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandinga, cambinda, haussá
Fui um rei egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se planta gente

Ê calunga! Ê ê calunga!
Preto Velho me contou, Preto Velho me contou
Onde mora a sengora liberdade
Não tem ferro, nem feitor

Amparo do rosário ao negro Benedito
Um grito feito pele de tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O QUE É: MATERNIDADE COMPULSÓRIA? [SE TOCA!]

fevereiro 06, 2018 0
Quando falamos de maternidade compulsória, não quer dizer que se ela acabar todas as mulheres estão proibidas de ter filhos e que entrarão na casa das gestantes praticando abortos forçados, não é isso, calma lá. Primeiro você precisa entender o que é maternidade compulsória, para só depois tecer críticas, não é mesmo?

O que significa "compulsório"? 
Compulsório é um adjetivo masculino que classifica algo que obriga ou compele a fazer alguma coisa. Alguns sinônimos de compulsório são: obrigatório, forçoso, imprescindível. Por outro lado, os seus antônimos são: voluntário, desobrigatório e facultativo. Esta palavra tem origem no latim compulsue está relacionada com compulsão, uma coisa que é imposta, ou que deve ser cumprida forçosamente ou de forma obrigatória. [FONTE.] Então, agora que está explicito o significado da palavra, fica mais fácil entender a expressão, não é?

O que significa "maternidade compulsória"?
Maternidade compulsória é uma expressão que classifica a vivência de mulheres que COMPULSORIAMENTE passaram por uma gestação e vivenciam uma maternidade.

"Ah, mas, ninguém é obrigada a ter filho.". Sim, é. Brasil é um país onde o aborto ainda é considerado crime, o que faz com que seja preciso acessar meios clandestinos para realizá-lo caso seja necessário, outro ponto que prova que a maternidade compulsória é real é o senso comum reproduzido dia pós dia de "quem não quer filho não engravida". O corpo da mulher, bem como seu funcionamento, não é estudado como deveria nas salas de aula brasileira, métodos contraceptivos não são 100% eficientes, o único método TOTALMENTE seguro é a abstinência e, para além disto, vivemos num país cuja a maior parte da população é pobre e acesso a saúde é PRECÁRIO, muitos métodos possuem condicionantes que nem todas as mulheres conhecem, além de nem todos estarem disponíveis para todas as mulheres.
Outra prova de que a maternidade compulsória é real está no fato de que vivemos numa sociedade em que o peso da gestação e de uma criança não desejada recai MAJORITARIAMENTE nas costas da mulher. Casos isolados de mulheres que abrem mão da maternidade e o pai assume isto, QUE É DIFÍCIL DE ACONTECER são rapidamente espalhados como um absurdo, justamente porque do homem ou genitor nunca é cobrada a mesma obrigatoriedade de arcar com a gestação e o fruto dela.
É preciso destacar também as "tradições" familiares apontam que a mulher "nasceu para ser mãe", o mito de que a maternidade é inata a todas as mulheres reforça essa obrigatoriedade implícita na vida das mulheres. Mulheres que escolhem nunca ser mães enfrentam um julgamento pesado da sociedade, algumas pessoas chegam a desejar que esta mulher tenha muitos filhos, quase como um "castigo" pela sua escolha a não maternidade.

Engana-se quem acha que a maternidade compulsória pode ser vivenciada apenas por mulheres que não um companheiro durante a gestação ou a "criando o filho na mesma casa", afinal, isto nada tem a ver com ser solteira ou casada, mas, ter ou não filhos por livre e espontânea vontade.
Existem diversas formas de coagir alguém a fazer alguma coisa, no caso da maternidade compulsória as ações podem ser subjetivas, como pressão psicológica por parte da família ou companheiro ou ações que independem da vontade do casal, como a falha de um (ou mais) métodos contraceptivos. 
Outro erro é acreditar que mulheres que já são mães não podem ser vítimas de maternidade compulsória numa segunda ou terceira gestação, afinal, não é uma sentença que se você tiver um filho vai desejar ter outros, não é garantia de eterno desejo de maternar, o que quer dizer que a vontade da mulher pode mudar e o que em um determinado momento foi algo voluntário, noutro pode passar a ser algo compulsório.

"Considerando que a maternidade compulsória às mulheres e a sexualidade instituída com fins reprodutivos estão na base da construção dos gêneros e das identidades de gênero, com forte apelo cultural nos discursos relacionados à modernidade (GIDDENS, 1991), interpela-se sobre as perspectivas de maternidade e os significados das experiências que estariam a reivindicar signos do sistema heteronormativo e aqueles que provocariam ressignificações a partir da ruptura com a linearidade entre casal heterossexual-procriação-família. [...] Historicamente, a sexualidade feminina foi dirigida para fins reprodutivos, sendo normatizada através dos dispositivos da heteronormatividade. "
Trecho extraído do texto "EXPERIÊNCIAS REPRODUTIVAS E DESEJOS DE MATERNIDADE EM LÉSBICAS E BISSEXUAIS" de Gilberta Santos Soares. Artigo para o "Fazendo Gênero 2010". Disponível para leitura NESTE LINK.


Submeter a mulher a maternidade compulsória pode (e não é este meu departamento, área de estudo ou atuação) ser danoso não só para a própria, mas, também para a família e a criança produto da maternidade compulsória. Nós enquanto sociedade precisamos também compreender nosso papel nesse ciclo de opressão e sempre que possível evitá-lo. Entender que nem toda mulher "nasceu para ser mãe" e parar de querer enfiar a maternidade na vida de todas as mulheres, mesmo aquelas que não desejam. Entender que métodos contraceptivos falham e todas estão sujeitas a isto, inclusive aquelas que não desejam ser mães, porque, é diferente ter um filho e ser mãe, não vamos nos esquecer disto também.
É preciso entender que mulheres são seres individuais que não se resumem apenas a um útero, incubadoras sociais ou seres enviados para cumprir um tal papel divino de reproduzir e povoar a terra, somos mais que isto, somos mais que escolhas alheias sobre o nosso corpo, somos, temos e devemos decidir sobre nossos corpos. Direitos reprodutivos são sobre TER ou NÃO TER filhos e ter o direito à informação para poder escolher com consciência quanto a isto.


FAÇA VOCÊ MESMA - FANTASIA DE PRIMAVERA (D.I.Y CARNAVAL)

fevereiro 06, 2018 0


Quem não quer passar em branco neste carnaval, mas, também não está com o bolso cheio de grana para investir na compra de fantasias vai gostar deste post. O início de ano sempre tem aqueles gastos que apertam o orçamento, mas, nem por isto precisamos deixar de curtir o carnaval. Vamos aos itens necessários:


Usei um biquíni velhinho para ser a base da produção, porque a melhor parte é reaproveitar, agora ele vai me servir como fantasia de carnaval por muitos anos <3


Depois de descobrir a cola de silicone a minha vida não foi mais a mesma, cansada de queimar pistolinha de cola quente, que geralmente só duram um ano ou menos, fui atrás de algo que considerasse mais prático e agora uso cola de silicone para tudo. Demora um pouco mais a secar que a cola quente, mas, tem o mesmo efeito e serve para a mesma variedade de materiais. PREÇO: R$4,90


Apliques de E.V.A de sua preferência. Usei para o biquíni todo um pacote destas florzinhas, mais ou menos 45 flores ao longo de todo a produção. PREÇO: R$3,50.



VAMOS AO PASSO-A-PASSO: As pétalas das florzinhas devem ficar encaixadas e não sobrepostas, assim você ocupa mais espaço com menos flores. Um pinguinho de cola de cada lado já é mais que suficiente, após colar, faça uma pequena pressão sobre a flor e a parte de trás do biquíni para ajudar na fixação do aplique de E.V.A na peça. Não se esqueça de equilibrar as cores, é essencial pra fantasia ficar bem colorida. 


Depois de colar por toda a peça revise os cantinhos e coloque mais cola nas partes das pétalas que ficarem arrebitadas, assim não corre o risco das flores se soltarem caso alguém esbarre acidentalmente. 
Para fazer a saia, tem vídeo no canal ensinando como mantar a saia de tule:


É só seguir o mesmo esquema e, ao invés de aplicar as pérolas como pontos de luz, vamos usar apliques de E.V.A. com glitter. Neste modelo usei flores e corações, para deixar a fantasia bem fofa.


Os apliques também podem ser aplicados com cola de silicone no tule, só exige um pouco mais de paciência para secarem e não grudar uma tira na outra, mas funciona muito bem. 
A fantasia não precisa ser usada só no carnaval, pode ser reaproveitada o ano inteiro e você vai conseguir fugir da moda "sereia e unicórnio" que invadiu o país inteiro. 

Aproveite seu carnaval, use camisinha e se hidrate!



sábado, 27 de janeiro de 2018

A HISTÓRIA DO MEU CABELO - LÍVIA TEODORO

janeiro 27, 2018 1

Passei três anos com o cabelo no mesmo comprimento. Ele crescia na raiz e quebrava nas pontas, era fraco por conta das químicas e da falta de cuidados, já que dentro da minha cabecinha oca, escova progressiva já poderia ser considerado um "tratamento", ou pelo menos era o que a minha cabeleireira me dizia. Não era permitido pintar e muito menos descolorir os cabelos, as químicas não eram compatíveis. Nesta época, a cada vez que eu penteava os cabelos era um bolo de "toquinhos" grudados nas costas e caídos no chão, sempre na hora de pentear os cabelos precisava me proteger para não sair de casa completamente coberta de cabelinhos quebrados. Nunca fui a pessoa mais cuidadosa do mundo com meus cabelos, mas, o fato de eu fazer relaxamento todo mês e progressiva a cada três meses, prejudicava demais o desenvolvimento do meu cabelo.

Megahair - 2011
Com o cabelo muito fraco e quebrado em 2011 eu coloquei aplique. Era a solução, já que supostamente o meu cabelo não crescia nunca e naturalmente ele jamais chegaria ao tamanho que eu desejava. Aí então investi num megahair que me consumia física e financeiramente. Usei o aplique por, mais ou menos, dois anos e só tirei após o nascimento do meu filho, porque eu não tinha três coisas fundamentais para manter um aplique: tempo, dinheiro e paciência para cuidar! Quando tirei estava novamente quase ficando careca, resultado de muito tempo sem realizar a manutenção necessária, meus cabelos estavam virando um ninho, literalmente! Foi preciso muita paciência e muito tato para tirar aquilo do meu cabelo.

Tirei o megahair em outubro de 2012 e, adivinha? Alisei novamente! 

Eu simplesmente não conseguia ficar com o meu cabelo "duro" nascendo e eu sem saber o que fazer. Tinha na minha cabeça essa ideia falsa de que é mais fácil cuidar e que dá menos trabalho, então, lá fui novamente fazer relaxamento/escova todo santo final de semana, com a justificativa de me sentir mais bonita (e embora não estivesse, eu realmente me sentia bonita daquele jeito). Fazia parte da turma que escovava cabelo numa quinta-feira e só voltava a lavar na próxima quarta-feira (eca!) para "conservar" a escova, porque "haja dinheiro", não é mesmo? Durante algum tempo trabalhei em um salão de beleza, aí não tinha desculpas para não cuidar do cabelo, nesta época ele estava realmente muito bem cuidado, mas ainda assim não era "meu", era uma falsa ideia de liberdade, misturada a uma necessidade física de me encaixar num determinado padrão.

Sim, eu era uma pessoa instável e indecisa, em outubro de 2013, voltei a usar megahair porque eu não conseguia me "sentir bonita" só com aquele cabelo curtinho. Já não bastasse a imposição de ter um cabelo "bom para ser aceita" inventaram também o "cabelo grande" para passar boa impressão. E lá fui eu novamente me transformar para agradar a sociedade. Desta vez, decidi usar um aplique cacheado e algumas vezes, fazia texturização nele e no meu cabelo, para ficar ainda mais enroladinho. Depois de algum tempo nesta rotina, me perguntei: "Se Deus me deu um cabelo "cacheado", lindo, porque eu estou pagando rios de dinheiro para pendurar um aplique cacheado? Qual o meu problema?" Decidi então parar com o alisamento e naquele momento resolvi que dali em diante faria apenas um "relaxamentozinho-levinho-para-dar-uma-abaixadinha-na-raiz" (o que muitas meninas acreditam ser a solução).

Big Chop - 2014

Quando entrei em transição estava decidida a ficar um ano neste processo para só então cortar o cabelo alisado e assumir o natural ou "assumir um cabelo cacheado com relaxamento" que era o que, naquela época, importava muito para mim. Mas os planos mudaram quando eu comecei a ler e pesquisar sobre o assunto, entender o que realmente significava entrar em transição e assumir o cabelo CRESPO, porque o meu cabelo não é cacheado, é crespo.

Contei um pouco da minha "TRANSIÇÃO POLÍTICA" aqui no blog e em vídeo no canal, foi fundamental me entregar as leituras e pesquisas, para entender que se assumir é muito um processo de dentro para. Em fevereiro de 2014 eu fiz o big chop (grande corte = retirar toda a parte com química nos cabelos, em um único corte), soltei os meus cabelos crespos para afrontar o mundo. 

Por um tempo estive crespa, natural, loira, bem feliz com o meu visual e meu interior. Aprendi que os padrões da sociedade atual não foram feitos para mim e que definitivamente eu não preciso me encaixar neles para ser feliz. Assumir um cabelo natural traz bônus, mas também traz ônus, quando você passa a ter consciência racial e consciência da sua negritude, com certeza o que antes você não percebia passa a ser mais evidente e mais doloroso! Mas vamos levando e vamos afrontando, porque o importante mesmo é não desanimar, não murmurar e ter muita, mas muita coragem de se assumir!


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